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Tópico: Organismos venenosos-perigosos do recife/Reef venomous-dangerous critters

  1. #1
    RF Moderador Avatar de Pedro Nuno Ferreira
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    Exclamation Organismos venenosos-perigosos do recife/Reef venomous-dangerous critters

    Bm dia

    Júlio, comunidade reefforum, "Bamos falare dos Benenosos...canudo..."

    Como já havia conversado e combinado com o Júlio há já algum tempo, fiquei de preparar e lançar um tópico sobre organismos venenosos e perigosos do recife com o propósito de esclarecer a comunidade sobre a existência dos mesmos e os perigos em muitos casos letais que os mesmos representam e a que se pode expor uma pessoa desconhecedora ou descuidada no seu manuseamento com potenciais consequências letais/fatais/mortais. Não é para alarmar mas sim para esclarecer, explicar, ajudar!

    Assim sendo vou dar prioridade aos organismos mais susceptíveis de nos surgirem nas importações e que convém conhecer para evitar problemas. Posteriormente serão mencionados outros organismos menos susceptíveis de surgir. Todos os que tiverem organismos para apresentar podem fazê-lo neste tópico documentando o mais possível a sua apresentação, parte dos dados poderão depois ser transportados para a área de identificação de espécies e assim completar o mais possível a nossa base de dados.

    Assim sendo começo por um Ouriço-do-Mar que tem tanto de bonito como de letal! O Toxopneustes roseus, também designado por Flower Urchin (Ouriço-do-Mar Flor ou Florido)

    Para facilitar a apresentação vou neste caso e muitos outros recorrer ao guia do Ronald L. Shimek, Marine Invertebrates - ISBN 1-890087-66-1 - TFH - pág. 399, em que o autor, possível palestrante... no nosso próximo evento em 2008, diz/alerta o seguinte:

    Citação Postado originalmente por Ronald L. Shimek, traduzido por Pedro Nuno Ferreira

    Toxopneustes spp.
    Ouriços-do-Mar Floridos

    Tamanho máximo: Até 15 cm em diâmetro.
    Distribuição Geográfica: Indo-Pacifico
    Cubicagem mínima do aquário: Aquários grandes, 0.380 m3 (100 galões Americanos), 380 litros ou maiores.
    Iluminação: Imaterial (não tem significado)
    Comidas e Alimentação: Alguívoro; necessita de uma "refeição carnívora" ocasional.
    Adequabilidade para aquário/aquário de recife: São venenosos, possivelmente mortais e colocam potencialmente grande perigo para o aquarista.
    Cuidados em meio doméstico:A superfície de cor viva destes Ouriços-do-Mar está coberta por pequenas estruturas circulares de cerca de 6mm em toda a sua superfície, parecendo-se mais com pequenas flores cor de rosa ou vermelhas com um bordo branco. Estas são espinhos modificados designados pedicellariae que têm o potencial de matar humanos; pelo menos uma fatalidade foi documentada. O lindos pedicellariae funcionam como mandíbulas trilhadoras. Estes espinhos têm um talo a suportar três mandíbulas, cada uma das quais equipada com dentes recurvados afiados e uma glândula basal de veneno. Quando as mandíbulas fecham, injectam veneno através dos furos abertos nas camadas de tecido externo pelos dentes. São inofensivos quando estão dentro do aquário de recife mas transferi-los para outro aquário ou tocar neles inadvertidamente durante a manutenção, pode ser muito perigoso.


    aqui podem ver imagens do Ouriço-do-Mar Toxopneustes sp.

    http://images.google.com/images?svnu...ocurar+imagens

    http://images.google.com/images?hl=p...-8&sa=N&tab=wi

    http://www.brandoncole.com/profilevenomous.htm



    http://www.starfish.ch/collection/seeigel.html



    Detalhe dos
    pedicellariae venenosos








    http://baja.divebums.com/FieldID/Inverts.html

    http://baja.divebums.com/FieldID/Pag...in_flower.html





    As fotografias acima foram as que consegui de momento mas o ideal era de ter fotografias tiradas por membros da nossa comunidade, pelo que se tiverem, não hesitem em colocá-las na nossa galeria e o respectivo elo aqui.

    aqui podem ler os efeitos do veneno
    http://cookislands.bishopmuseum.org/...s.asp?id=14437

    Citação Postado originalmente por bishopmuseum
    The venom causes severe pain and muscular paralysis that may last around 6 hours. Death from poison unknown, but the pain can lead to accidental drowning.
    Citação Postado originalmente por Tradução por Pedro Nuno Ferreira
    O veneno provoca dor e paralisia muscular grave que pode durar cerca de 6 horas. A morte por envenenamento não conhecida mas a dor pode levar a afogamento acidental.
    http://beta.uniprot.org/citations/1989511

    http://www.sydneyaquarium.com.au/Spotlights/SPO010.asp

    O Inferno tem muita manha no disfarce

    O bicho não é assim por maldade, é para se defender e procura avisar, tal como muitos outros, com cores vibrantes, com aspecto muito bonito e conspícuo (=vistoso),
    Citação Postado originalmente por Toxopeneustes sp.
    Olhem que eu sou venenoso...
    Atenciosamente
    Pedro Nuno


    "I may of course, be egregiously wrong; but I cannot persuade myself that a theory which explains several classes of facts can be wholly wrong"...Tradução: É claro que eu posso estar egregiamente errado; mas não me consigo persuadir de que uma teoria que explica várias classes de factos, possa estar completamente errada"...
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  2. #2
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    Re: Organismos venenosos-perigosos do recife/Reef venomous-dangerous critters

    Boas, Pedro Nuno.

