AJUDA DE aquariofilia marinha - REEFFORUM

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Breve noção de Ambiente de recifes de corais e sua utilização em aquários para invertebrados

Esta será uma série introdutória para a melhor compreensão do que se torna necessário para mantermos animais marinhos em aquários. Partindo do princípio de que para obtermos os melhores resultados possível, devemos proporcionar a eles o ambiente mais aproximado possível daquele de sua origem.
Vamos, então, conhecer um pouco a respeito do ambiente e suas características.

AMBIENTE

As regiões de recifes de corais em torno do mundo proporcionam ambiente ideal para o desenvolvimento de fauna e flora muito características. Graças às condições de iluminação e transparência da água, os recifes de corais são localidades de alta produtividade biológica. Por outro lado, encontram-se baixíssimos teores de nutrientes nessas localidades, e esta é uma noção fundamental para se obter sucesso com aquários de recifes de corais; apesar da alta taxa de energia do ambiente (basicamente luminosa), o recife de corais é um verdadeiro "deserto" em matéria de nutrientes.

De todas as comunidades de águas rasas tropicais, os recifes de corais são as mais ricas em biodiversidade.

Geralmente restritos a áreas de águas relativamente quentes e de intensa iluminação solar, os recifes podem, em raras excessões, ser encontrados onde a temperatura alcalça os 16 Graus Centígrados no inverno, como no Golfo do México ou no Golfo Pérsico. Condições favoráveis, no entanto, se dão entre 30 graus de Latitude Norte e 30 graus de Latitude Sul. Devido a isso, podemos afirmar que as médias anuais da temperatura da água oscilam entre mínimas de 21 e máximas de 32 graus centígrados.

Devido a certas características da formação de recifes, geralmente existe nesses locais forte movimentação de água. No período de fluxo e refluxo da maré, a água invade e deixa o recife, sucessivamente, proporcionando esse movimento. Entre esses períodos, a água se move dentro do recife, onde se destaca o movimento gerado pelas ondas. Essas correntezas proporcionam ao recife constante troca de água, ocorrendo portanto permanente migração e imigração de micro e macro fauna e flora, nutrientes e elementos, da plataforma continental para o recife, e vice-versa.

Na alta da maré, o recife é literalmente lavado pela água, geralmente mais fria, que vem de fora. Ao contrário do que se pode pensar, a diferença de temperatura entre a água contida no recife e a que vem da plataforma pode chegar a 10 Graus Centígrados ou mais. Nesse período, a visibilidade da água diminui muito, devido a seu intenso movimento, em que levanta do fundo e da superfície das rochas areia e detritos acumulados. Poucos momentos após essa invasão de água, observamos o recife florescer; animais antes invisíveis como que surgem do nada, inflando-se com água, protegidos do forte sol pela maior coluna d'água. Outros, que não possuem a habilidade de se inflar, expõem seus minúsculos pólipos à água circundante. O movimento das ondas enriquece a taxa de oxigênio dissolvido na água e reequilibra sua salinidade.

Na baixa da maré, a água passa a sair rapidamente do recife, e inicia-se um novo processo. No auge da maré baixa, a água presa no recife pode atingir situação crítica; sua temperatura pode atingir os 40 Graus Centígrados, ou até mais, nas poças rasas que se formam. Muitos corais e outros animais ficam expostos ao sol nesse período. Todo o recife passa então por um momento de auto-proteção; os corais se desinflam da água que absorveram, diminuindo assim sua área de exposição ao sol. Outros, são capazes apenas de recolher seus pólipos ao máximo, devido a sua construção orgânica.

Os processos acima ocorrem duas vezes ao dia, o que nos leva a pensar que os habitantes dos recifes não podem ser assim tão delicados quanto aparentam.

De fato, são muito resistentes, e evoluíram para atingir seu estado atual. essa evolução vem tomando curso nos últimos milhares de anos, a partir da última Era Glacial.

Como vimos acima, a ambiente de recifes de corais é bastante variado, e as condições gerais em que sua fauna e flora vivem também oscila muito, mesmo se considerarmos o período de um dia.

Quais são, então, os determinantes para se obter bom resultado com aquários ?

Se permitirmos que um aquário sofra as mesmas variações que ocorrem na Natureza, em pouco tempo teremos em mãos uma tragédia em miniatura.

