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Ver Versão Completa : Propagação de corais no mundo de língua Portuguesa



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Pedro Nuno Ferreira
12-02-08, 01:23
Viva
Tal como escrevi neste tópico Book of Coral Propagation - Anthony Calfo (http://www.reefforum.net/showthread.php?t=12637) ( 1 (http://www.reefforum.net/showthread.php?t=12637) 2 (http://www.reefforum.net/showthread.php?t=12637&page=2)) que oportunamente abriria e moderaria um tópico sobre a propagação de corais e assim lanço agora esse tópico.
Para quem quiser passar directamente para o tema deste tópico, não deverá ler as linhas a seguir escritas a purpura que pode sempre ler mais tarde.



Antes de passarmos ao tema específico deste tópico, convido a quem o quiser a fazer uma breve viagem no tempo geológico que ajudará a melhor perceber como funciona o nosso planeta, o que podemos esperar do mesmo e o que podemos fazer para melhor nos adaptarmos e acompanharmos a sua dinâmica evolutiva e nesse melhor está o compreender a natureza que no nosso caso consiste em compreender o recife de coral, os corais, como os manter como os propagar. Perceber que a enorme bio diversidade do recife que conhecemos e de que mantemos bocadinhos nos nossos sistemas, tem origem numa pequena réstia de corais, peixes, etc…que por sua vez fazia parte de uma bio-diversidade ainda maior, gigantesca, mas que não conseguiu acompanhar a dinâmica geológica do planeta em que vivemos.

Muito se fala de aquecimento global, espécies ameaçadas, etc., havendo uma cada vez maior resposta de consciencialização social e politica para o impacte das actividades humanas no meio ambiente, no planeta, que actuam como acelerador das alterações climáticas e tudo o que isso implica. Isso é sem dúvida importante mas será que as coisas não aconteceriam se não existíssemos?! Aconteciam e vão acontecer, pode é não ser durante o nosso tempo, mas vai acontecer, faz parte da dinâmica natural do planeta! Claro que as actividades humanas actuam ou podem actuar como um catalisador que acelera toda esta dinâmica natural de um planeta vivo com o seu núcleo em fusão que actua como um coração que lhe dá vida.

Para não entrar em muitos detalhes que são interessantes (pelo menos para mim) mas para desenvolver e aprofundar noutro âmbito, portanto simplificando muitíssimo, o registo fóssil que tem sido amplamente estudado pela comunidade cientifica em busca de perceber como tudo funciona indica claramente terem já ocorrido pelo menos 5 grandes extinções em massa (http://en.wikipedia.org/wiki/Extinction_event#Major_extinction_events) de que a do período geológico do Permiano (http://en.wikipedia.org/wiki/Permian) , um período geológico que data desde há 299 milhões de anos até cerca de 251,4 milhões de anos atrás, terá sido a pior de todas na medida em que no final desse período se deu a extinção do Permiano-Triassico (http://en.wikipedia.org/wiki/Permian-Triassic_extinction_event) em que se estima que mais de 90 a 95% de todas as espécies marinhas tenham sido extintas assim como 70% de todas as espécies terrestres.


The Permian ended with the most extensive extinction event (http://en.wikipedia.org/wiki/Extinction_event) recorded in paleontology (http://en.wikipedia.org/wiki/Paleontology): the Permian-Triassic extinction event (http://en.wikipedia.org/wiki/Permian-Triassic_extinction_event). 90% to 95% of marine species became extinct (http://en.wikipedia.org/wiki/Extinction), as well as 70% of all land organisms. On an individual level, perhaps as many as 99.5% of separate organisms died as a result of the event.[8] (http://en.wikipedia.org/wiki/Permian#_note-7)

Pois é, uma verdadeira razia o que só por si indicaria que toda a fabulosa biodiversidade que conhecemos e temos nos mares, e de que temos um bocadinho nos nossos sistemas, resulta de cerca de menos de 10% que sobraram dessa grande extinção. Seria de facto assim se não fosse pelo facto que depois disso ocorreu pelo menos mais uma grande extinção em massa, a do período Cretácico-Terciário (http://en.wikipedia.org/wiki/Cretaceous%E2%80%93Tertiary_extinction_event#Mamma ls%5D) que é largamente conhecida pela extinção dos Dinossauros e é justamente na sequência dessa extinção que surge a oportunidade para os mamíferos, mais concretamente os placentários (http://en.wikipedia.org/wiki/Placentals) de ocuparem nichos ecológicos e evoluírem, mais concretamente os Eutheria, sendo o extinto Eomaia scansoria (http://en.wikipedia.org/wiki/Eomaia) (Mãe trepadora da Aurora) o nosso antepassado comum, um pequeno animal com cerca de 10 cm e 20 a 25 grama de peso, possivelmente roedor e que seria o precursor da longa linhagem de mamíferos placentários que dariam origem entre outros, ao género humano.
A natureza reinventa-se e mais uma etapa fantástica da história e aventura da vida no nosso planeta se desenrola, sempre num ritmo e diversidade de “soluções” fantásticas, fabulosas, interessantes, imaginativas, perigosas também, mas tudo soluções naturais “feitas à medida” do que o meio ambiente permite, é a cornucópia da vida mais uma vez a dar os seus frutos num planeta cuja dinâmica geológica continua e muda e com a mesma também a fauna e flora.

Pois, é, e tem sido assim desde o inicio longínquo do nosso Planeta e vai continuar até que o planeta deixe de o ser. Para terem uma ideia melhor do que falo, entrem no site abaixo e vão percorrendo os 26 elos até conseguirem vislumbrar o que actualmente é a Península Ibérica. Ficarão a perceber entre outros que isto muda e bastante, qual jangada de pedra à deriva, e como se podem encontrar fosseis de animais marinhos oriundos de um mar interior de que obviamente não há memória humana porque simplesmente não havia humanos nessa altura, fosseis que hoje se encontram em pedreiras da Alemanha, bem no interior continental….

Encontrarão 26 elos cada um apresenta o aspecto do Planeta Terra em tempos geológicos diferentes….
http://jan.ucc.nau.edu/~rcb7/globehighres.html (http://jan.ucc.nau.edu/%7Ercb7/globehighres.html)

Nesses mesmos fosseis encontram-se corais que nos deixam a sonhar de como seriam, fosseis de insectos como a Meganeura (http://en.wikipedia.org/wiki/Meganeura), uma libelinha com 75 cm de envergadura que me deixam a sonhar (se calhar sem grande noção do sarilho que poderia ser dar de frente com um bicho desses…), fosseis de períodos geológicos bem diferentes, mas todos tornados fosseis pela dinâmica geológica do planeta, emane esta da acção do seu interior, ou da acção de corpos celestes que caiam nos seus continentes ou mares ou muitas outras causas das quais a influencia das plantas e da fotossíntese ganha cada vez mais consistência/evidencia. Enfim causas que ainda hoje são objecto de debate e sem consenso firme entre a comunidade científica que sobre elas se debruça. No entanto e à luz de novas descobertas e evidencias, ganha cada vez mais aceitação o modelo de dinâmica geológica induzida pela acção das plantas ou a fotossíntese ou que as mesmas desempenharam e desempenham um papel muito significativo nesta dinâmica geológica converte em “motores” evolutivos as extinções em massa que promove…periodicamente.
Há varias obras recentes sobre o assunto e uma delas que podem consultar e vos remete para muitas outras e que recomendo, é esta – The Emerald Planet (http://www.amazon.co.uk/Emerald-Planet-Plants-Changed-History/dp/0192806025) –

Aqui tenho de terminar esta curtíssima viagem na história geológica do planeta, e embora muito fique por dizer e explicar, penso que fica claro que isto não vai parar por aqui e assim é importante que estejamos atentos e sejamos conhecedores destas realidades para sabermos como nos ajustar às mesmas. Compreender como funciona a natureza, porque reage desta ou daquela maneira, o que podemos fazer para não a afectar e a nós próprios que dela fazemos parte, é uma das vias e no nosso caso, perceber como funciona o recife de coral, como vive, como o manter nos nossos sistemas, como o propagar, como o proteger, será o caminho sustentado. Na natureza nada se perde, tudo se transforma, evolui como de resto é bem indicado no documentário Reef Of Riches em que justamente os avanços e recuos do mar promoveram uma selecção natural de espécies corais que foi evoluindo de muitas espécies para menos mas mais aptas, fruto de hibridação, evolução genética, adaptação e vai continuar, esperemos que connosco a assistir e a evoluir também…vai correr tudo bem.

