AJUDA DE aquariofilia marinha - REEFFORUM

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Doenças de Peixes

Doenças em peixes são mais comuns do que deveriam ser em aquários, e após bastante observação, verifiquei que talvez o maior causador de patologias diversas nesses animais seja por conta de estresse. A respeito disso, a Revista @qua já publicou uma matéria. Os interessados podem procurar nas edições anteriores. Existem, porém outras razões para a ocorrência de diversos males que podem afetar os peixes. Trataremos de algumas a seguir.

Curiosamente, muitos dos problemas não estão relacionados aos peixes propriamente ditos, e nem mesmo ao modo com que foram capturados, embalados e tratados até chegar às mãos do consumidor final. Muito se debate a respeito dos métodos de coleta e estoque de animais, tanto pelos coletores quanto importadores e lojistas. O escopo deste artigo não é tratar desses quesitos, já debatidos anteriormente na matéria citada acima. Apenas precisamos verificar o mínimo necessário para não adquirir um animal visivelmente abatido ou doente, e para tanto devemos prestar atenção às instalações da loja em que pretendemos comprar o animal. Se a loja for suja, tiver aspecto desagradável, qualquer odor pouco natural ou apresentar peixes claramente doentes, é claro que não recomendo sua compra.

Outro fator interessante a observar é o seguinte; nunca compre peixe doente ! Isso parece óbvio, mas muitas vezes a vontade de adquirir um determinado peixe é tão grande que o aquarista aceita a idéia de que o peixe esteja doente e crê que ele vai se recuperar após colocado no aquário. Isso, além de duvidoso, é muito perigoso. Não para o animal apenas, que realmente pode ter mais chance de sobrevida num aquário em ótimas condições, mas para os outros habitantes do aquário, que podem adquirir a doença do peixe novo. Torno a insistir; se o peixe estiver com qualquer sinal de que não apresenta perfeita saúde, não o compre. Independente de seus credos pessoais ou conselhos de amigos e lojistas; não o faça. Mesmo se lhe for ofertado por preço excelente, ou com desconto assombroso.

O maior problema de doenças em peixes é, a meu ver, o estresse por que passam até chegar a seu aquário. Considerando que o procedimento correto seria cada um de nós termos uma quarentena para abrigar o peixe recém adquirido até que estivesse realmente perfeito, parto do princípio que nunca se introduzirá um peixe doente no aquário.

Curiosamente, porém, peixes saudáveis até antes de colocados no aquário apresentam problemas às vezes sérios e fatais em poucos dias.
Porque isso acontece ? De onde a doença vem ?

Vem de vários fatores. Passaremos a alguns dos aspectos que verifiquei com o tempo e a observação de diversos aquários, saudáveis ou não. Todas as afirmações reunidas abaixo são fruto de observação, mas para quase todas encontrei razões em livros, revistas e artigos pela internet. Se não causas primárias, os motivos podem ser geradores de problemas que acabam levando os peixes a problemas de saúde.

O primeiro problema sério é a densidade da água. Desde muito tempo, durante os primórdios do aquarismo marinho, tornou-se prática entre muitos aquaristas manter na água de seus aquários densidade menor do que a encontrada nos mares. A densidade da água é, a grosso modo, a quantidade de sal que ela contém a uma determinada temperatura. O correto seria tratar apenas com salinidade, que não varia com a temperatura, mas é muito mais comum tratar-se o assunto por densidade, dada a dificuldade de se obter testes de salinidade no mercado aquarístico. A densidade dá o resultado da salinidade a certa temperatura. Pois bem; como não haviam skimmers eficientes no mercado brasileiros até alguns anos atrás, muitos aquaristas recomendavam manter a densidade do aquário em torno de 1.020 a 1.023, provavelmente devido ao fato de que água salgada retém muito pouco oxigênio dissolvido comparada à água doce (quanto menos sal a água possui, mais oxigênio ela é capaz de reter). Isso é realmente fato, pois sem um excelente oxigenador (skimmer), durante a noite o teor de oxigênio dissolvido da água do aquário pode atingir pontos perigosos. Aquários de fundo biológico ou mesmo com dry-wet dificilmente sobrevivem incólumes a períodos maiores do que 12 horas sem funcionar. Sem eletricidade, portanto, as bombas não funcionam e o oxigênio do aquário não se renova. Se houvesse maior possibilidade de manter uma taxa razoável de oxigênio dissolvido na água, o risco de acontecerem problemas seria diminuído. Isso se obtinha colocando menos sal na água, mantendo densidades baixas.

