AJUDA DE aquariofilia marinha - REEFFORUM

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Problemas e soluções em aquários de rochas

Assim que terminamos a montagem do aquário, somos acometidos do mais terrível mal entre os aquaristas; a síndrome de "vou lotar meu tanque".
No espaço mais curto de tempo possível, queremos colocar no aquário uma quantidade de animais que justifiquem o investimento no aquário, e a curiosidade de ver "se o aquário funciona" só é satisfeita dessa maneira.

Quanto ao primeiro argumento, não há nada mais a dizer além de que o tempo, nesse caso, pode correr contra nós.

Quanto ao segundo, posso afirmar que se o aquário foi munido do equipamento correto, não há porquê dar errado, portanto é infantil afirmarmos que pusemos "aquela donzela para testar o aquário".

Se, como se espera, o aquário funcionar bem, a donzela vai viver muito feliz com um aquário só para ela, e depois de uma fase inicial de aclimatação, vai querer que a situação se mantenha assim. Donzelas são muito territoriais, e já cansei de ouvir o famoso caso da donzela "monstra" que mata tudo o que o Aquarista tenta introduzir no aquário. Donzelas, no entanto, podem ser ótimas adições a um aquário. Só que a tempo certo.

Por outro lado, se a donzela em questão vier a morrer por qualquer motivo, perdeu-se uma vida à toa, e não se pode dizer com certeza de que isso ocorreu porque o aquário "é uma porcaria".

Esse exemplo da donzela é clássico, e poderia citar vários outros, erros que cometemos por excesso de pressa ou mesmo desconhecimento.

Mas vamos nos ater ao motivo principal;

Após ter o aquário pronto, ou seja, com a areia e a rocha viva em seus lugares e o skimmer funcionando, devemos proceder a uma rotina simples, que se provou muito útil para mim;

Iniciamos por efetuar trocas parciais de água do aquário, numa ordem de até 10% do volume total de água, semanal ou quinzenalmente. Isso serve para ajudar o equipamento do aquário a funcionar melhor nesse período inicial. O skimmer deve funcionar feito doido após a introdução da rocha viva, e cuidados especiais devem ser observados se seu skimmer for do tipo downdraft (ETS). Todo skimmer demora um pouco para começar a funcionar, às vezes até uma semana inteira. Isso é normal, e deve ser encarado sem maiores preocupações. Quando começam a trabalhar, desnatadores devem ser cuidadosamente observados, pois têm a tendência de transbordar. Às vezes as conseqüências podem ser dramáticas, pois se o aparelho estiver colocado fora do aquário ou reservatório, o transbordamento pode resultar num aquário seco, ou no mínimo num sump sem água,e os downdrafts são especialmente perigosos nesse quesito.

De qualquer forma, skimmers funcionam melhor dentro de determinado nível de sujeira. Quero dizer, de certo ponto para cima, considerando a quantidade de sujeira acumulada no sistema, o aparelho não vai trabalhar direito, por isso trocar a água semanalmente no início ajuda o sistema a estabilizar mais rápido.

As trocas de água, portanto, limpam a água do aquário porque retiram água suja e introduzem água limpa no aquário. Considere sempre que esta sugestão conta com o uso exclusivo de filtro de Osmose Reversa para preparar a água, e o sal utilizado deve ser da melhor qualidade possível. Sal em que se observe nitratos ou fosfatos acima de 0,1 ppm não serve. É só testar a água, doce e depois de misturar ao sal, antes de efetuar uma troca.

O ambiente relativamente instável e poluído de um aquário novo gera facilidade de crescimento de algas, notadamente filamentosas e marrons. Se as trocas de água forem efetuadas como sugerido, as algas verdes são eliminadas mais rápido, pois a diferença de densidade entre a água do aquário e da preparada causa o rompimento da membrana que recobre as algas. A troca parcial também serve para diluir os teores de poluentes da água do aquário, e portanto não se oferecem subsídios para a continuidade das algas. Sem nutrientes em quantidade, alga nenhuma cresce.

Quanto às algas marrons, uma combinação de fatores evita sua proliferação;

Manter o pH acima de 8.3/8.4, dia e noite. Isso se atinge dosando Kalkwasser no período noturno.
O próprio uso de Kalkwasser, dosado para repor a água evaporada, ajuda o skimmer a funcionar melhor, e a combinação skimmer/Kalkwasser exporta fosfato da água.
Boa movimentação de água.
Temperatura não maior que 25 Graus Célsius.
Na prática o processo pode ser cansativo e irritante por tomar certo tempo, mas tomadas as precauções acima, se não podemos evitar completamente essas algas, pelo menos diminuímos bastante sua ocorrência.

Após aproximadamente quinze dias que as trocas de água foram iniciadas, é fundamental começar a adicionar ermitõezinhos, pequenos ofiúros, estrelas do mar azuis ou vermelhas, e pepinos do mar pequenos.

Particularmente não aprecio muito a adição de pepinos, pois se irritados podem expelir seu aparelho gástrico, extremamente tóxico aos peixes. Mas existem certas espécies menos perigosas, por serem mais tolerantes. Uma em especial nunca me deu problemas, chamada Pink sea cucumber. É pequeno, não fica andando muito, e peixes não ligam para ele.

Já ermitões, tipo blue ou red leg, importados, devem ser usados em grande quantidade. Para um aquário de 1 metro quadrado de área, costumamos colocar 250 a 300 ermitões. Qualquer combinação entre azuis e vermelhos serve. O vermelho, porém, é bem mais caro que o azul.