Abordando o tema da propagação de corais, temos bons exemplos aqui no nosso fórum que importa colocar em destaque para que sirvam de exemplo, modelo, fonte de aprendizagem, evolução do conhecimento, consolidação do mesmo. Uma abordagem que promove a continuidade sustentada deste passatempo que acaba por ser bem mais do que isso, uma resposta activa: Na defesa da natureza; Na evolução do conhecimento; Na educação; Na evolução dos costumes; Na evolução da Civilização.

Vou colocar aqui alguns dos exemplos, não todos, por razão de espaço. Há medida que o tópico for evoluindo serão colocados outros que os próprios membros podem ir colocando

Machado de Sousa

Mães
http://www.reefforum.net/photopost/data/509/medium/maternidade_v_geral_com_JR_Junior.JPG

http://www.reefforum.net/photopost/data/509/medium/tubos_vistos_de_SW.JPG

Creche
http://www.reefforum.net/photopost/data/509/medium/vista_Creche_SE_mais_a_Este.JPG

http://www.reefforum.net/photopost/data/509/medium/Creche_pormenor_2.JPG

http://www.reefforum.net/showthread.php?t=11218

http://www.ipaq.org.br/modules.php?n...er=asc&start=0 (http://www.ipaq.org.br/modules.php?name=Forums&file=viewtopic&t=22755&postdays=0&postorder=asc&start=0)

http://img257.imageshack.us/img257/6168/jorge6qh3.jpg

http://img407.imageshack.us/img407/4859/jorge2jb5.jpg

http://img257.imageshack.us/img257/8449/jorge1bw1.jpg

http://img375.imageshack.us/img375/9553/jorge5hj1.jpg

http://img215.imageshack.us/img215/1253/jorge3pz6.jpg

http://img216.imageshack.us/img216/7493/jorge10kx9.jpg

http://img74.imageshack.us/img74/2787/jorge12qu1.jpg

http://img217.imageshack.us/img217/773/jorgepeixesqb0.jpg

http://img217.imageshack.us/img217/1622/marronjorgerl6.jpg

http://img217.imageshack.us/img217/378/marronjorge2bs3.jpg

Diogo Lopes
Fragmentação - Acropora efflorescens (http://www.reefforum.net/showthread.php?t=2923) ( 1 (http://www.reefforum.net/showthread.php?t=2923) 2 (http://www.reefforum.net/showthread.php?t=2923&page=2) 3 (http://www.reefforum.net/showthread.php?t=2923&page=3))

Ricardo Rodrigues
Sarcophyton... só à tesourada! (http://www.reefforum.net/showthread.php?t=6187) ( 1 (http://www.reefforum.net/showthread.php?t=6187) 2 (http://www.reefforum.net/showthread.php?t=6187&page=2))

http://www.coralfrags.org/user-frags/36

Gil Miguel
http://www.reefforum.net/photopost/data/2/Muda_Hydnophora.jpg

http://www.reefforum.net/photopost/data/2/Montipora_Verde.jpg

http://www.reefforum.net/photopost/data/2/Hydnophora_Frag_15.jpg

http://www.reefforum.net/photopost/data/2/Muda_acro_peluda_amarela_castanha.jpg

http://www.reefforum.net/photopost/data/2/Montipora_nodosa.jpg

http://www.reefforum.net/photopost/data/2/Echinopora.jpg


Mais alguns dados de interesse:

Controle de fosfatos - Ricardo Miozzo (http://www.reefforum.net/showthread.php?t=3749)

Fragmentação de corais: Não apenas para principiantes (http://www.reefforum.net/showthread.php?t=10254)

Trocas de água e seu efeito no combate ao nitrato (http://www.reefforum.net/showthread.php?t=4549)

Meus SPS após zerar nitrato e fosfato (http://www.reefforum.net/showthread.php?t=9468)

Técnicas de Propagação (http://www.reefforum.net/forumdisplay.php?f=248)

korallen-zucht.de (http://www.korallen-zucht.de/)

Posto isto vêm as perguntas:

1 - Que dimensões têm os vossos sistemas de propagação, que sugerem como dimensões para um sistema de propagação?

2 - Que Iluminação usam, sugerem?

3 - Que filtragem/depuração usam, sugerem?

4 - Que aditivos usam/consideram imperativos?

5 - Que regras a cumprir aplicam/consideram imperativas?

6 – Como orientariam quem quer que pretenda propagar?

7 – Que ferramentas usam?

8 – Que EPI (Equipamento de Protecção Individual) usam/recomendam?

9 – Relativamente às cores vibrantes que alcançam as Acroporas, que recomendam para tal?

10 – Que dificuldades enfrentaram/enfrentam?

Seguramente que haverá mais perguntas mas para já deixo ficar estas



Atenciosamente
Pedro Nuno

Filipe Simões
12-02-08, 01:48
Aqui esta um tema do qual percebo muito pouco, mas deixo o link para o ja referido sistema Machado de Sousa, presente no youtube, que mostra bem o que aquilo eh na realidade.

Sistema de propagacao Machado de Sousa (http://uk.youtube.com/watch?v=HmPavjZKUcs)


Havia ainda um topico que deve ser de 2005 que mostrava o link para uma quinta de corais, em que o proprietario documentava todas as etapas. Aquilo ficava num sitio que nevava e tudo. Eu nao o consegui encontrar aqui no reefforum novamente, mas creio ter sido colocado pelo Julio, ha mesmo muito tempo.

Pedro Nuno Ferreira
12-02-08, 02:04
:ola)Viva Filipe
Excelente:pracima:
E este aqui do Ricardo Rodrigues também é muito bom e tem um fundo musical muito agradável:pracima:

http://uk.youtube.com/watch?v=gfryMhmyxWU&feature=related

Ó Ricardo que musica é esta?
Tens os corais ao som disto todo o dia?
É este um dos segredos para manter os corais alegres e a propagar...yb665:sbSourire

tatatarararumpá...yeesss...cool:sbSourire

Atenciosamente:sbOk3:
Pedro Nuno

Gil Miguel
12-02-08, 22:50
Boas Pedro

Vou relatar a experiencia que tive com o meu aquario de propagação, respondendo ás questoes que colocaste:


1 - Que dimensões têm os vossos sistemas de propagação, que sugerem como dimensões para um sistema de propagação?

O meu sistema tinha 100x100x35 com uma sump de 80x30x40 sem qualquer divisória, com escumador e bastante rocha viva.
Sugerir uma dimensão, dependerá muito dos objectivos e tipo de corais a propagar,mas convem sempre ser um aquario de altura reduzida, largo e comprido (idealmente :))



2 - Que Iluminação usam, sugerem?


Na altura usei HQI´s e T5´s com muito bons resultados, acho que tirando o factor calor e económico, ambas são igualmente eficazes. O principal é ter os frags sensivelmente com a mesma iluminação que a colónia-mãe.


3 - Que filtragem/depuração usam, sugerem?


A montagem era bem simples, com um bom escumador, rocha viva no aquario principal e na sump e uma dsb parcial.
Se fosse agora, usaria uma fina camada de areao, muita rocha na sump e nenhuma no aquario principal.
Tirando o escumador,rocha viva e areia, não tinha qualquer outro sistema de filtragem.


4 - Que aditivos usam/consideram imperativos?


Nunca usei qualquer tipo de aditivo nos meus aquarios (o de propagação inclusivé). Adicionava marine snow de vez em quando, cyclopeez e bosmiden.



5 - Que regras a cumprir aplicam/consideram imperativas?


Propagação sustentada, frags feitos apenas a corais estabilizados e muito bem ambientados ao aquario, (nos corais duros é essencial)



[FONT=verdana]7 – Que ferramentas usam?


Basicamente utilizava tesoura, chave de fendas e martelo :) e dremmel.



8 – Que EPI (Equipamento de Protecção Individual) usam/recomendam?

É fundamental a utilização de luvas e óculos de protecção. Os corais libertam mucos nocivos e alguns são mesmo bastante perigosos (caso dos zoanthus e palythoas).
Arranjei uma conjuntivite a sério e alergias complicadas nas mãos e braços por algumas vezes.




9 – Relativamente às cores vibrantes que alcançam as Acroporas, que recomendam para tal?


Basicamente água pobre em nutrientes e boa iluminação. Alimentar o aquario com comida especifica pode tambem ter bons resultados.


Com mais tempo, vou procurar melhorar e completar melhor esta resposta.

Bom tópico Pedro!