    Excelente post.

    Já agora continuava com corais que quase todos, senão todos, temos nos nossos sistemas: a Palythoa e os Zoanthus.

    All species of Palythoa produce a chemical called Palytoxin, which is a very potent neurotoxin. It is found in the heavy mucus coat of these species. These species must be handled very cautiously. It is very important to wear hand protection when touching these animals - especially if the handler has any breaks in his or her skin. After handling these animals, proper hand-washing is recommended.

    In "LiveAquaria"
    Todas as espécies de Palythoas e Zoanthus produzem uma toxina chamada Palytoxin, considerada uma neurotoxina muito potente, encontrada na forte camada de muco destas espécies.
    Por isso, estas espécies devem ser manipuladas com extremo cuidado, recorrendo ao uso luvas. A sua toxina é sistémica e pode entrar na circulação sanguínea se houver feridas nas mãos.
    Esta toxina pode ser letal se ingerida ou entrar na corrente sanguínea, pelo que se recomenda larvar muito bem as mãos depois de manusear estas espécies.

    Conclusão: mais vale prevenir do que não ter remédio!
    Última edição por José Passos Campainha; 28-09-07 às 12:29.

  3. #3
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    Re: Organismos venenosos-perigosos do recife/Reef venomous-dangerous critters

    Viva Passos e obrigado pelo interesse e colaboração (colaboração precisa-se)

    Aproveito para completar mais a excelente informação que nos transmites explicando o que é a Palytoxina

    http://en.wikipedia.org/wiki/Palytoxin

    Diz aqui na toxicidade que é da mesma classe que a Botulina (Clostridium botulinum - Botulismo).
    http://www.cbwinfo.com/Biological/Toxins/Palytoxin.html
    http://www.cbwinfo.com/Biological/Toxins/Botox.html

    http://www2.hawaii.edu/~bemorton/Neu...Palytoxin.html

    http://www.pnas.org/cgi/content/full/100/2/386

    Mais logo retiro um ou outro excerto e traduzo para melhor esclarecer.

    Atenciosamente
    Pedro Nuno


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  4. #4
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    Re: Organismos venenosos-perigosos do recife/Reef venomous-dangerous critters

    Peixe-Leão



    Incluiu as espécies Pterois, Parapterois, Brachypterois, Ebosia ou Dendrochirus, pertencentes à família Scorpaenidae.
    Os Peixes-leão são autóctones do Indo-Pacífico vivendo sempre próximos aos recifes de coral. Também são encontrados na costa leste dos Estados Unidos, de Long Island até a Flórida. Durante o dia preferem abrigar-se em cavernas ou fendas, sendo animais de hábitos nocturnos.
    O veneno dos Peixes-leão é inoculado através dos espinhos localizados nas regiões dorsal, pélvica e anal. Geralmente possuem 12 a 13 espinhos dorsais, 2 pélvicos e 3 anais. Cada espinho possui duas glândulas que produzem e armazenam veneno. Os Peixes-leão também possuem espinhos peitorais, porém estes não possuem glândulas de veneno.
    A potência do veneno varia de acordo com a espécie e tamanho do Peixe-leão. Os principais efeitos são uma intensa dor localizada, seguida de um edema local; podendo também a vítima sentir náuseas, tonturas, fraqueza muscular, respiração ofegante e dor de cabeça.
    O veneno dos Peixes-leão é constituído de proteínas termosensíveis, que são vuneráveis ao calor e se desnaturam facilmente.
    Os primeiros socorros constituem a imersão do local afectado em água quente (43-45ºC) por 30 a 40 minutos ou até a dor diminuir.
    Desnaturam: diz-se da substância cuja natureza foi alterada com a adição de outras que impossibilitam que se empregue com as suas propriedades naturais.

    Bibliografia: Wikipedia
    Última edição por José Passos Campainha; 28-09-07 às 20:48.

