AJUDA DE aquariofilia marinha - REEFFORUM

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Corais Duros

Comparados a corais moles e coralimorfários, os corais duros são mais exigentes para se manter em aquários. Coral duro é todo aquele que constrói esqueleto calcáreo que sirva de suporte aos pólipos. Existem corais duros que se aproveitam da luz para viver, e outros que não. O termo "hermatípico" serve para todos os corais que contribuem para a formação de recifes.

Corais duros são divididos em duas categorias; há os de pólipo grande (LPS em inglês - de Large polyp scleratinia), e de pólipo pequeno (SPS - Small polyp scleratinia). Os de pólipo pequeno são ainda mais exigentes, e apenas aquaristas mais avançados, ou com a quantidade ideal de equipamentos são capazes de mantê-los em perfeita condição.

Os corais duros de pólipo grande que normalmente colocamos em aquários são típicos de águas rasas mas eventualmente turvas, sendo coletados em fundo de areia, lama, recifes e lagoas. São, portanto, animais de grande resistência física, que estão habituados a flutuações de pH, salinidade, temperatura e iluminação disponível. Por essas características, os corais são mais fáceis de se manter do que os de pólipo pequeno, que geralmente são trazidos de águas mais limpas. Os requisitos para a manutenção desses animais são, principalmente, a estabilidade do meio aquático do aquário e filtragem de boa qualidade.
Um ótimo skimmer, portanto, é fundamental, pois por mais poluída que fosse a água de origem do animal, dificilmente seria mais "suja" do que a água de qualquer aquário. Os níveis de poluentes que os corais suportam a longo prazo no mar são muito baixos, devido à competição imposta por outros organismos nessas condições.
Imediatamente após uma oferta razoável de fosfato, por exemplo, inicia-se o processo de assentamento de algas num determinado local, e elas têm um enorme potencial reprodutivo, tomando o espaço dos invertebrados.

A iluminação necessária varia muito, pois corais de pólipo grande como Pleroogyra sinuosa (Bubble) preferem luz mais fraca (considerando HQIs como fonte de luz), enquanto Catalaphyllia jardinei (Elegant) pode apreciar luz bem forte. Espécimes de corais duros devem ser aclimatados à luz do aquário no curso de algumas semanas, sendo que o local exato para a colocação de cada um deve ser definido com base em experimentação. Animais de uma mesma espécie podem se adaptar melhor sob diversas condições de iluminação. Pessoalmente já ví corais de mesma espécie praticamente debaixo da lâmpada, próximos à superfície em excelente estado, sendo o mesmo válido para o oposto. O importante, portanto, é o senso de observação do aquarista. Experimente vários lugares no aquário para cada coral, e coloque-o em definitivo onde apresentar o melhor aspecto.

A movimentação de água é fator fundamental, pois o coral não é capaz de movimento próprio excetuando-se o encolher e inflar com água, e apenas esse movimento pode não ser suficiente para que ele se livre de seus dejetos, por exemplo. Movimento na água deve ser gerado por bombas internas, de forma que o coral seja "massageado" gentilmente por várias correntes, vindas de diversas direções. Faz-se necessário algum tipo de aparelho oscilador de correntes para as bombas internas.
O coral não deve receber excesso de corrente de água, sob risco de desfazer-se; o tecido mole, "pesado" pela água que contém, é danificado pelo próprio esqueleto do animal, que o corta. O aspecto visual da movimentação de água do aquário deve ser o de um campo gentilmente agitado por uma brisa, às vezes mais forte, às vezes mais fraca. Períodos de calmaria são recomendáveis, pois os animais aproveitam-nos para capturar alimento e descansar os tecidos vivos da oscilação de correntes de água.

O filtro denitrificador é muito importante, pois é provado que corais duros têm sua calcificação muito prejudicada por presença de nitrato na água, mesmo que em baixas concentrações. O mesmo ocorre com fosfatos, que causam formação de fraca ligação calcária no animal, fazendo-o produzir esqueleto fraco e quebradiço. Filtro denitrificador de fundo é o mais indicado pela praticidade e facilidade de manutenção.
Mesmo com skimmer potente, deve-se empregar esse tipo de filtragem. Nitratos observados em testes são sempre a quantidade iônica que se pode detectar na água, e podemos supor que a concentração desse composto em forma orgânica é bem maior. Além disso, todo o processo de vida no aquário é dinâmico, e o que se obtém nos testes é um saldo do composto medido. À medida em que os corais utilizam algum NO3 e PO4 da água, o resultado do teste é a diferença do que foi produzido e retirado da água, sendo a resultante um saldo apenas.

Corais duros de pólipo grande são sensíveis a grandes alterações em seu meio no aquário, e a quantidade de sal na água é talvez o fator mais importante e normalmente negligenciado. A salinidade da água do mar varia muito de região para região, mas em zonas de recifes de corais geralmente é muito estável. A densidade da água do aquário deve ser semelhante à da água do mar, que a 25oC é de 1.024/1025, aproximadamente. Isso equivale a 33 gramas de sal por litro de água.
Todos os processos metabólicos do animal são baseados na quantidade de sal e água que contém, e manter a água com mais ou menos sal prejudica bastante o funcionamento de seus organismos.
Processos osmóticos, de trânsito celular de oxigênio e outros podem ser seriamente afetados se não se mantiver a salinidade correta na água.

Corais se aproveitam de substâncias dissolvidas ou em suspensão na água para se alimentar, e alguns não podem abrir mão de alimentação por via não luminosa. Alimentá-los periodicamente com artêmia salina, dáfnia, bloodworms e líquidos especialmente formulados é muto importante. No reino animal existem poucos exemplos de animais tão preparados para obter alimento de seu meio como os corais;
praticamente toda a superfície corpórea desses animais é dedicada a isso. É de se imaginar, portanto, que ítens alimentares além da luz são batante necessários. A alimentação fornecida pelo aquarista, por outro lado, geralmente polui a água se dosada em excesso ou desperdiçada, por isso há necessidade de forte skimmer.

Os corais crescem, sendo que algumas espécies o fazem vigorosamente após bem adaptadas ao aquário, por isso deve-se colocar os animais espaçados um do outro suficientemente, a fim de que não se firam. A maioria deles possui fortes células urticantes chamadas nematocistos, e eles os usam para abrir espaço em torno de si, defendendo-se de agressões e preparando seu crescimento. Corais duros de pólipo grande devem ser colocados em espaços maiores do que ocupam após "abertos", e o aquarista pode se surpreender. Alguns ocupam áreas 10 vezes maiores do que seus esqueletos calcáreos, e ainda lançam em torno de sí pólipos especialmente desenvolvidos para defesa e ataque, onde a concentração de células urticantes é centenas de vezes maior do que o normal. Regra geral, o coral estará seguro se observado em torno de si um espaço de 10 a 15 centímetros, após aberto.

Os cuidados com o aquário devem ser os normais, com trocas de água, verificação de poluentes e trocas de lâmpadas periódicas, à medida em que envelhecerem. Carvão ativado pode ser usado, e os corais duros apreciam água bem limpa. Corais de mais de 10 anos já são normalmente reportados, e no Brasil, onde o mercado é mais jovem, já existem animais há 7 anos em cativeiro.

http://www.aqua.brz.net

Ricardo Miozzo
Colaborador de Aquarismo Marinho

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