Já agora fica o link do sistema que mantive durante algum tempo e que quem sabe, um dia volta a ser montado

http://www.reefforum.net/showthread.php?t=2698

Pedro Nuno Ferreira
13-02-08, 00:27
:ola)Obrigado Gil por partilhares a tua experiência com todos nós. Sei que vais voltar a montar o teu sistema de propagação e já tenho saudades de poder volta e meia comprar frags teus, de que de resto algumas das fotografias que coloquei são de frags que te comprei. Tenho pena de não os ter podido manter mas a voragem do calor (e não é o aquecimento global...yb665) que assolou o meu sistema no verão passado durante as obras cá em casa, não deu hipótese...perdi quase tudo o que eram corais...mas..., tal como nas extinções em massa... a réstia de vida que ficou e a esperança, muitas correcções, trocas parciais de água, Ulva Rigida, phosguard, carvão super activado,rigor nos parâmetros de água, etc...acreditar e muita paciência começam a dar os seus frutos... e a aventura da vida recomeça....
Fico contente por te ter oferecido aquele frag de Blastomussa merleti que assim continua a que eu tinha. Serve de exemplo vivo da mais valia que é fragmentar. Em boa hora o fiz e fico muito contente por to ter oferecido porque se assim não tivesse sido, já não existiria.

Era assim a colónia mãe
http://www.reefforum.net/photopost/data/508/Blastomussa_merletti_luz_do_luar.jpg

http://www.reefforum.net/photopost/data/509/Actualiza_o_Fungias.JPG

http://www.reefforum.net/photopost/data/508/medium/Blastomussa_e_euphyllia_1.jpg

o frag que te dei e que a salvou

aqui, acabadinho de chegar e depois de aclimatado
http://www.reefforum.net/photopost/data/508/Frag_Blastomussa_merletti.jpg

http://www.reefforum.net/photopost/data/508/Frag_Blastomussa_j_no_AQ_do_Gil.jpg

aqui sob a luz do luar pouco tempo depois de o ter feito
http://www.reefforum.net/photopost/data/508/Blatomussa_Lobophyllia_Cycloseris_Acanthastrea_fra g_blastomussa_ao_luar.jpg

http://www.reefforum.net/photopost/data/508/Frag_Blastomussa_merletti_luz_act_nica.jpg

http://www.reefforum.net/photopost/data/508/Frag_Blastomussa_merletti_flash.jpg

aqui alguns frags que fiz para mim tempos depois

http://www.reefforum.net/photopost/data/508/medium/Frag_Blastomussa_merletti1.jpg

este aqui resultou de um único pólipo que um dia encontrei solto sobre a areia e colei na RV e deu o que se vê
http://www.reefforum.net/photopost/data/508/medium/Blastomussa_merletti_frag_incrustado_1.jpg

http://www.reefforum.net/photopost/data/508/medium/Blastomussa_merletti_frag_incrustado.jpg

e aqui meses depois no teu sistema e a salvo
http://www.reefforum.net/photopost/data/500/blastomussa2.jpg

http://www.reefforum.net/photopost/data/508/medium/Picture_435.jpg

http://www.reefforum.net/photopost/data/508/medium/IMG_1394.jpg

hei-de voltar a ter outra e quando tiver volto a fragmentar e a dar-te, só que desta vez dou-te mais.

Fico contente por não me teres vendido o teu aquário histórico porque,...tenho fé de que... vou voltar a vê-lo para escolher umas quantas "jóias" do recife...numa viagem de 8 ou 9 horas de carro...acho que da próxima fico no Ibis ou numa residencial por aí perto, escolho as "jóias" do recife na véspera e pouco antes de partir, recolho-as...:sbEndormi)

Oportunamente terei também a minha "mesa" de propagação (talvez já na nova casa...)

Atenciosamente:sbOk3:
Pedro Nuno
Post Scriptum: ah...não me esqueci do Pommery Brut Royal...yb665:knTrinque

Pedro Nuno Ferreira
13-02-08, 12:37
:ola)Viva
enquanto aguardamos por mais respostas do Gil e de outros membros aqui focados ou não que gentilmente queiram e tenham tempo para partilhar o seu conhecimento


Com mais tempo, vou procurar melhorar e completar melhor esta resposta.

vou colocando mais uma pergunta relacionada com o fabrico das bases onde fixar os "propágulos" ou seja, os frags.

O Julio e o Pedro Azevedo têm umas bases que penso vieram dos EUA e são muito práticas (eu já experimentei)
Gosto também das bases que o Gil usa que são fabricadas mas não sei a "receita" e gostava de saber:sbQuestio

aqui dois exemplos, um dos quais, a Hydnophora, eu comprei

http://www.reefforum.net/photopost/data/2/Muda_Hydnophora.jpg

http://www.reefforum.net/photopost/data/2/Muda_acro_peluda_amarela_castanha.jpg

Estas aqui que o Machado de Sousa usa, parecem ser umas bases tipo cogumelo cuja haste é enfiada em frascos para flor que por sua vez são encaixados na grelha do Egcrate. Essa grelha assenta em pilares feitos com os ditos frascos....engenhoso:palmadass:pracima: Confirma-se esta interpretação que eu estou a fazer:sbQuestio

http://www.reefforum.net/photopost/data/509/medium/tubos_vistos_de_SW.JPG

http://img217.imageshack.us/img217/378/marronjorge2bs3.jpg

eu que poucos frags faço (e vou passar a fazer mais logo que possa) uso a pasta da Deltec, tanto para fazer uma base como para fixar os frags, embora neste caso tenha aproveitado uma base de um frag que comprei ao Gil e que retirei dessa base para melhor o poder fixar, para fixar este frag de Blastomussa merletti que lhe dei

http://www.reefforum.net/photopost/data/508/Frag_Blastomussa_merletti_flash.jpg

mas há quem use super cola (cyanoacrilato) para fixar os frags às bases, o Gil penso que é uma das pessoas que o faz.
Atenciosamente:sbOk3:
Pedro Nuno

Filipe Simões
13-02-08, 12:42
Ha um post que explica as varias misturas para se fazer essas bases, e mostra bases feitas pelos nossos membros, eu nao estou é a conseguir encontra-lo


....

http://www.reefforum.net/showthread.php?t=4140 (http://www.reefforum.net/showthread.php?t=4140&highlight=bases)


Cá está ele

Gil Miguel
13-02-08, 13:55
Boas

Pedro: Desconhecia as tuas perdas no periodo do verão,fico triste por ti e pelas belas peças que tinhas! Mas olha, fica a aprendizagem e o melhorar como aquariofilista :). Assim sendo, fica mais que prometido, metade da minha blastomussa, que gentilmente tiveste o prazer de oferecer.

É so uma questao de combinarmos a entrega, correio, expresso, alguem que faça a viagem lisboa-Porto, etc.

Quanto ás bases, na altura foram oferecidas e feitas pelo Carlos Machado, penso que exista tambem um topico sobre o assunto. De qualquer forma o que o Filipe colocou, diz tudo. :)
As bases que o Sr. Eng. Machado utiliza e que já tinha visto em muitos aquarios de prop. nos States, alguem sabe em que loja de Horticultura foram adquiridas ? O Machado de Sousa podia dar uma achega a este assunto :)

Quanto ao modo de fixação, tudo o que seja SPS e mesmo alguns LPS, fixei quase sempre com super cola 3 gel.
Isola a zona cicatrizada e fixa bastante bem o coral e penso que a nivel de custos, seja mais rentável que a epoxy.

Ricardo Rodrigues
13-02-08, 21:16
http://uk.youtube.com/watch?v=gfryMhmyxWU&feature=related

Ó Ricardo que musica é esta?
Tens os corais ao som disto todo o dia?
É este um dos segredos para manter os corais alegres e a propagar...yb665:sbSourire


Olá Pedro, excelente tópico! Tinha essa música no iTunes e foi a que se enquadrou melhor na altura.

Repondendo às tuas questões:

1 - Que dimensões têm os vossos sistemas de propagação, que sugerem como dimensões para um sistema de propagação?
Aquário de moles 200 x 70 x 30 (420l), Aquário de duros 209 x 70 x 20 (292l). A minha sugestão vai no sentido de se utilizar aquários largos e baixos que fiquem à altura do cotovelo de forma a facilitar as operações de fragmentação e manutenção.

2 - Que Iluminação usam, sugerem?
Iluminação HQI, mas atenção à localização do aquário e à temperatura. Pode-se obter bons resultados com T5 não esquecendo também a luz natural. Visto que o objectivo é fazer crescer corais convém ter uma boa relação Watt / litro.

3 - Que filtragem/depuração usam, sugerem?
Rocha viva, areia viva, escumador, sumps separadas para evitar a alelopatia (guerra química entre corais).