  5. #5
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    Re: Organismos venenosos-perigosos do recife/Reef venomous-dangerous critters

    Viva
    Tal como havia dito anteriormente aqui estão alguns artigos muito interessantes sobre a Palitoxina ou a "limu-make-o-Hana" (a alga mortal de Hana)

    http://www.sbq.org.br/PN-NET/causo2.htm

    http://www.sbq.org.br/PN-NET/texto4/sintese.htm

    aqui podem ler uma breve história da molécula da Palitoxina ligada a uma lenda Havaiana

    http://www.dq.fct.unl.pt/cadeiras/qp...a/historia.htm

    Em 1971, Scheuer e Richard E. Moore publicaram artigo na revista Science, 1971, 172, 495) relatando como chegaram ao isolamento da palitoxina baseando-se em uma lenda do Hawaii, a qual relatava que:

    Em Muolea, no distrito de Hana, cresce um musgo venenoso em uma pequena piscina de água salgada próxima ao oceano. Tal musgo era utilizado para a preparação de arpões de pesca, e os tornava fatais. ... O musgo era sabido ser de coloração vermelha, e ainda pode ser encontrado, porém em uma única localidade."

    Segundo a lenda, no distrito de Hana vivia um homem que no seu dia-a-a-dia semeava e colhia. Sempre que os pescadores da região iam pescar, pelo menos um deles desaparecia. Durante algum tempo, os nativos não conseguiam entender o que acontecia. Os pescadores começaram a desconfiar do homem que vivia a cultivar. Um dia agarraram-no, tiraram as suas roupas e, para sua surpresa, descobriram nas suas costas uma mandíbula de tubarão. Então, mataram-no, queimaram-no, colocando as suas cinzas no mar.

    De acordo com a lenda, a alga do local onde as cinzas caíram tornou-se tóxica, e o próprio local passou a ser considerado um tabu para os havaianos. Os pescadores conseguiram cobrir as algas tóxicas com pedras, tornou-se a sua localização, um segredo. Acreditavam que algo muito perigoso pudesse acontecer se outras pessoas o descobrissem. A alga passou a ser designada pelos nativos como "limu-make-o-Hana" (a alga mortal de Hana). Os autores conseguiram chegar ao local consultando vários nativos da região e lá coletaram uma pequena quantidade da "alga", na verdade o zoantídeo Palythoa sp.

    Levado à capital, o animal foi então extraído com etanol aquoso e, após evaporação do etanol o extrato aquoso foi desengordurado com benzeno e extraído com n-butanol saturado com água. Após evaporação, o extrato orgânico polar foi adsorvido em polietileno, o qual foi lavado com água para a eliminação de sais inorgânicos, e em seguida eluído com etanol 50%.


    aqui pode-se ler mais sobre o assunto num tópico aberto pela Leonor Drummond

    http://www.reefforum.net/showthread....ight=palytoxin


    Atenciosamente
    Pedro Nuno
    Última edição por Pedro Nuno Ferreira; 11-05-08 às 21:55.


    "I may of course, be egregiously wrong; but I cannot persuade myself that a theory which explains several classes of facts can be wholly wrong"...Tradução: É claro que eu posso estar egregiamente errado; mas não me consigo persuadir de que uma teoria que explica várias classes de factos, possa estar completamente errada"...
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  6. #6
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    Re: Organismos venenosos-perigosos do recife/Reef venomous-dangerous critters

    Mais info mas infelizmente so em English...lol

    http://www.kingsnake.com/toxinology/conotoxins.html

    http://www.aloha.com/~lifeguards/als...html#conesnail

    http://www.scuba-doc.com/hzrdmrnlf.html

    http://www.soc.soton.ac.uk/GDD/hydro...hapter4/2.html

    Eu nunca tive reacao alérgica na minha vida mas isto foi o que aconteceu uma vez quando mexi no aqua e toquei na minha Euphyllia ancora

    "I seem to have been only like a boy playing on the seashore, and diverting myself in now and then finding a smoother pebble or a prettier shell than ordinary, whilst the great ocean of truth lay all undiscovered before me." Sir Isaac Newton


  7. #7
    RF Moderador Avatar de Pedro Nuno Ferreira
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    Exclamation Re: Organismos venenosos-perigosos do recife/Reef venomous-dangerous critters

    Ba noite
    Continuando e sem ter uma ideia fixa de que organismo venenoso iria apresentar a seguir, mantive a prioridade de apresentar os que frequentemente são disponibilizados nas listas de exportação/importação/re-exportação e assim fui visitar um reputado distribuidor Europeu que na sua lista lá tinha disponível um exemplar de Hapalochlaena lunulata que podem ver um exemplar aqui

    http://www.starfish.ch/collection/octopus.html

    aqui dá para perceber o seu tamanho diminuto por comparação com o coral debaixo do qual pretende se esconder







    The saliva of blue-ringed octopuses contains a powerful nerve toxic that blocks nerves from transmitting messages to the brain. The victim's voluntary muscles (involuntary muscles such as the heart, iris and gut lining continue to function) are paralyzed. People die then from lack of oxygen. If mouth to mouth resuscitation is given, the victim recovers fully. Blue-ringed octopuses are shy and not aggressive, they tend to avoid people (not their natural prey - much too big!).
    Citação Postado originalmente por Pedro Nuno Ferreira - Tradução
    A saliva dos polvos de anéis azuis contém uma poderosa neuro toxina que bloqueia a transmissão de mensagens dos nervos ao cérebro. Os músculos voluntários da vitima (músculos involuntários tais como o Coração, a íris, intestinos continuam a funcionar) são paralisados. As pessoas morrem então por falta de oxigénio. Se for ministrada respiração boca a boca/respiração artificial, a vitima recupera integralmente. Os polvos de anéis azuis são tímidos e não são agressivos, tendendo a evitar as pessoas (não são a sua presa natural - demasiado grandes!)
    Como já havia dito noutro tópico