Com o advento de poderosos skimmers, no entanto, qual seria a finalidade dessa prática ? Ou melhor, qual a vantagem ? Posso afirmar que nenhuma. Pelo contrário. Já observei aquários com problemas sérios de peixes doentes por causa disso. Vamos considerar melhor; o peixe marinho está habituado à densidade natural do mar, que em grande parte do mundo gira em torno de 1.024/1.025. Apenas no Mar Vermelho, de todos os locais onde se capturam peixes para o mercado aquarístico, a densidade é bem maior. A densidade da água do mar não se mostra inconstante há muitos milhões de anos, quiçá mesmo bilhões, portanto, qual o direito que temos de achar que podemos alterar esse fator ? Joyce Wilkerson, em seu livro "Clownfishes - A guide to their captive care, breeding & natural history" ( Microcosm Publishings, 1998), coloca a questão muito bem, à página 107: "Os tecidos das guelras de um peixe, e até certo ponto, de sua pele, agem como uma membrana porosa que deixa a água e o sal passarem através de si, exatamente como nossa pele deixa passar água e sal através de si quando suamos. Peixes marinhos têm salinidade interna de aproximadamente 11 partes por mil, que é apenas um terço da salinidade da água em torno de seus corpos; eles contém muito mais água do que sal comparados a seu ambiente, portanto precisam regular esse teor para manter essa diferença de salinidade. A tendência a favor do equilíbrio osmótico provoca nos peixes constante perda de moléculas de água através de sua pele. Isso faz com que ele tenha que engolir água constantemente, a fim de não ficar com o corpo saturado demais de sal. A água que ele bebe, no entanto, é salgada, e ele tem de se livrar dele. Isso é atingido pelo funcionamento de seus rins e por células especializadas em suas guelras, que excretam íons como cloro e sódio. Os íons em excesso migram para essas células e passam de volta para a água".

Portanto, é bobagem - e talvez das maiores - manter peixes abaixo da salinidade à que estão acostumados desde sempre.

Flutuações de temperatura parecem afetar peixes de maneira negativa.
Muitas vezes, quando o tempo "vira" e temos uma grande variação de temperatura em curto espaço de tempo na água do aquário (digamos, maior do que 2 ou 3 Graus Centígrados em 24 horas ou menos), verificamos a ocorrência de parasitismo. Os peixes passam a raspar o corpo pelo aquário, respirar mais rápido que o normal, e até mesmo apresentar esquimoses ou pústulas. Ainda não descobri poque isso acontece, mas o fato é que ocorre. No mar, peixes avançam do raso para águas profundas (e frias), sem maiores problemas, e já observei no final da tarde no recife de corais em Abrolhos, na Bahia, a maré alta trazer para locais antes ilhados pela maré baixa centenas de peixes à procura de alimento. A água presa nas lagoas estava bem quente, em torno dos 28oC, enquanto que a que vinha com a maré chegava a mais ou menos 23 Graus Célsius. Nada acontecia que aparentemente inibisse os peixes de continuarem avançando, deixando bem claro que para eles, a diferença de temperatura não era fator a considerar. Já notei, no entanto, que peixes no mar ficam doentes com frequência; apesar de nunca ter visto nada nem próximo ao grau de infestação que se observa em aquários, no mar os peixes também "pegam íctio" e outras doenças. Se ficam curados com maior ou menor facilidade é outro assunto, mas o fato é que no mar, a flutuação de temperatura parece de somenos importância. No aquário, também, temos que notar que o peixe não tem alternativa; não pode escolher a temperatura em que quer permanecer. Muita gente já observou o mesmo que eu estou escrevendo agora, mas as razões nos parecem a todos obscuras; atemos-nos aos fatos; quanto menores as variações de temperatura em aquários, melhor para os seus habitantes. O mistério permanece. Mas é melhor que a água não varie mais do que 1 ou 1,5 Graus Célsius no período de 24 horas.