4 - Que aditivos usam/consideram imperativos?
Nenhuns. Mudanças de água.

5 - Que regras a cumprir aplicam/consideram imperativas?
Ser organizado nas tarefas a efectuar.

6 – Como orientariam quem quer que pretenda propagar?
Book of Coral Propagation, Anthony Calfo.

7 – Que ferramentas usam?
Todas.

8 – Que EPI (Equipamento de Protecção Individual) usam/recomendam?
Nenhum. Pessoas com tendência para reacções alérgicas e com pelo sensível rcomendo o uso de luvas e óculos.

9 – Relativamente às cores vibrantes que alcançam as Acroporas, que recomendam para tal?
Ainda não tenho Acroporas nos meus sistemas.

10 – Que dificuldades enfrentaram/enfrentam?
Falta de tempo.

Algumas fotos dos meu sistemas de propagação:

Primeiro aquário (Out e Nov 2005)
http://cosmos.oninetspeed.pt/rodrigues/Prop_corais/IMG_8533.jpg

http://cosmos.oninetspeed.pt/rodrigues/Prop_corais/IMG_8666.jpg

Reprodução de Cardinais de Bangaii (Nov 2005)
http://cosmos.oninetspeed.pt/rodrigues/Prop_corais/IMG_8729.jpg

http://cosmos.oninetspeed.pt/rodrigues/Prop_corais/IMG_9575.jpg

Primeiros corais
http://cosmos.oninetspeed.pt/rodrigues/prop_corais/IMG_9279.jpg

http://cosmos.oninetspeed.pt/rodrigues/prop_corais/IMG_9367.jpg



2º Aquário (Mai 2006)
http://cosmos.oninetspeed.pt/rodrigues/Prop_corais/IMG_0221_2.jpg

http://cosmos.oninetspeed.pt/rodrigues/Prop_corais/IMG_7329_2.jpg

Introdução de herbívoros (Out 2006)
http://cosmos.oninetspeed.pt/luzrodrigues/prop_corais/IMG_7667_2.jpg

Passado 1 ano (Jan 2008)
http://www.casadomeio.com/Ricardo/Prop_corais/IMG_6329_2.jpg

Fotos actuais

http://www.casadomeio.com/Ricardo/Prop_corais/IMG_6316_2.jpg

http://www.casadomeio.com/Ricardo/Prop_corais/IMG_6378_2.jpg

http://www.casadomeio.com/Ricardo/Prop_corais/IMG_6417_2.jpg

Euphyllia paradivisa
http://www.casadomeio.com/Ricardo/Prop_corais/IMG_6366_2.jpg

Caulastrea furcata
http://www.casadomeio.com/Ricardo/Prop_corais/IMG_4934_2.jpg

Sarcophyton sp.
http://www.casadomeio.com/Ricardo/Prop_corais/IMG_5012_2.jpg

Zoanthus sp.
http://www.casadomeio.com/Ricardo/Prop_corais/IMG_5005_2.jpg

Fungia fungites
http://www.casadomeio.com/Ricardo/Prop_corais/IMG_4924_2.jpg

Pedro Nuno Ferreira
14-02-08, 02:12
:ola)Viva Ricardo e obrigado pelas explicações que nos dás da tua experiência.

Quanto mais olho para sistemas de propagação mais envolvido fico. Os sistemas de propagação pela sua natureza, convidam ao rigor, ao estudo, ao cuidado, ao método, à organização e isso é bem patente nas imagens aqui apresentadas e é importante que tal conceito se estenda aos sistemas comuns ou comunitários onde deve ser investido mais tempo, organização e rigor do que "preenchimento rápido e excessivo de espaços com bibelôts que por acaso são peixes e corais como se de uma colecção de cromos se tratasse e o que mais tiver ganha"...(normalmente chatices e não desfruta tanto ou como deve de ser e quem mais paga são os animais...).

Tens uns aquários lindíssimos, muito elegantes.:palmadass:palmadass
Este aqui

http://www.casadomeio.com/Ricardo/Prop_corais/IMG_6316_2.jpg

faz-me lembrar a vila Fansworth (http://www.farnsworthhouse.org/) e não me perguntes porquê, que a par com a Chemosphere (http://images.google.com/images?hl=pt-PT&q=Chemosphere&lr=&um=1&ie=UTF-8&sa=N&tab=wi) de que tenho desta última um projecto no papel para um sistema marinho de recife, são os projectos e espaços de habitação com que mais me identifico (incluido os arquitectos de ambas mas particularmente o da primeira que foi director da Bauhaus (http://pt.wikipedia.org/wiki/Bauhaus) que foi mais de que uma escola, foi e é uma atitude com que me identifico e que define muito da nossa contemporaneidade - experimentem olhar à vossa volta e perceberão).
As linhas e estética são lindíssimas e os dois planos pode não ser prático se o segundo for demasiado alto, mas deixa-me a sonhar...quando for grande quero um assim.:palmadass:palmadass:palmadass

Claramente a ideia que fica e que transmites é a de que o sistema de propagação é algo que se constrói com rigor, envolvimento, sentimento, ordem de organização e isso estimula a atenção, a cultura, o conhecimento, portanto além da mais valia que é o acto de propagar neste caso corais (sejam moles ou duros) e que sirva de exemplo o caso da minha Blastomussa salva graças ao frag que dei ao Gil que dele fará outra igual ou ainda maior com calma, paciência e investimento no tempo, porque também é necessário saber investir no tempo, é toda uma arte fabulosa que convida a conhecer, a apreciar e assim obrigado por nos transmitires essa noção que é muito importante para este tema tão crucial da propagação de corais assim como da manutenção de recifes domésticos e de compreender o recife natural.

A mesma ideia/conceito é transmitida pelo sistema do Machado de Sousa, organizado de modo encadeado em que uns completam os outros e faz-se um ciclo onde se investe rigor, disciplina, organização e tempo; e também pelo sistema do Gil agora temporariamente parado onde me lembro haver uma organização integrada que previa LAP (=DSB) na parte posterior do sistema e refúgio.

Muito há ainda para dizer mas despertou-me particularmente o interesse e curiosidade esta tua resposta



3 - Que filtragem/depuração usam, sugerem?
Rocha viva, areia viva, escumador, sumps separadas para evitar a alelopatia (guerra química entre corais).

Gostaria que aprofundasses esta explicação porque a alelopatia, uma arma silenciosa, camuflada e insuspeita da maioria, tem à sua conta um numero de baixas muito mais elevado do que se possa supor e é importante que se perceba bem o quanto...http://www.clicksmilies.com/s1106/teufel/devil-smiley-029.gif

Atenciosamente:sbOk3:
Pedro Nuno

Pedro Nuno Ferreira
14-02-08, 10:40
:ola)Viva
Coloco aqui mais um excelente exemplo de propagação, as Psammocora propagadas pelo Ricardo Rodrigues



Psammocora
Um dos meus corais favoritos, tem um aspecto fora do comum. Crescimento lento quando comparado com uma Acropora ou Montipora. Devido à sua resistência é uma boa espécie para quem se pretenda iniciar no mundo dos SPS. Coral raro no mercado.

http://www.coralfrags.org/frag/246

http://www.coralfrags.org/user/uploaded_files/119724011889.26.194.161.jpg

Como se fragmenta este coral, Ricardo:sbQuestio
Quanto tempo levou para que ficasse como se vê na fotografia:sbQuestio

Atenciosamente:sbOk3:
Pedro Nuno

Post Scriptum: Ricardo se puderes substitui a fotografia que está em hiperligação pela mesma mas alojada aqui na nossa galeria, porque se limpares as fotografias no coralfrags, desaparece.

Filipe Simões
14-02-08, 18:05
Às vezes penso que tou a ficar esquecido, mas devo ter uma memoria selectiva, e há coisas que não me esqueço.

Eis mais um sistema que está aqui em Portugal, e de alguem que deve saber também muito sobre o assunto. Estava enterrado aqui no forum, eu lembrava-me do sistema, nao me lembrava era do nome do proprietario... mas cheguei lá.

http://www.reefforum.net/showthread.php?t=7042

Machado de Sousa
20-02-08, 18:33
Peço desculpa por só agora intervir neste tópico mas o tempo disponível não tem sido muito.
Antes de mais devo dizer que considero bastante pertinentes as questões guia postas neste tópico. Este é um bom exemplo de perguntas com pés e cabeça que podem ser feitas e em como um moderador pode ser ao mesmo tempo dinamizador do fórum.
Passemos às questões do tópico.


1 - Que dimensões têm os vossos sistemas de propagação, que sugerem como dimensões para um sistema de propagação?