    Citação Postado originalmente por Pedro Nuno Ferreira

    A titulo de exemplo o magnifico polvo Hapalochlaena sp. (=Blue ring octopus - Polvo de anéis azuis - http://en.wikipedia.org/wiki/Blue-ringed_octopus) é pequeno, todo expandido pouco maior que uma mão se tanto, e tem tanto de bonito como de mortal (não se conhece antídoto * sendo capaz de perfurar com a sua lanterna de Aristóteles (bico) um fato com 3mm, já agora fica de aviso a quem pretender comprar deste polvos que aparecem nas listas de importação e não são caros, mas podem custar muito, muito caro....
    Há pelo menos três espécies reconhecidas e todas potencialmente letais:

    http://en.wikipedia.org/wiki/Blue-ringed_octopus

    Citação Postado originalmente por Tradução por Pedro Nuno Ferreira
    Colocada por Wikipedia
    *Veneno

    O polvo de anéis azuis tem o tamanho de uma bola de golfe, mas o seu veneno é suficientemente potente para matar humanos. Não há antídoto.
    O polvo produz veneno que contem tetrodoxina, 5-hydroxytryptamina, hyaluronidase, tyramina, histamina, tryptamina, octopamina, taurina, acetylcolina e dopamina. O componente principal do veneno do polvo de anéis azuis foi originalmente conhecido como maculotoxina mas foi mas tarde verificado ser idêntico à tetrodoxina[1]a neuro toxina que também é encontrada nos peixes balão e búzios cone. A tetrodoxina bloqueia os canais de sódio causando paralisia motora e por vezes paragem respiratória levando á paragem cardíaca devido à falta de oxigénio. A toxina é criada por bactérias nas glândulas salivares do polvo [2].
    O tratamento de primeiros socorros consiste em pressionar sobre a ferida e respiração de salvamento. É essencial se respiração de salvamento for necessária, que seja continuada até que a vitima comece a respirar, o que pode ser algumas horas. O tratamento hospitalar envolve assistência respiratória até que a toxina seja descartada do corpo. Os sintomas variam em severidade, sendo as crianças as que estão em maior risco devido à pequena estatura do seu corpo. A vítima pode ser salva se a respiração artificial iniciar antes que cianose e hipotensão acentuadas se desenvolvam. As vitimas que sobrevivam as primeiras 24 horas geralmente continuam até uma recuperação completa. [3]
    É essencial que suporte respiratório e a tempo inteiro seja dado (por ex: respiração artificial/respiração de salvamento) mesmo se a vítima parece não responder.
    O envenenamento por tetradoxina pode resultar em a vítima estar plenamente consciente do que a rodeia mas incapaz de respirar. Devido à paralisia que ocorre não têm maneira de dar sinal de socorro ou qualquer outro sinal de aflição/perigo. O apoio respiratório juntamente com encorajamentos (NT = tipo: Coragem estamos a conseguir, vais conseguir, aguenta que vais ficar bem, vamos conseguir etc…) até que a ajuda médica chegue, assegura que a vitima geralmente recuperará bem.
    O polvo de anéis azuis é presentemente uma das criaturas marinhas conhecidas mais tóxicas, a seguir à medusa (anteriormente erradamente apelidada de “vespa do mar”). Apesar do seu pequeno tamanho, transporta consigo veneno suficiente para matar 26 humanos adultos em minutos[4]



    As espécies são:
    Hapalochlaena maculosa

    http://en.wikipedia.org/wiki/Souther...ringed_Octopus

    este está preservado mas na ficha que se pode ler através do frasco, diz a moderdura causa paralisia...



    http://www.meerwasserlexikon.de/kopf...1082342164.htm



    Hapalochlaena lunulata

    http://en.wikipedia.org/wiki/Greater...ringed_Octopus



    Hapalochlaena fasciata
    http://images.google.com.br/images?s...ocurar+imagens

    http://www.amonline.net.au/invertebr...ry/octopus.htm



    Mais imagens aqui
    http://images.google.com/images?q=Ha...8&sa=N&ndsp=18

    http://images.google.com.br/images?s...=1&sa=N&tab=wi

    aqui pode-se ver Hapalochlaena maculosa eHapalochlaena lunulata

    http://www.oceanwideimages.com.au/ca...es.asp?cID=329

    Como disse já num outro tópico, o do Mar Vermelho ou Red Sea 2007, local onde estes polvos não ocorrem, as espécies de polvos em causa aparecem nas listas regularmente e são acessíveis, menos de 70 ou 80 euros preço público se não me engano, porém tenham cuidado porque, lembrem-se, podem não ter alguém ao vosso lado conhecedor e com sangue frio suficiente para vos manter vivos até que consigam voltar a fazê-lo por vós próprios. Fiquem Bem

