AJUDA DE aquariofilia marinha - REEFFORUM

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Corais moles no aquário de recifes

Por coral mole entenderemos todo aquele que não possua esqueleto calcáreo duro. A definição exata é um bocado diferente, mas para nossa finalidade, essa serve.
Os corais moles são geralmente menos exigentes do que os duros em relação à qualidade de água e iluminação. Alguns são provenientes de águas adjacentes ao recife de coral, onde há às vezes bastante turbidez, daí sua fácil adaptação em aquários. Geralmente, todo coral mole gosta de uma boa movimentação de água, com "passagens" ocasionais de maior movimento. Água fluindo em todas as direções é a melhor solução, e com o posicionamento racional de algumas bombas, ligando e desligando intermitentemente vão certamente resultar no movimento desejado. Aqui vale uma observação; nunca dirija o jato de água de uma bomba diretamente sobre um coral. O jato incidindo sobre o animal com muita força não permitirá que ele exponha seus pólipos de maneira apropriada, e por isso pode causar sérios danos. Também devemos pensar bem sobre as posições das bombas auxiliares. Se colocamos as bombas de maneira a fazer com que a água bata num dos vidros so aquário antes de recircular pelo tanque, devemos considerar que quando atingir o rochedo formado no aquário o fluxo de água pode estar tão fraco que mesmo a mais potente bomba pode acabar "morta’.

O processo de perda de força da água é resultado de forças vetoriais que causam um desvio no fluxo d’água quando ela encontra o vidro.
Por minha experiência, bombas devem ser colocadas nos lados do aquário. Se necessário, uma menor perto do meio ajuda, mas o melhor mesmo é se colocar bombas nas laterais, junto aos cantos, e posicioná-las de maneira que a água "corra" por toda a extensão do aquário, até atingir as rochas do outro lado. Quando duas ou mais bombas opostas ligarem ao mesmo tempo, haverá uma turbulência no encontro dos fluxos de água, que é bastante desejável. Com um wave maker se atinge facilmente esse tipo de movimentação de água.

Bem, os corais;

Colt é um dos corais mais resistentes e fáceis de se manter. Após alguns meses, devido a seu impressionante crescimento, o aquarista pode até começar a obter "mudas" de seu coral, replantando-as em outro lugar do aquário ou compartilhado com amigos. É realmente um excelente coral para iniciarmos a prática com o aquarismo de recife. Suas cores variam entre o bege claro, amarelado até o castanho escuro. Alguns exemplares possuem pólipos bem brilhantes, contrastando com o "corpo" do animal, sendo por isso bastantes valorizados. Seu formato, que lembra uma árvore, o torna inconfundível.

Mushroom leather são corais que lembram um cogumelo, como indica o próprio nome em inglês. Existe uma variedade Tão grande desses corais, que fica difícil até mesmo para especialistas poderem especiar corretamente. Quase sempre, porém, gostam de bastante luz e boa movimentação de água. Se colocados em lugar de água muito calma, abrem e fecham o tempo todo, demonstrando sua insatisfação.
Devemos então mudar o animal para outro local. De tempos em tempos, todo coral leather possui o hábito de "trocar de pele". Ele se fecha, às vezes por dias a fio, e começa a desprender uma película parecida com papel celofane. Após isso concluído, ele reabre seus pólipos. O iniciante pode achar que o coral está morrendo, quando isso não é verdade.

Nesse grupo está também o cobiçado coral Yellow Leather. Importado há algum aproximadamente um ano das Ilhas de Tonga e Fidji, de incrível cor amarelo-ovo, é o mais delicado de todos. O aparecimento de manchas marrons ou buracos no corpo ou na "copa" no animal indicam geralmente o início de um processo irreversível de deterioração. Esse coral é o Sarcophyton elegans, e deve ser posicionado em local onde receba forte movimentação de água, intercalada com momentos de calmaria, e forte iluminação, como de vapor metálico. Cresce bem se passar do período de adaptação, e seus pólipos, da mesma cor do resto do animal, são pequenos mas bem juntos, formando um tapete que recobre a copa do coral por completo.

Outra denominação que abriga várias espécies é a de Finger leather. Sob esse nome encontramos desde Colts até leathers, mas o mais característico é o coral constituído de uma base que interliga os braços de onde saem os pólipos. Alguns têm coloração contrastante com o corpo do animal, e outros não. Todo finger leather gosta do mesmo regime de movimentação de água e iluminação de seus parentes leathers, e alguns podem mesmo ser colocados junto à superfície do aquário, sob iluminação intensa. Também trocam de pele de tempo em tempo, mas não todas as espécies.

Existem alguns leathers que nos enganam num primeiro momento; parecem encrustantes, mas possuem uma pequena base que os liga ao substrato; também são do tipo mushroom.

Interessante notar que todos os corais moles são bastante úteis em aquários de corais, pois absorvem uma parte dos compostos orgânicos dissolvidos na água. Em aquários em que o período inicial de algas marrons já parece estar controlado, a adição de um Colt pode ser bastante benéfica. O coral inclusive pode crescer mais nesse período do que mais tarde, quando o aquário estiver menos "sujo". Isso prova que esses corais realmente se beneficiam do material orgânico.

Mas, porquê os corais têm pólipos ?

Existem várias suposições, algumas até bem aceitas. A teoria mais palatável é a de que o coral expõe o pólipo para adquirir mais superfície de contato com a luz, e por conseguinte poder aproveitar melhor a luz para suas zooxanthellas. Também existe a possibilidade recém proposta de os tubos dos pólipos servirem para um efeito como o da fibra ótica, ou seja, eles direcionariam a luz, concentrando-a, para uma parte mais profunda do organismo do coral.

Apesar de se parecerem com mãozinhas, os pólipos não têm a função de "capturar" alimento, mas certamente absorvem matéria alimentar por alí.