Para não sobrecarregar este tópico abri este tópico: http://www.reefforum.net/showthread.php?t=13271 onde se encontram detalhadas, entre outas coisas, as dimensões do sistema.

Quanto a sugerir um tamanho para quem queira propagar, penso não haverem tamanhos mínimos nem máximos a aconselhar. Tudo depende, obviamente, das possibilidades de cada um e da quantidade de corais que se pretenda reproduzir.

2 - Que Iluminação usam, sugerem?

Uso apenas T5 embora seja entusiasta de HQI’s pelo efeito que dão num aquário de recife. No meu caso torna-se impraticável o uso de HQI’s uma vez que ponho a hipótese de vir um dia a explorar toda potência que me é possível contratar com a EDP (30 Amperes é o máximo que consigo). O uso de HQI limitar-me-ia no número de aquários a instalar, uma vez que teria que partilhar alguma potência com o ar condicionado, nos meses mais quentes, e qualquer pico no consumo no arranque do sistema de arrefecimento poderia deitar-me todo o sistema abaixo, o que poderia ser um pouco complicado. Como se pode ver no setup do sistema, tenho por enquanto quase 3100 watts em iluminação instalados e restam-me menos de 2400W para trabalhar em full power. Quanto às vantagens ou desvantagens de cada sistema, tal como tudo na vida, não há bela sem senão. Na minha opinião, as vantagens das t5 prendem-se mais com o menor calor irradiado, com a distribuição mais uniforme da luz nos corais e maior capacidade de activação das suas cores. Com HQI’s também se conseguem explorar a fluorescência dos corais e dar-lhes cores fantásticas mas, a meu ver, a principal virtude de um sistema com HQI’s é conferir a qualquer aquário um ambiente muito mais próximo do natural. Penso que se o tipo de lâmpadas de um sistema com HQI for bem escolhido e conjugado com 30% de lâmpadas t5 com o espectro ideal para a correcção da cor, o sistema misto resultante não fica nada a dever ao sistema só com t5 (antes pelo contrário!). Tal como diz o ditado: no meio é que está a virtude.
Quanto à iluminação que sugiro a quem queira fazer propagação de corais diria que tudo depende dos gostos pessoais de cada um e do número de lâmpadas a instalar no local. Tanto um como outro sistema (HQI e t5) já deram provas de serem capazes de potenciar o crescimento dos corais e parecem estar ela por ela no que toca aos custos de instalação e de exploração. Se no espaço onde alguém pretenda propagar, a quantidade de lâmpadas necessárias for relativamente baixa e não houverem problemas com o arrefecimento, eu sugeriria um sistema misto de HQI +30% deT5. Caso contrário, aconselharia o uso exclusivo de t5.

3 - Que filtragem/depuração usam, sugerem?

Quanto à filtragem que utilizo é ver o meu setup.
Sugiro escumador para retirar matéria orgânica antes que dê origem a fosfatos e ao nitrato, RV e/ou DSB para retirar Nitratos e filtro de filtro de algas não só para retirar fosfatos mas também algum nitrato que persistir no sistema depois do serviço prestado pela RV e/ou DSB.

4 - Que aditivos usam/consideram imperativos?

Uso Trace elements com regularidade. Dada a quantidade de água no sistema faço TPA de 15 em 15 dias (quando faço) para poupar no sa.
Considero imperativo a adição de trace elements com vista a repor os elementos vestigiários consumidos pelo sistema se não fizermos TPA’s semanais.

5 - Que regras a cumprir aplicam/consideram imperativas?

As regras básicas a cumprir são as mesmas que se aplicam a qualquer um que queira ter um aquário de recife em casa. À medida que o sistema de propagação vai aumentando, na minha opinião, há uma das regras que ganha cada vez mais importância: quarentena. Quanto maior for o número e mais valiosos forem os seres albergados nos nossos sistemas de propagação mais graves poderão ser as consequências de uma infestação. Refiro-me a infestações não só de algas como de predadores dos corais. Todos nós sabemos que as coisas más se desenvolvem com muita facilidade e depressa nos nossos aquários. As boas já nem tanto…quando não regridem. Há alguns anos a esta parte, as pragas chegavam aos nossos aquários apenas através da importação de corais selvagens e as maleitas ficavam confinadas aos aquários dos compradores. Fazia-se bicha (era o termo em português de Portugal na altura) e os corais eram adquiridos ainda nas caixas e por ordem de chegado. Os que tinham mais sorte levavam para casa corais livres de ameaças e assim viam aumentadas as probabilidades de sucesso. A alguns desgraçados, com mais azar, calhava-lhes a fava do bolo e era meio caminho andado para o insucesso. Depois de as comunidades aquariófilas terem sido varridas pela febre dos frags, e com as vendas particulares de RV, areia viva, etc. em fóruns, se por um lado contribuiu grandemente para o abrandamento da pressão nas colectas nos recifes de coral, o que foi muito bom em termos ambientais e de preservação da natureza, por outro lado toda a sorte de problemas se foi disseminando nos nossos aquários e cada tanque passou a funcionar também como um incubador de pragas. Mas isto não se passa apenas no nosso país. Há exemplos disto em todo o lado.
Quanto às regras a cumprir e que eu considero imperativas, apenas me referirei a uma para quem tem sistemas de propagação já com alguma dimensão: ter muito cuidado com tudo o que entra no sistema e ter sempre em mente que nunca as pragas estiveram tão disseminadas pelo mundo da aquariofilia como agora. Isto para se evitar deitar tudo a perder.


6 – Como orientariam quem quer que pretenda propagar?

Na minha modesta opinião, a melhor maneira de orientar quem quer propagar é levá-la a conseguir manter um aquário saudável, por um período de tempo razoável, com os seres que pretende reproduzir. Toda a gente que atinja esse objectivo estará em condições de, com relativa facilidade, poder propagar, se chamarmos propagar ao seccionar um pedaço de coral e fixá-lo a uma base para que ele se fixe e desenvolva. Isto tanto é válido para um sistema de propagação caseiro, que consiste num aquário de propagação anexo ao tanque principal, como para um sistema maior, pois é tudo uma questão de escala.

7 – Que ferramentas usam?

Por ironia, e também para rimar, costumo dizer que as ferramentas que eu uso são: tudo o que me vier à mão / só armas de fogo é que não. Uso alicates de ponta, alicates de corte, pequenos martelos, lâminas, tesouras, bisturis, dremels, serras, etc. dependendo do coral a reproduzir.

8 – Que EPI (Equipamento de Protecção Individual) usam/recomendam?

De acordo com os procedimentos gerais de segurança para qualquer actividade, um determinado EPI deve ser escolhido e usado de acordo com o perigo com lidamos e com os respectivos riscos de acidente associados. Na propagação de corais lidamos com dois perigos: o próprio coral e as ferramentas que usamos na propagação. Os riscos decorrentes da propagação são os de infecções bacterianas, alergia e de corte (ferimentos). Quando propago corais, uso luvas, óculos e bata. Não corro a equipar-me a rigor só para partir meia dúzia de corais (mas devia fazê-lo!) mas faço-o quando prevejo uma mini maratona a mexer em corais.

Quanto aos equipamentos de protecção que eu recomendo a quem faça reprodução de corais são:

Luvas de protecção – Sabemos, ou devíamos saber, que os trabalhos que exijam meter as mãos no aquário devem ser evitados se tivermos feridas nas mãos ou nos braços, para evitarmos infecções bacterianas ou alergias. Quando reproduzimos corais com as mãos desprotegidas os riscos são maiores, tanto mais que pouco, ou nada, conhecemos sobre a toxicidade dos corais. Mas se fizermos propagação com bastante frequência as possibilidades de nos sairmos mal aumentam. Pela teoria das probabilidades, à medida que aumenta a exposição ao risco aumentam as probabilidades de acidente. Podemos ter um ferimento na mão, ainda que minúsculo e não nos apercebermos dele, ou ferirmo-nos enquanto fazemos frags, e o contacto de algumas toxinas produzidas por certos corais com a nossa pele, através de uma ferida, pode ter graves consequências. A Palythoa, só ara citar um exemplo, pode nunca provocar qualquer reacção alérgica a alguém que esteja habituado a manipulá-la e no entanto pode ser fatal se o contacto for feito através de um ferimento existente na pele. A palytoxin, toxina produzida por este coral, é o veneno marinho mais potente conhecido pela ciência! Isto dá para pensar duas vezes quando nos pomos a brincar com a sorte. O uso de luvas de látex permite-nos ter sensibilidade nas mãos, protege-nos de infecções e alergias caso tenhamos algum ferimento (que até podemos desconhecer), evita, em certa medida, alguns ferimentos que possam ocorrer durante os trabalhos para além de minimizar o stress produzido aos corais enquanto os manipulamos.

