Boa tarde

Depois de ter escrito noutro tópico sobre a adição de um Zanclus ao “cardume” lá de casa, o que atraiu a atenção de alguns membros, abro este tópico para melhor diferenciar os temas e evitar que o outro tópico seja desviado do tema que o seu autor colocou.

Assim e apesar de querer ter mais tempo para reunir mais dados e melhor fundamentar e informar todos, posso adiantar que o Zanclus já começou a comer pedaços grandes de alga vermelha (ocean nutrition) que é a mais macia e pela qual demonstrou sempre preferência. Pedaços previamente molhados com água do aquário e ligeiramente macerados ou rolados nos dedos. Pedaços que procura e começa a disputar aos outros. Até aqui só comia pedaços pequenos que resultavam de migar/desfazer a alga entre os dedos depois de a molhar na água do aquário, com ou sem cyclopeeze que adicionava polvilhando os pedaços molhados de alga migada "colados" aos dedos da mão que em seguida mergulhava na água do aquário.

Começou também mostrar interesse e a mordiscar as algas frescas da nossa costa que disponibilizo, lado a lado com os outros peixes.

Ingeriu também ovos de aplysia da nossa costa, mas não vou insistir com isso pelo menos até ter estudado melhor os mesmos, até porque a aplysia possui a capacidade de produzir e lançar uma substância tóxica à base de peróxido de hidrogénio para se defender http://en.wikipedia.org/wiki/Aplysia. e não sei se as fiadas de ovos estarão munidas de defesas químicas, o que não me surpreenderia.

Com base numa fonte de informação que me facultou o João Monteiro e o livro do Mike Weber, que comprei em 1999 por alturas da inauguração da Estação Litoral da Agua, local próximo do qual (praia rochosa em frente ou do lado sul) habitualmente recolho as algas e outros alimentos da nossa costa que disponibilizo, recolhi esponja da nossa costa na passada Sexta-feira ao fim da tarde (e apanhei uma chuvada – que figura). Distribuí a referida esponja no estado natural, tendo notado interesse por parte do Zanclus que a mordiscou. Congelei a esponja em causa e poderei vir a “inventar” uma papa com a mesma, algas, cyclopeeze entre outras coisas, para ver no que dá, mas isso apenas após ter estudado melhor a composição das duas espécies de esponja da nossa costa quanto a nutrientes, toxicidade eventual, etc...

Noto que de dia para dia que o Zanclus está a “vencer” a timidez, que é sem dúvida um dos maiores problemas que enfrenta a espécie (timidez, concorrência alimentar) e cada vez mais se integra com todos e vice-versa.
Desde o primeiro dia (noite) que ocupou um lugar central no aquário, de onde ninguém o tira e nunca se deixou dominar ou intimidar. Raramente se refugia na minha presença e começa a associá-la a “comida”. Tem revelado sinais de boa integração e está sempre presente para receber alimentação.
Há medida que for tendo mais dados editarei o tópico para o actualizar. Oxalá, para benefício do Zanclus, da espécie e de todos os interessados nessa espécie, se vão reunindo condições para isso, e todos colaborem com experiências positivas feitas/vividas. Foi e é um animal delicado mas de todas as vezes que mantive Zanclus é sempre por muito mais tempo.

Aproveito para exprimir um grande agradecimento ao João Monteiro e ao Gil pela informação muito útil que me forneceram assim como pelo interesse e sensibilidade demonstrados. A ambos muito obrigado.

Relativamente ao nome do genero, Zanclus, segundo a explicação dada pelo Australian Museum Fish Site www.amonline.net.au/FISHES/fishfacts/fish/zcornutus.htm, vem da palavra Grega para Foice e refere-se à barbatana dorsal em forma de Foice.

Kihikiki é a desiganção comum Havaiana e significará curvas, zigzags e será dado em alusão à sua forma e padrão de cor.

Quanto à designação da espécie, cornutus ou canescens, foi atribuida por Linneus e uma será para a forma adulta e a outra para a forma juvenil. parece que ambas são aceites.



Atenciosamente
Pedro Nuno