Outro tipo de coral mole muito famoso são as Xênias, Cespitulárias, e afins. Todas se caracterizam por seus pólipos pulsarem ritmicamente, fazendo com que uma colônia se mova inteira nesse movimento de abrir e fachar suas mãozinhas. Por esse motivo, corais desse tipo são extremamente valorizados por aquaristas do mundo todo. Mais ainda por serem bastante delicados. Por alguma razão ainda desconhecida, mesmo colônias estabelecidas há anos às vezes sofrem uma infecção muito violenta por protozoários ou bactérias, que dizimam a colônia inteira na razão de um ou poucos dias. Desconfia-se de que essas infecções oportunistas tomam o coral quando ele está sofrendo de alguma deficiência, especialmente de elementos traço. Como suplementos à base de elementos traço às vezes provocam muitas algas, existe realmente essa possibilidade. Xênias também se utilizam de matéria orgânica da água, e o uso excessivo de skimmer e carvão ativado, ou mesmo quantidades exageradas de ozônio podem causar problemas desse tipo. Por sua delicadeza, aconselho corais desse tipo apenas para aquaristas mais experientes.

Mas Xênias, Anthelias ou Cespitularias podem ser cultivadas com sucesso por muitos aquaristas, e parece que existe um componente de "sorte" neste caso. A sorte, porém , pode estar associada a certos hábitos que aprendemos após algum tempo de experiência com aquários de rochas; por exemplo, várias vezes respondo a perguntas de pessoas que querem resolver problemas em seus aquários de uma hora para outra. Ora, se o problema demorou tanto para se estabelecer, como queremos resolvê-lo de repente ? A maioria dos problemas com aquários se relaciona a algas, marrons ou verdes, micro ou macro em dimensão. Esses problemas são decorrentes de algum processo cumulativo, e não adianta nada, como já ouví de outros, tirar toda a rocha do aquário e escovar, trocar 100% da água de uma vez, dar um choque de densidade para cima ou para baixo, e várias outras coisas do gênero.

O que adianta é o seguinte; algo nos hábitos do aquário tornou o problema insuperável Às vezes, esse fator é de funcionamento lento, acumulando nutrientes por um espaço de tempo considerável, e notamos que algo errado está acontecendo quando o colapso é iminente, ou mesmo já passou o momento de corrigí-lo. O aquário estava sendo tratado de maneira errada até então. Não vai adiantar nada tomar uma atitude drástica e repentina. Já ouví muito falar de gente que desmantelou o aquário todo para escovar as rochas, trocar toda a água de uma vez, e duas semanas depois, desesperado, viu as algas começarem a invadir o aquário de novo... Não se tocou na causa, mas no efeito.

Voltando aos corais pulsantes, creio que o "crash" de Xênias, muito comum, está associado à falta de elementos fundamentais na água. Ou por preguiça de trocar a água, ou mesmo por deficiência de dosagem de elementos traço, o aquarista vai paulatinamente vendo sua colônia desaparecer. Skimmer demais também parece comprometer Xenias, pois elas retiram boa parte de sua nutrição de matéria orgânica da água. Por incrível que pareça, as Xênias mais saudáveis que conheço estão em aquários bastante povoados. Até diria, superlotados. Trocas de água grandes demais ou efetuadas de maneira muito rápida também parecem afetar a saúde desses animais, ao menos por algumas horas. Digo isso porquê trocava normalmente 40 litros a cada quinze dias de um aquário de 700 litros, e comecei a reparar que as Xênias encolhiam muito durante as trocas. Depois de algumas horas, voltavam a seu estado anterior, mas isso me preocupou. Como a única diferença era a água nova, que eu sempre deixei oxigenando e misturando por uns três a quatro dias antes do dia da troca, comecei a retirar a água que ia jogar fora com a velocidade normal. Daí, para repôr a água nova, passei a usar uma mangueirinha bem estreita, que dosava esses 40 litros aos poucos, completando a troca em uma três ou quatro horas. E funcionou. ! As Xênias nunca mais fecharam-se durante as trocas, assim como outros corais moles, que pareciam ficar de mau humor, recolhendo os pólipos e murchando um pouco.
Acroporas e outros corais duros pararam de fazer muco. Achei, portanto, um método eficaz de trocar água, que aparentemente não agride os habitantes do aquário. A respeito de trocas de água; sabe quando a gente troca a água, e fica tudo branco no aquário ? Pois é, aquilo é cálcio precipitando. Às vezes, nossa água está tão pobre em Cálcio, que quando fazemos a troca o Cálcio da água nova precipita pois sofre um choque do sistema tamponador. Adição vagarosa de água nova também evita isso.

Bom, vamos aos star polyps...São geralmente encrustantes, e crescem muito rápido. Existem nas cores verde, amarelo, marron, creme, e variantes entre essas cores. O "miolo" de cada pólipo pode ser de tonalidade brilhante, circundado por "espetinhos", que se ligam à base da colônia, quase sempre de tonalidade rosa forte ou roxa. Pela explicação, o coral é realmente bonito. E de fato é, sendo um dos mais indicados para iniciantes. Sua característica de ser muito robusto, suportando grandes variações de salinidade e iluminação, o torna um dos corais mais fáceis de se cultivar. Água menos limpa, como por exemplo de aquários novos, também é bem tolerada, e parece beneficiar esse coral, que também retira bastante nutrientes de seu meio. Em matéria de iluminação, gostam de média e grande intensidade, e quanto a movimento de água, preferem água de movimentação média, com ocasionais pulsos fortes.

Num próximo artigo, trataremos de gorgônias e outros corais moles.

http://www.aqua.brz.net

Ricardo Miozzo
Colaborador de Aquarismo Marinho

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