Óculos de protecção – São frequentes as alergias oculares. Alguns acidentes dão-se quando trabalhamos com martelos, dremels, ou outras ferramentas que originam projecções de partículas e não temos protecções oculares. Há também o risco de levarmos inadvertidamente os dedos aos olhos enquanto ou depois de manipularmos corais. Há casos em que foram desencadeadas inflamações e lesões oculares graves. Óculos de protecção usados em laboratórios podem proteger-nos de situações desagradáveis como estas.

Bata - Quando passamos algum tempo a fazer frags, a nossa roupa tem tendência a sujar-se com algumas secreções dos corais. Depois de propagarmos e lavamos as mãos levamos connosco as secreções dos corais agarrados à roupa. O uso de bata além de evitar que sujemos a roupa que temos vestida evita que abandonemos o local com a roupa contaminada. Depois, mãos na roupa e mãos nos olhos e lá estamos nós, ou quem nos rodeia, a pôr gotas para a conjuntivite…


9 – Relativamente às cores vibrantes que alcançam as Acroporas, que recomendam para tal?

O objectivo da propagação de corais não é propriamente o de obter cores vibrantes nos corais mas sim multiplicá-los.
Se os corais estiverem num sistema de propagação e apresentarem bons crescimentos é porque tem boas condições e as cores surgirão com o tempo, naturalmente. Os nutrientes são o maior impedimento para que tal aconteça.
Quanto a recomendações para tal aconselho que se mantenha o sistema com o nível mínimo de nutrientes, o que equivale a dizer com baixíssimos níveis de fosfatos e de nitrato.
Recomendo que se evite o uso de aditivos para aumentar artificialmente as cores dos corais porque mais tarde ou mais cedo os mesmos irão ressentir-se. Alguns desses produtos, como os da gama Zeovit p. ex., não referem os elementos que entram na sua constituição, mas verificou-se em análises, o que não é muito difícil de fazer, que é usado o cobre para expulsar as xooxantelas dos corais.
Uma boa oxigenação da água dos aquários também ajuda a ter boas cores nos corais. Não é de contar com os escumadores porque em pouco contribuem para o efeito. Tanques baixos para uma máxima área de água em contacto com o ar, ventilação da superfície da água, cascatas, quedas de água filtros de algas em RDP (contra ciclo com a iluminação), etc., são alguns dos processos eficientes que podem ser utilizados para saturar a água do sistema em oxigénio.



10 – Que dificuldades enfrentaram/enfrentam?

No meu caso a maior dificuldade tem sido a falta de tempo ($).



Peço desculpa pelo alongado da prosa.

Pedro Nuno Ferreira
20-02-08, 21:40
:ola)Viva e muito obrigado Machado de Sousa pela partilha de informação sobre a tua experiência e conhecimentos que aqui nos dás.
Das tuas respostas muitas perguntas me surgem mas vamos desenvolver progressivamente para que melhor se possa ir aprendendo/percebendo, melhor assimilando e integrando o conhecimento daqui recolhido.

Relativamente à pergunta 2 - Que Iluminação usam, sugerem?
gostaria de saber que temperatura de cor privilegiar. Será um aspecto meramente estético ou não:sbQuestio Penso que não e tudo dependerá da espécie em causa, mas perante a visão dos teus sistemas amplamente carregados de inúmeros e bonitos frags de espécies diferentes e seguramente com variação de requisitos específicos significativa, fica-se com a sensação de que a temperatura de cor que impera será superior a 14000K. Num artigo que traduzi há algum tempo

Avaliação regimes artificiais de luz/substrato para propagação Acropora Solitaryensis (http://www.reefforum.net/showthread.php?t=10843)

as temperaturas de cor mais defendidas são as mais elevadas. Quem mergulha ou se virmos as mágnificas imagens que nos trouxeram do Mar Vermelho

Red Sea 2007 (http://www.reefforum.net/showthread.php?t=8462) (http://www.reefforum.net/images/misc/multipage.gif 1 (http://www.reefforum.net/showthread.php?t=8462) 2 (http://www.reefforum.net/showthread.php?t=8462&page=2) 3 (http://www.reefforum.net/showthread.php?t=8462&page=3) 4 (http://www.reefforum.net/showthread.php?t=8462&page=4) 5 (http://www.reefforum.net/showthread.php?t=8462&page=5) ... Ultima Página (http://www.reefforum.net/showthread.php?t=8462&page=12))

apercebemos-nos de que a luz que chega aos corais debaixo de água é menos ofuscante ou luminosa do que a que muitas vezes vemos em alguns sistemas, como se fosse 14000K ou 15000K, ou 20000K de temperatura de cor e é sabido que nos primeiros metros de água boa parte do espectro luminoso é filtrado, mais concretamente os comprimenos de onda mais curtos como os vermelhos, etc...o que alias pode explicar porque +e que determinadas espécies são vermelho vivo que fica cinzento abaixo de uma determinada profundidade, como se o animal "soubesse" que se torna pouco visível se for vermelho, enfim a selecção natural actuará aqui sendo a cor vermelha um factor de protecção uma vez que os portadores dessa cor serão menos visíveis, logo menos susceptíveis de serem depredados. Obviamente que neste assunto de iluminação muito mais há que faz a diferença e tem sido amplamente debatido e espécies há que gostam de temperaturas de cor mais baixas e outras mais elevadas. Seja como for a temperatura de cor que privilegiaste foi acima de 14000K ou tens um mix onde imperam as temperaturas de cor acima dos 14000K:sbQuestio Que temperaturas de cor tens e como as combinaste e porquê:sbQuestio

Tenho mais perguntas, mas para já fico por esta

Atenciosamente:sbOk3:
Pedro Nuno

Ricardo Rodrigues
20-02-08, 22:30
Como se fragmenta este coral, Ricardo:sbQuestio
Quanto tempo levou para que ficasse como se vê na fotografia:sbQuestio


Voltando um pouco atrás aproveito para responder às questões anteriormente colocadas. Este coral é um dos meus favoritos, está comigo há mais de 5 anos e como tal a fragmentação começou pela necessidade de o repartir por vários aquários para caso ocorra algum problema nalgum deles a sua sobrevivência estar sempre salvaguardada. Felizmente até á data tal não se verificou. Aproveito para salientar a resistência desta espécie quando comparada com outros corais SPS como os géneros Acropora e Montipora.

A fragmentação deste coral é muito simples basta usar um alicate de pontas e quebrar um dos seus ramos, não é necessário recorrer a serras.

Esta espécie é de crescimento lento, estes frags já têm um par de anos. Curiosamente após fragmentação o coral cresce para baixo cobrindo a cola epóxica talvez numa tentativa de estabelecer "raízes" agarrando-se firmemente ao substrato para posteriormente poder crescer para cima em segurança.

Pedro Nuno Ferreira, fico contente com a comparação do meu humilde sistema de garagem com uma obra mítica do Mies Van der Rohe. Também sou fã desta arquitectura simples e futurista. Quanto ao sistema em si gosto das coisas simples, funcionais e exteriormente aprazíveis, como sabes sou eu próprio que construo tudo de raíz, desde a estrutura de suporte passando pelos diversos aquários até à própria calha de iluminação, portanto devo confessar que me dá um certo gozo agarrar nas matérias primas e moldá-las ao meu gosto.

Deixo aqui uma foto que não se apagará:
http://cosmos.oninetspeed.pt/luzrodrigues/Prop_corais/IMG_2902_2.jpg

Machado de Sousa
26-02-08, 03:07
Relativamente à pergunta 2 - Que Iluminação usam, sugerem?
gostaria de saber que temperatura de cor privilegiar. Será um aspecto meramente estético ou não:sbQuestio Penso que não e tudo dependerá da espécie em causa, mas perante a visão dos teus sistemas amplamente carregados de inúmeros e bonitos frags de espécies diferentes e seguramente com variação de requisitos específicos significativa, fica-se com a sensação de que a temperatura de cor que impera será superior a 14000K.