O fato é que não podemos ter a pretensão de nos igualarmos ao mar. A partir deste ponto, encaremos a noção de qur tudo quanto possamos adicionar ao aquário em matéria de equipamentos, a fim de melhorar a condição da vida nele contida, serve apenas como arremedo do que acontece no ambiente natural. A indústria aquarística evoluiu muito recentemente, e novos produtos continuam a surgir a todo instante, tornando nosso trabalho mais simples e com possibilidades maiores de sucesso. Mas nunca chegaremos à eficiência e equilíbrio dos oceanos.

PARÂMETROS DA ÁGUA

Existem certas características da água do mar que devemos respeitar e tentar atingir, se desejamos obter sucesso com aquários para corais. Um deles é o pH.

pH

É maçante ler a definição abaixo, mas tentando compreedê-la, chegaremos a várias conclusões benéficas a respeito desse que é talvez o mais mal aproveitado parâmetro da água.

A medida do pH de uma amostra de água é o resultado de sua concentração de íons Hidrogênio (H+). Essa concentração é medida em escala logarítmica de base decimal (Log -10), portanto uma solução de medida pH 2 é 10 vezes mais alcalina do que outra que tenha medido pH 1. A escala de pH inicia em pH 0 e vai até 14, sendo pH 7 a medida de pH neutro, onde há equilíbrio nas quantidades de íons H+ e OH- (hidroxila). pHs próximos de 0 são "ácidos", e de 14 "básicos" ou "alcalinos". Quando há mais H+ numa solução, o pH dela é ácido, e quando há mais OH-, o pH é alcalino. Isso ocorre porque a medição de pH se dá em função negativa à concentração de H+.

A água do mar é uma solução alcalina. No curso de um dia, no recife de coral, existe uma variação de pH, geralmente entre 8.00 e 8.25, principalmente devido à alta taxa de respiração e fotossíntese de seus habitantes. Normalmente, o ponto mais alto de pH se dá no final do período de luz, quando há menor concentração de dióxodo de carbono (CO2) dissolvido na água. No período antes do nascer do sol, ocorre o ponto mais baixo de pH, pois há mais CO2 disponível na água.

Quando o CO2 dissolve na água, há formação de ácidos carbônicos, que se dissocia em bicarbonatos e carbonatos. Essa é, basicamente, a reação que proporciona à água seu sistema tamponador. Tais reações, de absorção e liberação de CO2 se dão sempre que as condições forem possíveis.

No aquário, a condição de manutenção do pH dentro de níveis aceitáveis requer nossa interferência; a tendência natural da água contida no aquário é de acidificar-se, pois os dejetos dos animais formam ácidos carbônicos e outros compostos ácidos, se combinando com os íons que tamponam a água, tornando-os indisponíveis para o sistema. Também o crescimento de animais consome íons que fazem parte do sistema de tamponamento da água.

Devemos, portanto, interferir para evitar essa queda de pH.

Existem várias maneiras de fazer isso, e a mais comum é adicionar-se tamponadores à água. Efetuando-se testes, podemos verificar os níveis atuais de pH do aquário, e daí corrigí-lo. Geralmente, para aquários de volume consideravelmente pequenos, sugiro troca parcial de água. Além de reequilibrar o pH, os vários sais e elementos da água recém misturada a um sal de boa qualidade evita muitas dores de cabeça.

É possível apenas corrigir o pH, adicionando-se tamponadores à água, mas aquários que consistentemente sofrem quedas acentuadas de pH devem ser encarados de outra forma: há algo errado.

Possíveis problemas:

* -Movimentação fraca da água dentro do aquário pode tornar certos locais mais pobres em oxigênio. Essa porção de água estagnada pode causar acidificação.

* -Muito alimento para os peixes e/ou invertebrados.

* -Superpopulação.

* -Falta de "skimmer"

* -Sal de baixa qualidade

* -Filtros sujos

* E outros. Na verdade, muitos fatos contribuem para a queda de pH, e posso afirmar que em certo grau, qualquer aquário sofre essa tendência.

Devemos estar atentos para manter níveis não inferiores a pHs 8.00 e não superiores a 8.5.

Na próxima edição:

Reserva alcalina e pH / Cálcio.

http://www.aqua.brz.net

Ricardo Miozzo
Colaborador de Aquarismo Marinho

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