Ofiúros pequenos também devem ser colocados no aquário, e o mesmo aquário de 1 metro quadrado de área pode ter uns 20 a 30 desses.

Muito bem, essa é a turma da limpeza, que é muito importante. Esses animais vão consumir detritos, restos de material orgânico, algas, e outros subprodutos dos seres do aquário.

Eles também revolvem o fundo de areia, e isso evita o acúmulo de sujeira, que comem avidamente, além de não permitir que se forme sobre a areia a detestada alga marrom.

Veja bem; até agora não falei nem uma vez em colocar no aquário caramujinhos tipo Turbo spp ou similares, nem peixes. Menos ainda corais.

Peixes e caramujos podem até morrer se ingerirem algas marrons, e corais podem ser prejudicados por competirem mal com algas, podendo ser cobertos por elas.

Quando, então, poderemos colocar peixes e corais ?

Calma, vamos adiante, que agora podem aparecer várias situações.

Até aqui podemos chegar a algumas conclusões, como por exemplo: ligar ou não as luzes do aquário desde o início ? Tanto faz. O mais importante é o seguinte; luz não é causadora de algas no aquário. A causa da ocorrência de algas é ter nutrientes na água. Portanto, luz acesa desde o começo não causa problemas. Pelo contrário. Acho que bastante luz ajuda a equilibrar o pH, e cria um processo de noite e dia, mais natural do que um aquário apagado o dia todo. Aquaristas de outros países às vezes recomendam deixar o aquário apagado por um certo período, mas fora do Brasil é muito comum vender-se rocha recém vinda do mar, sem maturar. Como usar a rocha assim dá mais trabalho, porque ela vem muito suja, pode haver uma explosão de algas meio incontrolável no início. Mas isso é superável, e esses mesmos aquaristas dizem que isso é muito importante pois usar a rocha bem fresca oferece maior variedade de vida do que maturar a rocha fora do aquário. Na minha opinião, tanto faz. Colocar sem maturar é mais complicado, e recomendo isso para os aquaristas mais experientes. Se, no entanto, preferir menos problemas ainda, como ver aparecerem no aquário os famosos "mantis shrimp", mature a rocha fora do tanque de display, e ponha um polvo pequeno no tanque de maturação. O polvo é tão desesperado por comida que vai limpar o aquário com uma eficiência impressionante. Sua aguda inteligência também contribui, e ele come de tudo. É famoso um filme-documentário que mostra um polvo abrindo um vidro com tampa de rosca, do tipo que se vende com palmito, para pegar comida lá de dentro. O polvo, portanto, em questão de um mês mais ou menos, limpa uns 200 kgs de rocha. Cuidado especial deve ser tomado em relação ao risco do polvo sair do tanque. Como ele é todo mole, passa por qualquer brecha ou fissura. Por isso, atenção. Não é raro encontrar o polvo seco no chão, a uma boa distância do aquário, se não se tomar providências. De qualquer maneira, enquanto o polvinho tiver o que comer, geralmente não foge. Quando termina a limpeza, costuma ser visto passenado mais que o normal pelo aquário de maturação. É hora então de tirá-lo de lá, passando-o a um amigo que tenha rocha nova. A loja que lhe vendeu o polvo pode também aceitá-lo de volta, ou até mesmo alugar o polvo.

Acesa ou não a luz, a rocha se encontrará em boa condição de maturação quando a água do aquário apresentar zero de amônia e nitrito. Neste ponto, o skimmer estará produzindo bastante há um bom tempo, e as trocas de água contribuirão para melhorar sempre a qualidade de água.

Quando os testes permitirem, podemos introduzir um ou outro peixe herbívoro, dependendo do tamanho do aquário. Eu sempre preferi colocar um peixe de cada vez. A alteração que esse primeiro peixe causa no ambiente é menor do que se fossem mais deles, e toda mudança no aquário deve ser feita de maneira a não causar alterações bruscas de uma hora para outra. Um peixe por vez, portanto, afeta menos o frágil equilíbrio de um aquário novo. Após alguns peixes, o que pode demorar meses, não deve mais ser possível ver algas marrons pelo aquário, e podemos começar a pensar em introduzir corais. Corais conhecidos como moles (Colt, Leather, por exemplo) são mais apropriados para esse momento, pois são sabidamente mais resistentes. Note; neste ponto, o aquário terá alguns meses de vida.

Resolvi escrever este artigo como um passo a passo, porque tenho visto muito freqüentemente a síndrome do "vou lotar o aquário". Já cheguei a ver aquaristas colocarem de uma vez só 8 a 10 corais e 5 ou 6 peixes num aquário de 300 litros. Muito menos do que isso já seria demais, pois gera uma carga excessiva no aquário. Os corais expelem seus metabólitos, os peixes defecam, e tudo isso polui a água numa proporção que, se comparado a um dia antes da introdução desses animais, acaba resultando numa diferença muito grande. Esse diferencial pode gerar problemas, como algas, etc.

Também devemos considerar que o aquário se torna muito mais bonito e de aspecto natural quando os peixes e corais são introduzidos em tamanhos individualmente proporcionais ao tamanho do aquário.
Observar um coral crescendo é bem mais interessante do que ver o mesmo coral brigando por espaço com seus vizinhos. O mesmo serve para os peixes.

Aquarismo é paciência


http://www.aqua.brz.net

Ricardo Miozzo
Colaborador de Aquarismo Marinho

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