Quanto à escolha das temperaturas de côr das lâmpadas a minha opinião é a seguinte:
Temperatruras de cor da ordem dos 10.000ºK são óptimas para potenciar o crescimento dos corais em geral, mas só aconselho o uso deste tipo de iluminação a quem for capaz de manter os níveis de fosfatos e de nitratos próximos do zero, caso contrário habilita-se a um boom de algas.
Para os mais desmazelados no controlo dos fosfatos e nitrato aconselho sempre o uso de iluminação com temperaturas de cor superiores a 14,000ºK.
Só utilizo lâmpadas com temperaturas de côr da ordem dos 20.000ºK com o objectivo de proceder a correcções do espectro, como no caso de ter uma iluminação amarelada (baixa temperatura de côr) e, em termos visuais, quizer um tom mais branco. Uso este tipo de lâmpadas especialmente em conjugação com as tais lâmpadas de 10.000ºK de que falei no início.



apercebemos-nos de que a luz que chega aos corais debaixo de água é menos ofuscante ou luminosa do que a que muitas vezes vemos em alguns sistemas, como se fosse 14000K ou 15000K, ou 20000K de temperatura de cor e é sabido que nos primeiros metros de água boa parte do espectro luminoso é filtrado, mais concretamente os comprimenos de onda mais curtos como os vermelhos, etc...
Quem faz mergulho já reparou que os SPS se encontram a muito baixa profundidade se não mesmo junto à superfície. A temperatura de côr à superfície das águas dos recifes é da ordem dos 5.000ºK e nos primeiros 10 metros pouco variará a iluminação em termos de temperatura de côr. Temperaturas de côr superiores a 10.000ºK devem verificar-se a partir de algumas dezenas de metros de profundidade, pois alguma radiação do lado direito do espectro terá ficado pelo caminho.



Seja como for a temperatura de cor que privilegiaste foi acima de 14000K ou tens um mix onde imperam as temperaturas de cor acima dos 14000K Que temperaturas de cor tens e como as combinaste e porquê

As temperatruras de côr que uso são as seguintes: Uso iluminação t5, sendo 60 % de 12.000ºK como iluminação principal e faço a correcção do espectro através de 40% de 18.000ºK. Esta parece-me ser uma boa combinação para fazer crescer os corais embora sacrifique um pouco as suas cores. Se usasse 50/50 penso que aconteceria o contrário.

Pedro Nuno Ferreira
26-02-08, 10:48
:ola)Viva e obrigado a todos pela excelente colaboração que estão a dar em prol de promover o conhecimento da comunidade, transmitir a vossa valiosa experiência.yb677

Como disse anteriormente, tinha e tenho mais perguntas a fazer e a que se segue ficou logo em agenda porque considero o aspecto que a envolve, crucial!! não só para evitar problemas como para a boa organização e gestão sustentada de um sistema de recife seja esse sistema um recife comunitário, seja um recife de propagação.

Citando uma atitude excelente que retive e retenho do Paulo Marinheiro (http://www.reefforum.net/member.php?u=31) e que considero muito importante divulgar e fundamental para um bom desempenho e gestão coerente de um sistema de recife, e podem ver aqui o sistema dele Aquário de Paulo Marinheiro (http://www.reefforum.net/showthread.php?t=2644), o Paulo é uma pessoa que investe no tempo, tempo da construção e organização de todo um sistema, ou seja, como ele diz em resposta ao Rui Ferreira de Almeida (onde andas Rui, sente-se a tua falta :sbOk3: toma o teu tempo mas sente-se a tua falta)



Paulo, acho que tens um aquário NATURAL, com biodiversidade , um bom equilibrio entre duros e moles , um bom layout e espaço para os peixes. Cada vez mais os aquários me parecem um monte de pedras cheios de frags de SPS por cima . O teu é uma lufada de ar fresco ou neste caso de água fresca:sbSourire .
PARABÉNS!
Cump.
Rui



Rui, não sei se será um defeito ou virtude, mas sou muito pouco impulsivo neste hobbie, tenho muita paciência, gosto de ver os corais crescer e gosto sobretudo que sejam eles a ocupar o espaço livre, por isso nunca fui adepto de atolar o aquário em rocha até cima e ir amontoando pequenas colónias que rapidamente deixam de ter espaço para crescer.
Esperar, ver a multiplicação das colónias que tenho e deixar que elas fixem à rocha de forma natural é fantástico, já para não falar que não gasto tanto dinheiro em animais com tanta frequência.

assim não gosta de comprar de impulso e gosta de ver as coisas a crescer, é capaz de ficar a apreciar o desenvolver de todos aqueles organismos que pacientemente e pausadamente foi colocando, como se um escultor se tratasse que vai esculpindo e apreciando a obra a tomar forma, ora este tipo de atitude tem de ser louvada e difundida porque o que mais vemos é as pessoas a procurarem comprar tudo e mais alguma coisa o mais rápido possível e muitas vezes nem tempo tiveram para apreciar, nem se lembram de apreciar e depois as coisas más acontecem, ora nessas coisas más acontecem coisas como esta Aefw - Acro Eating Flat Worms=Vermes... (http://www.reefforum.net/showthread.php?t=13305)coisas que o Heitor Simões (http://www.reefforum.net/member.php?u=1596) está a tentar evitar, e assim lançou um tópico Quarentena - Vou mesmo avançar (http://www.reefforum.net/showthread.php?t=13138) (http://www.reefforum.net/images/misc/multipage.gif 1 (http://www.reefforum.net/showthread.php?t=13138) 2 (http://www.reefforum.net/showthread.php?t=13138&page=2)) onde procura o esclarecimento e desperta a atenção para esta situação. Relativamente ao Heitor, só peço para que ele continue o bom trabalho que está a fazer e que se sente a apreciar os corais a crescer (Ó Heitor tu senta-te a apreciar o teu sistema...se for preciso bebes a cerveja :sbBiere5:por uma palhinha directamente do Barril para não teres de te levantar:sbSourire), estás a ir muito bem, não coloques mais corais e os peixes sempre muito bem planeados:sbOk2::sbOk3: e não podia deixar de colocar também este tópico Aquário de Quarentena - Um capricho ou Necessidade (Multi-pagina thread 1 2 3) (http://www.reefforum.net/showthread.php?t=13106) do Paulo J. Oliveira (http://www.reefforum.net/member.php?u=487) que exprime a mesma preocupação o mesmo cuidado.



5 - Que regras a cumprir aplicam/consideram imperativas?

As regras básicas a cumprir são as mesmas que se aplicam a qualquer um que queira ter um aquário de recife em casa. À medida que o sistema de propagação vai aumentando, na minha opinião, há uma das regras que ganha cada vez mais importância: quarentena. Quanto maior for o número e mais valiosos forem os seres albergados nos nossos sistemas de propagação mais graves poderão ser as consequências de uma infestação. Refiro-me a infestações não só de algas como de predadores dos corais. Todos nós sabemos que as coisas más se desenvolvem com muita facilidade e depressa nos nossos aquários. As boas já nem tanto…quando não regridem. Há alguns anos a esta parte, as pragas chegavam aos nossos aquários apenas através da importação de corais selvagens e as maleitas ficavam confinadas aos aquários dos compradores. Fazia-se bicha (era o termo em português de Portugal na altura) e os corais eram adquiridos ainda nas caixas e por ordem de chegado. Os que tinham mais sorte levavam para casa corais livres de ameaças e assim viam aumentadas as probabilidades de sucesso. A alguns desgraçados, com mais azar, calhava-lhes a fava do bolo e era meio caminho andado para o insucesso. Depois de as comunidades aquariófilas terem sido varridas pela febre dos frags, e com as vendas particulares de RV, areia viva, etc. em fóruns, se por um lado contribuiu grandemente para o abrandamento da pressão nas colectas nos recifes de coral, o que foi muito bom em termos ambientais e de preservação da natureza, por outro lado toda a sorte de problemas se foi disseminando nos nossos aquários e cada tanque passou a funcionar também como um incubador de pragas. Mas isto não se passa apenas no nosso país. Há exemplos disto em todo o lado.
Quanto às regras a cumprir e que eu considero imperativas, apenas me referirei a uma para quem tem sistemas de propagação já com alguma dimensão: ter muito cuidado com tudo o que entra no sistema e ter sempre em mente que nunca as pragas estiveram tão disseminadas pelo mundo da aquariofilia como agora. Isto para se evitar deitar tudo a perder.

Justamente, QUARENTENA

Machado de Sousa, como recomendarias que se efectue a quarentena a corais e até aos peixes, como fazes:sbQuestio




3 - Que filtragem/depuração usam, sugerem?
Rocha viva, areia viva, escumador, sumps separadas para evitar a alelopatia (guerra química entre corais).

Ricardo Rodrigues, volto a insistir nesta pergunta porque a alelopatia é responsável por um numero elevado de baixas e a maior parte das vezes isso não é percebido.