    Atenciosamente
    Pedro Nuno


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    Exclamation Re: Organismos venenosos-perigosos do recife/Reef venomous-dangerous critters

    Ba tarde

    http://www.starfish.ch/collection/octopus.html



    Para completar a informação sobre o polvo de anéis azuis transcrevo a tradução do guia de Ronald L. Shimek, Marine Invertebrates - ISBN 1-890087-66-1 - TFH - pág. 360, em que o autor, possível palestrante... no nosso próximo evento em 2008, diz/alerta para o seguinte:

    Citação Postado originalmente por Ronald L. Shimek, traduzido por Pedro Nuno Ferreira

    Hapalochlaena lunulata
    Polvo de anéis azuis

    Tamanho máximo: Até 25cm em diâmetro
    Distribuição Geográfica: Indo-Pacifico
    Cubicagem mínima do aquário: Pequenos aquários, 0.038m3 (38 litros - 10 Galões Americanos) ou maior.
    Iluminação: Ciclo diurno necessário. Iluminação ténue a moderada.
    Comidas e Alimentação: Prefere comida viva (pequenos peixes ou camarões)
    Adequabilidade para aquário/aquário de recife:
    São venenosos. Potencialmente mortais. Presentemente nenhum antiveneno disponível. Não deve ser mantido por qualquer aquárista amador.
    Cuidados em meio doméstico :Os méritos de de manter um polvo podem ser obtidos sem ter de seleccionar um que vos possa matar. O polvo de anéis azuis já mordeu e matou muitas pessoas, a maioria pescadores em países tropicais e merece a abordagem com o máximo de precaução. Esta espécie de pequenas dimensões caracteriza-se por ter uma tonalidade do corpo que vai de bronze claro a branco, coberto por anéis ou "ocelos" de um azul iridiscente brilhante e intenso que emite cintilação súbita quando o animal está sob tensão (NT: assustado, nervoso...). Pode tornar-se agressivo e é susceptível de morder, injectando maculotoxina na sua vitima; isso pode levar a paralisia rápida e pode ser mesmo fatal dado não existir antiveneno. Manter pequenos polvos é provavelmente a melhor forma de ter um animal de estimação marinho interactivo, mas manter um pequeno polvo de anéis azuis é simplesmente convidar a tragédia a acontecer.


    Citação Postado originalmente por Polvo de aneis azuis - Hapalochlaena sp.
    Eu não sou mau nem vos quero fazer mal, sou engraçado, muito bonito e pequenino...mas sou muito venenoso....

    Não é por maldade sem dúvida mas para se defender, subsistir ou teria sido extinto provavelmente e assim teve de evoluir dotado de "arma" tão poderosa, subtil, não conspícua, silenciosa...o veneno!

    Como disse, re-disse e volto a dizer, as espécies de polvos em causa aparecem nas listas regularmente e são acessíveis, menos de 70 ou 80 euros preço público se não me engano, porém tenham cuidado porque, lembrem-se, podem não ter alguém ao vosso lado conhecedor e com sangue frio suficiente para vos manter vivos até que consigam voltar a fazê-lo por vós próprios... e acrescento...(se conseguirem manterem-se vivos...). Fiquem Bem

    Atenciosamente
    Pedro Nuno


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    Exclamation Re: Organismos venenosos-perigosos do recife/Reef venomous-dangerous critters


    Vamos falar de mais um "benenoso" (venenoso)...obviamente a evitar e que ocorre nas listas de importação e até à "boleia" na Rocha Viva, embora neste caso mais raramente, mas há relatos.

    Conus geographus



    É um gastrópode e pertence a um Género que tem inúmeras espécies reconhecida e comprovadamente venenosas e letais, porém esta espécie, Conus geographus é considerada a mais venenosa e letal de todas, a esse titulo poderão ler no artigo da Nacional Geographic que também é designado pela alcunha do "búzio do cigarro" em alusão de humor negro ao facto de que depois de se ser picado por um destes gastrópodes, a pessoa terá tempo para fumar um cigarro após o que morrerá, ou seja em poucos minutos, os necessários para fumar um cigarro, o veneno actua e provoca a morte.

    http://animals.nationalgeographic.co...one-snail.html

    Citação Postado originalmente por National Gographic

    Geographic Cone Snail Profile

    The incredibly toxic venom of the geographic cone snail has to be strong enough to paralyze instantly. Otherwise, the fish it preys on would swim away to die, and the slow-moving gastropod would have nothing for its efforts.

    Indigenous to the reefs of the Indo-Pacific, geographic cones grow to about 6 inches (15 centimeters) in length and have intricately patterned brown-and-white shells highly prized by shell collectors.

    The geographic cone is the most venomous of the 500 known cone snail species, and several human deaths have been attributed to them. Their venom, a complex concoction of hundreds of different toxins, is delivered via a harpoonlike tooth propelled from an extendable proboscis. There is no antivenin for a cone snail sting, and treatment is limited to merely keeping victims alive until the toxins wear off.