A alimentação parece-me de grande importância; estou, infelizmente, habituado a ver peixes magros nos aquários que visito. Por uma infelicidade, e creio que por pura ignorância (no bom sentido) dos aquaristas, parece-me que não se conhecem os animais que mantém. Digo isso porque, toda vez que tive a oportunidade de mergulhar, observei que os peixes, em sua esmagadora maioria, estão sempre "estourando" de gordos. Comem de cada vez como se estivessem fazendo sua última refeição. Muitas vezes isso é verdade - mas não importa aqui. O fato é que, com as práticas antigas de aquarismo, onde alimentar os peixes era um problema, pois essa atividade geraria poluentes na água do aquário, era muito comum manter-se peixes magrelas, à beira da morte mesmo, sendo alimentados apenas uma vez por dia - ou mesmo uma vez por semana !!! Naturalmente isso não é normal. Manter peixes subalimentados leva-os certamente a problemas sérios de saúde.
Considerando herbívoros, então, o problema se agrava. Herbívoros são muito semelhantes quanto a hábitos alimentares, tanto dentro quanto fora d'água. Pare na frente de uma vaca num pasto e olhe para ela; se não estiver comendo, está ruminando ou dormindo. Peixes não ruminam, mas também comem o tempo todo. Como algas e folhas em geral são mais pobres em nutrientes do que os alimentos que os peixes carnívoros usam, peixes herbívoros precisam de um volume maior de alimento do que carnívoros. Para os herbívoros, tenho usado há alguns meses verdura fresca, com excelente resultado. Costumo dar escarola, e para uma "turma" de 5 peixes (01 Naso lituratos, 01 Paracathurus hepatus, 01 Acanthurus sandwichensis, 01 Zebrassoma xanthurum e 01 Centropyge multicolor), tenho usado um pé de escarola por semana. É impressionante observar os peixes comerem as folhas. Se observarmos o volume, então, vemos que parece impossível um pé de escarola por semana sumir dentro de suas barrigas ! Mas acontece inexoravelmente, e os peixes são gordos, ativos e claramente satisfeitos. Muito interessante notar que, além da verdura, comem todo dia artêmia salina viva, alimento peletizado e flocos. Curioso também que escarola deu, para mim, resultados muito superiores a alface.
Alface, pelo que observei, ocasionalmente provoca certa diarréia nos peixes; suas fezes são pastosas e muito mais freqüentes do que quando comem escarola. Os peixes inclusive engordam muito mais e mais rápido quando comem escarola, comparados à dieta de alface. Outra verdura boa é espinafre ferventado (para amolecer um pouco), mas oferecido sempre, essa verdura escurece os peixes. Conheço um Naso lituratus quase preto, de tanto comer espinafre. Esse indivíduo em particular está comendo escarola há dois meses, e apenas agora parece estar clareando de volta a sua cor original, cinza médio. Não só peixes puramente herbívoros se utilizam de verdura. Anjos, palhaços, e outros onívoros aceitam e gostam bastante de comer suas folhas.

Os fatores aqui citados servem, finalmente, para ilustrar alguns pontos que afetam a saúde de nossos amados animais. A prática de um aquarismo consciente, somada às poucas dicas apresentadas acima, naturalmente dependem de muito mais do que isso. Manter todos os aparelhos do aquários limpos e em perfeita condição de uso é primordial. Talvez o ponto mais importante do aquarismo, para mim, seja a higiene. Mas no geral, creio estarmos atingindo, aos poucos, nosso objetivo maior, que é manter peixes saudáveis por muitos e muitos anos em nossos aquários. Outras "dicas" e procedimentos existem, é claro, e espero poder compartilhar deles assim que os aprender. A observação mais importante; a melhor maneira é prevenir doenças em aquários, mantendo os animais em excelentes condições sempre. Claro que podem ocorrer doenças mesmo em aquários ótimos e peixes saudáveis, mas quando realmente estão bem, os peixes respondem melhor à doenças, muitas vezes sarando sozinhos.

http://www.aqua.brz.net

Ricardo Miozzo
Colaborador de Aquarismo Marinho

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