Gostaria que aprofundasses esta explicação porque a alelopatia, uma arma silenciosa, camuflada e insuspeita da maioria, tem à sua conta um numero de baixas muito mais elevado do que se possa supor e é importante que se perceba bem o quanto...http://www.clicksmilies.com/s1106/teufel/devil-smiley-029.gif

Atenciosamente:sbOk3:
Pedro Nuno

Machado de Sousa
27-02-08, 18:16
Colocada por Pedro Nuno Ferreira
Machado de Sousa, como recomendarias que se efectue a quarentena a corais e até aos peixes, como fazes:sbQuestio


Costumo recomendar o que faço:
Peixes em hiposalinidade 1.010 durante mês e meio.
Rocha viva no escuro durante 4 semanas no mínimo (com boa circulação de água, aquecimento e escumador) como medida preventiva contra algas.
Corais: 3 tratamentos semanais com Interceptor (medida preventiva contra Red Bugs) e outros três tratamentos semanais com tropical Marine Pro Coral Cure, ou Betadine ou Levamisole, ou Fluke Tabs, qualquer um deles serve, com água do aquário em aquário de quarentena, (como medida preventiva contra AEFW).

Gil Miguel
27-02-08, 18:44
Boas Machado de Sousa

Que concentrações utilizas de Betadine e o banho tem que duração?

Ricardo Rodrigues
27-02-08, 20:58
Ricardo Rodrigues, volto a insistir nesta pergunta porque a alelopatia é responsável por um numero elevado de baixas e a maior parte das vezes isso não é percebido.

Boas Pedro,

Sabe-se pouco sobre este fenómeno natural imperceptível nos nossos aquários, julgo que nas Plantas e aquários plantados está mais bem estudado. Não sei se será assim tão responsável por um número elevado de baixas, antes deste existem muitas outras causas. Diria mesmo que talvez seja mais patente em aquários bem estabelecidos e com corais grandes, estes pelo seu porte podem assim exercer maior capacidade (excretar uma quantidade mais substancial de substâncias alelopáticas para a água) perante os corais adversários impedindo-os de crescer. Por exemplo no caso do meu aq. de propagação de corais duros desconfio que as Fungias (mais de 60) inibem o crescimento dos SPS, nomeadamente Acroporas e Montiporas. Em 2006 quando o Anthony Calfo esteve cá para o aniversário do fórum falei uns minutos com ele sobre este assunto, o seu conselho em relação a sistemas de propagação de duros e moles foi que estes devem estar completamente separados (aquários e sumps únicas). Conheço também um caso de um aquário que mesmo no estado de equilíbrio biológico era imune a Xenias, nunca consegui perceber o porquê?! Os aquários de recife a meu ver são o laboratório por excelência para exercer qualquer estudo científico sobre a alelopatia entre corais. Apesar deste ser um assunto que me desperta muita curiosidade ainda não fiz nenhuma pesquisa séria sobre o mesmo. Todas as contribuições são bem-vindas :)

Machado de Sousa
28-02-08, 05:08
Boas Machado de Sousa

Que concentrações utilizas de Betadine e o banho tem que duração?

3ml de betadine/litro de água. Máximo 25 minutos.

Ricardo Pinto
28-02-08, 17:14
Costumo recomendar o que faço:

Corais: 3 tratamentos semanais com Interceptor (medida preventiva contra Red Bugs)

Viva,

Curioso alguém em Portugal preocupar-se com Red Bugs, uma praga em SPS com uma incidência já consideravel nos EUA.
É um assunto pouco falado, até digo documentado, na Europa.
Tens conhecimento de algum caso em Portugal de Red Bugs?
Na minha opinião já deve existir em alguns corais na Europa e em Portugal, se calhar são erroneamente interpretados como RTN.

Abraço,

Machado de Sousa
29-02-08, 08:12
Conheço apenas um caso na zona de Lisboa.

Pedro Nuno Ferreira
11-03-08, 19:56
:ola)Viva
Não tenho podido participar muito porque tenho estado muito ocupado profissionalmente e também ando algo cansado, mas venho cá todos os dias para ir acompanhado, nem que se seja só como visitante. Não estranhem mas por vezes temos de nos afastar ou participar um pouco menos, a vida tem outros aspectos.
Seja como for aproveito este bocadinho para colocar mais uma pergunta...os aditivos....veementemente defendidos por uns...veementemente banidos ou abolidos por outros... (não estou a falar do sistema Zeovit, nada disso)

Aditivos - sim ou não? (http://www.reefforum.net/showthread.php?t=3925&highlight=aditivos) (http://www.reefforum.net/images/misc/multipage.gif 1 (http://www.reefforum.net/showthread.php?t=3925&highlight=aditivos) 2 (http://www.reefforum.net/showthread.php?t=3925&page=2&highlight=aditivos) 3 (http://www.reefforum.net/showthread.php?t=3925&page=3&highlight=aditivos) 4 (http://www.reefforum.net/showthread.php?t=3925&page=4&highlight=aditivos) 5 (http://www.reefforum.net/showthread.php?t=3925&page=5&highlight=aditivos))

mas curiosamente funciona em ambos os casos...., vejam os excelentes resultados do Machado de Sousa, do Ricardo Rodrigues, do Gil Miguel, só para citar alguns exemplos....yb665



4 - Que aditivos usam/consideram imperativos?

Uso Trace elements com regularidade. Dada a quantidade de água no sistema faço TPA de 15 em 15 dias (quando faço) para poupar no sa.
Considero imperativo a adição de trace elements com vista a repor os elementos vestigiários consumidos pelo sistema se não fizermos TPA’s semanais.

:ola)Viva Machado de Sousa
o que te leva a considerar imperativo a reposição (e não adição porque aí o sistema acabaria com excedente dos mesmos....:eek:)...dos oligoelementos ou elementos vestigiais, fizeste avaliações, medições, que dados recolheste da tua experiência, o que te impele:sbQuestio

Que elementos vestigiais repões no teu sistema e com que frequência:sbQuestio

Efectuas monitorização do teor dos mesmos para saberes quando os deves repor:sbQuestio Se sim quais e com que testes:sbQuestio




4 - Que aditivos usam/consideram imperativos?
Nenhuns. Mudanças de água.

:ola)
Viva Ricardo Rodrigues o que te leva a proceder deste modo, que analises, testes, estudos fizeste que te levam a proceder assim:sbQuestio


Nunca usei qualquer tipo de aditivo nos meus aquarios (o de propagação inclusivé). Adicionava marine snow de vez em quando, cyclopeez e bosmiden.

:ola)Viva Gil
Pela tua parte o que te leva a preceder deste modo, que experiência colheste para te levar a agir assim:sbQuestio

No que me diz respeito, uso de longe a longe oligoelementos da tropic marin e iodo em solução de lugol, mas só de longe a longe. Procuro usar água natural e também uso mistura sintética de várias marcas porque me parece ser a melhor forma de dosear determinados elementos que são gastos e de equilibrar as trocas parciais de água que faço.

Atenciosamente:sbOk3:
Pedro Nuno
Post Scriptum: Diogo Lopes não me esqueci de ti...yb665, tenho é de preparar algumas perguntas...yb665:sbSourire:sbOk3:

Luis Delgado
12-03-08, 13:30
Olá Pedro,

Queria, em primeiro lugar, dar-te os parabéns por este excelente tópico, que é para mim, um dos mais interessantes que já vi aqui no RF.

Agora uma questão tendo por base o que o nosso amigo Machado de Sousa, escreveu:




(...)
Quem faz mergulho já reparou que os SPS se encontram a muito baixa profundidade se não mesmo junto à superfície. A temperatura de côr à superfície das águas dos recifes é da ordem dos 5.000ºK e nos primeiros 10 metros pouco variará a iluminação em termos de temperatura de côr. Temperaturas de côr superiores a 10.000ºK devem verificar-se a partir de algumas dezenas de metros de profundidade, pois alguma radiação do lado direito do espectro terá ficado pelo caminho.

(...)

As temperatruras de côr que uso são as seguintes: Uso iluminação t5, sendo 60 % de 12.000ºK como iluminação principal e faço a correcção do espectro através de 40% de 18.000ºK. Esta parece-me ser uma boa combinação para fazer crescer os corais embora sacrifique um pouco as suas cores. Se usasse 50/50 penso que aconteceria o contrário.


Machado de Sousa:

Tendo em consideração o que disseste sobre as temperaturas que usas e as que se verificam nos recifes, à superfície da água, onde estão os SPS, usas uma média de 14.400 Kº fundamentalmente para evitar o crescimento de algas?