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Manutenção de Actinodiscus spp. e outros coralimorfos em aquário de rochas vivas

Talvez os invertebrados sésseis mais fáceis de se manter em aquários sejam os Actinodiscus e outros coralimorfos.
Sua demanda por iluminação e qualidade de água em geral é bem inferior à de outros animais oriundos de recifes de corais ao redor do mundo.

Existem inúmeras espécies de animais desse tipo, e muitas vezes se agrupam em colônias. As colorações variam, e raramente uma colônia apresenta dimorfismo entre seus pólipos, ou indivíduos.

Todos os Actinodiscus são "parentes" das anêmonas, e herdaram delas a capacidade de se mover pelo aquário. Mediu-se uma velocidade de aproximadamente 2 cm. em 30 dias de um pólipo individual numa colônia. Outra forma que eles têm de se mover é por simplesmente se soltarem do substrato ao qual vieram fixados e flutuar pela água do aquário até achar um local propício. Muitas vezes se fixam em locais de pouca movimentação de água, onde parecem preferir ficar, mas o movimento de água do aquário pode levar o pólipo solto a estacionar naquele lugar, e de lá não conseguir sair mais. De qualquer forma, são animais que geralmente preferem pouca luz, e pouca movimentação de água. Quando sob luz insuficiente, tendem a formar um "copo" em direção à luz, mostrando óbvio sinal de que desejam se aproximar mais da fonte de luz. O inverso se dá quando se fecham e permanecem encolhidos por longos períodos de tempo. Normalmente sob essa condição começam a expelir sua alga simbionte após 3 a 4 dias, se não removidos rapidamente para local de intensidade de luz menor. Se isso vier a ocorrer, a adição de Iodo sob a forma de Iodeto de Potássio ou suplemento de elementos traço pode ajudar.

Iodo tem uma propriedade enzimática que promove a desintoxicação dos corais e outros invertebrados por oxigênio em excesso. O processo é relativamente complicado, mas o fato é que observamos um certo "alívio" dos animais quando passamos a adicionar esse elemento diariamente, no final do período de luz. Parece também que esse elemento tem a ver com a rapidez de multiplicação dos pólipos. Nada ainda foi comprovado, mas parece que níveis de Iodo acima daqueles encontrados na água natural do mar podem melhorar o desempenho de vários animais sésseis no aquário.

Actinodiscus são encontrados em várias cores, mas seus pólipos sempre são de formato redondo, e variam de tamanho entre 2,5 até bem mais de 15 cm. de diâmetro, no caso do lindo mas perigoso Elephant ear. A respeito desse animal, que não é um Actinodiscus, mas um pólipo solitário de tamanho sempre avantajado; existem relatos de aquaristas perderem peixes para esse animal, principalmente palhaços (Amphiprion spp.), que na procura de um abrigo, confundindo o Rodactis sp. por uma anêmona, acabam propiciando a ele uma excelente refeição. Os Rodactis spp. têm uma maneira muito peculiar de se alimentar; quando em contato com alimento, começam a dobrar suas bordas para cima, formando um tipo de saco, que aprisiona sua vítima. Em poucos minutos percebe-se o desaparecimento do alimento pela abertura de sua boca, localizada no centro do disco que forma o corpo do animal. Apesar de sobreviver muito bem sem ser alimentado diretamente, esse animal fascinante pode chegar a um tamanho impressionante se alimentado com freqüência. Conheci um espécime de 30 a 35 cm de diâmetro, que era alimentado com um peixe de 2 a 3 cm por dia ! Deve estar vivo e bem até hoje, mas não posso dizer o mesmo a respeito dos outros habitantes do aquário !