    Ironically, among the compounds found in cone snail venom are proteins which, when isolated, have enormous potential as pain-killing drugs. Research shows that certain of these proteins target specific human pain receptors and can be up to 10,000 times more potent than morphine without morphine's addictive properties and other side effects.
    Citação Postado originalmente por National Geographic traduzido por Pedro Nuno Ferreira

    Perfil do Gastrópode Cone Geográfico

    O veneno incrivelmente tóxico do búzio cone geográfico tem de ser suficientemente forte para paralisar instantaneamente. De outro modo os peixes que depreda nadariam em fuga acabando por morrer e o gastrópode lento não ganharia nada com os seus esforços

    Natural dos recifes do Indo-Pacifico, os cones geográficos crescem cerca de 15 centímetros (6 polegadas) em comprimento e têm um padrão intrincado de castanho e branco nas conchas que são muito apreciadas pelos coleccionadores de conchas.

    O cone geográfico é o mais venenoso das 500 espécies conhecidas de búzios cone e várias mortes humanas têm-lhe sido atribuidas. O seu veneno, uma mistura complexa de centenas de toxinas diferentes, é injectado via um dente tipo arpão lançado do probóscis extensível. Não há anti veneno para a picada de um búzio cone e o tratamento fica reduzido a meramente manter as vitimas vivas até que as toxinas sejam eliminadas.

    Ironicamente, entre os componentes encontrados no veneno do búzio cone, estão proteínas que quando isoladas têm enorme potencial como analgésicos. A pesquisa demonstrou que algumas dessas proteínas visam um receptores específicos de dor humanos e podem ser até 10000 vezes mais potentes do que a morfina sem ter as propriedades viciantes da morfina e outros efeitos secundários.
    Citação Postado originalmente por National Geographic

    Fast Facts
    Type: Invertebrate
    Diet: Carnivore
    Size: 4 to 6 in (10 to 15 cm)
    Did you know? The geographic cone is nicknamed the "cigarette snail," a humorous exaggeration meaning a person stung by one would have enough time to smoke a cigarette before dying.
    Size relative to a tea cup:
    Citação Postado originalmente por National Geograhic traduzido por Pedro Nuno Ferreira

    Factos rápidos
    Tipo: Invertebrado
    Dieta: Carnívoro
    Tamanho: 10 a 15 cm (4 a 6 polegadas)
    Sabiam que? o cone geográfico é alcunhado de "búzio do cigarro", um exagero humorístico que significa que uma pessoa picada por um, teria tempo suficiente para fumar um cigarro antes de morrer.
    Tamanho relativamente a uma chávena de chá:

    aqui podem ler mais

    http://en.wikipedia.org/wiki/Cone_snail

    Citação Postado originalmente por wikipedia
    One species, the Geography cone, Conus geographus, is also known colloquially as the "cigarette snail," in the belief that the victim will have only enough time to smoke a cigarette before perishing. Especially in the case of these larger species of cone snail, the harpoon can penetrate gloves or even wetsuits. Symptoms of a cone snail sting include intense pain, swelling, numbness and tingling. Symptoms can start immediately or can be delayed in onset for days. Severe cases involve muscle paralysis, changes in vision and respiratory failure that can lead to death. There is no antivenom, and treatment involves providing life support until the venom is metabolised by the victim.
    Citação Postado originalmente por Wikipedia - tradução por Pedro Nuno Ferreira
    Uma espécie, o Cone Geográfico, Conus geoographus, é também conhecida coloquialmente por "o búzio do cigarro" em convicção de que a vitima terá apenas tempo suficiente para fumar um cigarro antes de perecer. Especialmente no caso destas grandes espécies de búzio cone, o arpão pode penetrar luvas ou até fatos húmidos.
    Os sintomas da picada de um búzio cone incluem dor intensa, inchaço, dormência e zumbidos/formigueiros. Os sintomas podem começar imediatamente ou podem ser atrasados logo no inicio durante dias. Os casos mais severos envolvem paralisia dos músculos, alterações na visão e falha respiratória que podem levar à morte. Não há antiveneno e o tratamento envolve providencia suporte de vida até que o veneno seja metabolizado pela vitima.
    citando Ronald L. Shimek para completar a informação sobre o Conus geopgraphus transcrevo a tradução do guia Marine Invertebrates - ISBN 1-890087-66-1 - TFH - pág. 325, em que o autor, possível palestrante... no nosso próximo evento em 2008, diz/alerta para o seguinte:

    Citação Postado originalmente por Ronald L. Shimek, traduzido por Pedro Nuno Ferreira

    Conus Geographus, Conus striatuse vários outros
    Búzios cone comedores de peixes