Um dos mais lindos animais coloniais, da família dos Actinodiscus, é certamente a Ricordea. Surpreendentemente, Ricordea florida é o mais fácil de se obter, e entre as Ricordeas, o mais bonito. Suas colônias no mar podem atingir alguns metros de diâmetro, se espalhando por várias rochas. Como o nome diz, é encontrada no Atlântico, junto à consta da Flórida nos EUA. Os cuidados com esse animal são praticamente os mesmos que com os Actinodiscus, mas são um pouco mais delicados, e crescem bem devagar. Registram-se, como no caso daqueles, reprodução por duplicação de pólipos. A processo é bastante simples de se observar, pois repentinamente notamos o desenvolvimento de uma segunda boca no pólipo. Em alguns dias a partir disso, ele começa a se dividir, e algum tempo depois vemos os dois pólipos separados. Uma curiosidade é que geralmente após a divisão os dois pólipos são do mesmo tamanho do original. Outra maneira que esses animais têm de se multiplicar é por deixar para trás um pequeno pólipo à medida em que se movimentam. Como seu movimento é muito lento, esse processo demora bem mais do que o citado antes, mas é possível vermos um diminuto pólipo crescendo na trilha por onde passou um pólipo anteriormente.

Ao contrário dos zooantídeos, os Actinodiscus e seus correlatos se adaptam bem a substratos diferentes dos que se encontravam quando introduzidos no aquário. Sua proliferação chega a ser impressionante sobre areia de alga Halimeda, segundo minha própria observação pessoal. Esse fato pode ser gerado por causa da areia estar no fundo do aquário, e essa região ser mais propícia a esse animais por possuir menor intensidade de luz e movimentação de água.

Actinodiscus podem a se tornar verdadeira praga no aquário, devido à facilidade de se reproduzir. Em aquários com alguns anos de idade, podemos observar a ocorrência desses animais por toda parte, e notei que eles ferem e matam a região em que encontrarem corais de pólipos pequenos (sps em inglês), como Montipora spp. Acropora spp e outros.

Nesses casos, a remoção do animal agressor pode se tornar bem complicada, pois logo que tocamos o pólipo com qualquer material, ele imediatamente começa a expelir sua mesentérie (uma espécie de cordão branco), para se defender. A mesentérie é o material interno do Actinodiscus, que o ajuda em sua digestão. Por ter característica extremamente tóxica, esse material na água do aquário é bastante indesejável. Numa situação de ter de remover alguns ou vários pólipos, o aquarista deve ter o máximo de paciência. Com a ajuda de uma tesoura ou outra lâmina bem afiada, deve-se procurar a base onde o animal se alojou, e cortar um pedacinho da própria rocha viva. Isso não permite ao pólipo "vomitar" sua mesentérie, e ainda propicia uma pequena base ao pólipo retirado, fazendo com que seja mais difícil que ele flutue pelo aquário. Transplantado dessa maneira, ele adere ao substrato adjacente em poucos dias. Se colocado em local de menor intensidade de luz que antes, abre-se no mesmo dia do transplante.

A variada gama de cores desses animais nos dá uma dica a respeito de seu posicionamento no aquário. Os de coloração verde intensa suportam melhor a luz, os azuis e roxos são intermediários nesse aspecto, e os vermelhos os que preferem locais mais sombreados.

Observa-se que a maioria deles gosta de ser alimentado, apesar de que comida oferecida a peixes e suas fezes são apreciadas da mesma forma. Esse animais são, portanto, bastante adaptáveis. Restos de alimentos são bem recebidos, portanto não considero essencial alimentá-los diretamente.

Notei grande evolução na quantidade e estado geral aparente de colônias de Actinodiscus em meu aquário após a introdução de um sistema de injeção de CO2 (dióxido de carbono) ao aquário.

Um sistema como esse deve ser monitorado e controlado por um confiável sistema de medição de pH, mas quando atingido esse ponto, o resultado chega a ser impressionante. O CO2 equilibra o sistema, não permitindo que o pH se eleve demais, economizando assim o desgaste desnecessário da reserva alcalina por precipitação. A pHs elevados (acima de 8.5), os carbonatos e bicarbonatos tendem a precipitar na solução. Um sistema assim montado também permite maior adição de kalkwasser do que o aquário suportaria normalmente, atingindo-se níveis bastante satisfatórios tanto de íons Ca quanto de CaCO3 e H2(CaCO3)2.

Mas isso é outro assunto !

Para finalizar, recomendo Actinodiscus e outros coralimorfos ao iniciante. Mesmo em aquários de rochas vivas só para peixes, esses animais podem ter longa e prolífica vida. Dependendo da população de peixes introduzida, pois alguns peixes se alimentam deles, as colônias podem ficar realmente impressionantes.

http://www.aqua.brz.net

Ricardo Miozzo
Colaborador de Aquarismo Marinho

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