    Tamanho máximo: Até 13cm de comprimento (5 polegadas)
    Distribuição Geográfica: Mares tropicais
    Cubicagem mínima do aquário: Aquários moderados, 0.190m3 (190 litros - 50 Galões Americanos) ou maior.
    Iluminação: Imaterial
    Comidas e Alimentação: Predador de peixes
    Adequabilidade para aquário/aquário de recife: Excepcionalmente perigosos; Nunca deveriam ser mantidos por qualquer aquarista amador.
    Cuidados em meio doméstico :Se for picado por um destes búzios há uma grande possibilidade de que morra. O veneno é de acção rápida e não há antiveneno. Se forem mantidos cones comedores de peixes num aquário com leito de areia profundo, é muito fácil de não ver os seus pequenos probóscis estendidos a partir da areia. Felizmente este búzios são facilmente reconhecidos. As suas aberturas na concha tendem a brilhar amplamente na extremidade estreita da concha. Além disso as suas conchas são frequentemente coloridas com padrões mosqueados/sarapintados ou em divisa, tipicamente castanho ou cor de castanha sobre branco ou bronze claro. Este padrão também é encontrado em outros cones não letais, mas é melhor jogar pelo seguro. Podem ser recolhidos usando um par de tenazes ou alicates para agarrar a parte frontal. Eliminar humanamente pelo congelamento.


    Acrescento que embora raro, há relatos e assim são um tipo de búzios que podem vir à "boleia" na rocha viva, tal como muitos outros organismos e há que exercer cautela ao manusear rocha viva recém importada, por exemplo.
    Quanto a fumar pois obviamente que só posso desaconselhar vivamente e mais ainda se for o último cigarro por não terem tempo de vida para fumarem mais ou tempo de vida para deixarem de fumar por vontade própria e desfrutarem da vida em pleno...


    mais imagens de Conus geographus
    http://images.google.com/images?ie=U...=1&sa=N&tab=wi

    outras espécies de búzios Conus
    http://images.google.com/images?svnu...ocurar+imagens

    Citação Postado originalmente por Conus Geographus
    ...eu tenho uma concha muito bonita que é muito apreciada por muitos humanos que a guardam como tesouro, sou lento e por isso para poder comer e viver tenho um veneno muito potente que vos pode matar, embora vós não sejais o meu alimento e eu não vos queira mal, mas é a minha natureza...
    Atenciosamente
    Pedro Nuno

    P.S.: este poderá ser um dos equipamentos a ter por perto para manter em vida, seja neste caso, seja noutros entretanto já apresentados ou a apresentar:
    Ventilador manual

    Última edição por Pedro Nuno Ferreira; 03-10-07 às 02:34.


    "I may of course, be egregiously wrong; but I cannot persuade myself that a theory which explains several classes of facts can be wholly wrong"...Tradução: É claro que eu posso estar egregiamente errado; mas não me consigo persuadir de que uma teoria que explica várias classes de factos, possa estar completamente errada"...
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  10. #10
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    Re: Organismos venenosos-perigosos do recife/Reef venomous-dangerous critters

    muito bom este topico, mas agora fiquei interesado num desses polvos tao bonitos e pequeninos

    por acaso desconhecia a existencia do tal polvo, mas agora fiquei com "agua na boca", se nao fosse tao venenoso, talvez fizese um esforço para obter um exemplar desses

  11. #11
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    Exclamation Re: Organismos venenosos-perigosos do recife/Reef venomous-dangerous critters

    Citação Postado originalmente por Nuno Filipe Vaz da Silva
    muito bom este tópico, mas agora fiquei interessado num desses polvos tão bonitos e pequeninos

    por acaso desconhecia a existência do tal polvo, mas agora fiquei com "agua na boca", se não fosse tão venenoso, talvez fizesse um esforço para obter um exemplar desses
    Viva
    ....embora nem sempre, a sorte protege os audazes, agora os que brincam com a sorte normalmente acabam sem sorte...

    Ainda bem quer te interessas por saber mais e melhor e tens bom senso, ponderação. O recife tem mais "jóias" que podes manter sem pores a vida em risco....

    Atenciosamente
    Pedro Nuno


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  12. #12
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    Exclamation Re: Organismos venenosos-perigosos do recife/Reef venomous-dangerous critters

    Viva

    Viva
    Continuando com mais animais perigosos que se podem encontrar tanto nas nossas águas, particularmente nos Açores como na RV de que há já vários relatos aqui no fórum e que se deve evitar tocar, desta vez trago os vermes de sedas ou de cerdas, mais conhecidos por vermes de fogo

    Vendo esta magnífica fotografia http://olhares.aeiou.pt/verme_de_fogo/foto424705.html pode-se pensar estar perante um animal sedoso e até divertido, mas a realidade é bem diferente... As sedas ou cerdas que se vê e têm um aspecto macio, são na realidade espinhos muito finos que se alojam e entranham no corpo, como os da opuntia microdasys http://upload.wikimedia.org/wikipedi...angelwings.jpg, além do que inoculam veneno!!!

    Neste excelente artigo de Frederico Cardigos, O Verme-do-Fogo podem ver o verme Hermodice carunculata que é muito abundante nas águas dos Açores. Abaixo transcrevo as recomendações que o autor dá sobre os cuidados a ter

    Citação Postado originalmente por Frederico Cardigos
    Todas as poliquetas possuem em cada segmento um par de órgãos chamados de parápodes. Os parápodes podem assumir funções diferentes conforme a espécie de poliqueta. No caso do verme-do-fogo, cada anel ou segmento possui sedas ocas e brancas, as quais possuem veneno no seu interior e que servem para defesa ou ataque. As sedas possuem minúsculos arpões na extremidade que, no caso de um ataque, penetrarão e permanecerão no corpo da vítima, destacando-se do verme-do-fogo. Para ocorrer libertação de sedas não é necessário contacto, basta aumentar o stress a que a poliqueta está sujeita. Mesmo para os seres humanos, a dor causada pelo toque num verme-do-fogo pode ser muito elevada, causando irritação intensa da pele e ardor (daí o nome de verme-do-fogo). No caso de tocar num verme-do-fogo pode tentar remover algumas das sedas colocando e retirando adesivo sobre a parte da pele exposta. A lavagem com álcool também pode aliviar a dor, mas o melhor mesmo é não lhes tocar!
    Abaixo transcrevo um relato de um amigo meu, o Hugo Oliveira sobre um incidente a que assisti porque o coral que ele estava a recolher era para mim…Na altura expliquei-lhe o que lhe tinha acontecido e o coral acabou por lá ficar bem como o verme que trazia dissimulado qual “brinde” do bolo rei…

    Citação Postado originalmente por Hugo Oliveira
    Também já fui picado por um enquanto pegava num coral, o verme encontrava-se por baixo da pedra desse coral mesmo onde eu pus os dedos para pegar, realmente senti algo "fofo" mas senti as picadas (sim com tantos picos), certo é que deu reacção de uma dor fina e constante nos dedos atingidos durante umas 6 horas seguintes, mesmo tendo passado por água doce no momento
    aqui coloco um relato de uma outra experiência negativa com um destes vermes vivida por um mergulhador, o Pedro1960 membro do fórum de mergulho que é nosso fórum parceiro

    Citação Postado originalmente por Pedro1960 - Fórum de Mergulho - www-forum-mergulho.com
    Há semanas atrás, em cabo Verde, ao tirar uma foto pus a pata em cima dum verme-de-fogo do tamanho de meu dedo mindinho + ou -.
    As picadas apanharam-me 2 dedos e a dor foi forte e imediata. Durou umas 3 horas diminuindo de intensidade e passou para irritação que durou para aí umas 2 semanas.
    isto tudo, a pôr diligentemente anti-alérgico.
    A pele ficou com cor acastanhada nessa zona e com bolhas durante cerca de 1 mês.

    Agora basta imaginar que isto tinha acontecido com um bicho com um palmo de tamanho como vi lá e nos açores...

    O verme que se vê abaixo, será um Eurythoe, complanata



    e viveu no meu sistema de recife cerca de um ano e meio e terá chegado “clandestino” ou à "boleia" na rocha viva ou na base de um coral, ainda pequenino, podem ler mais aqui Eurythoe complanata?! Quem identifica?. Eu sabia da sua existência porque o descobri e vi várias vezes, sempre de madrugada, e sabia o perigo que representava não só pelas sedas/cerdas venenosas como por ser um sério predador, mas fui deixando estar até que a sua dimensão de cerca de 40 cm, perigo crescente que representava, e a oportunidade de o recolher me levou a fazer tal - surpreendi-o em plena madrugada a evoluir tranquilamente em espaço aberto, como se pode ver na primeira imagem que foi tirada em total obscuridade, ou seja, disparar sem saber se sai ou não algo de jeito, mas parece que saiu e dá para ver a dimensão do bicho - e assim retirei-o.











    Como explica Frederico Cardigos, existem vários Géneros destes vermes que aqui não vou explorar mas deixo mais alguma informação

    Amphinomidae

    aqui mais um tópico bem recente Minhoca Cabeluda? Capturada

    Se mergulharem ou virem estes animais nos vossos sistemas de recife ou até nas poças de maré, não se deixem enganar pelo aspecto sedoso e aveludado que podem exibir e não lhes toquem, mesmo que estejam com luvas porque se as luvas vos protegerem podem ficar com sedas/cerdas agarradas e quando as tirarem uma das mãos irá retirar uma das luvas sem protecção e nessa altura pode tocar em sedas/cerdas que tenham ficado presas na luva.
    Estes animais são bons detritivoros mas também são predadores em maior o menor escala e são venenosos

    Atenciosamente
    Pedro Nuno


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  13. #13
    Convidado de RF Avatar de Matias Gomes
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    Re: Organismos venenosos-perigosos do recife/Reef venomous-dangerous critters

    temos algo em nossos reef que todos não se dão conta, as RVs são perigosas.
    Texto e fotos da Net

    Infecções
    As infecções bacterianas podem ser causadas por
    várias espécies, incluindo as mesmas bactérias que causam
    infecções em terra firme, como os estafilococos e estreptococos
    (o que ocorre na maioria dos casos) É necessário terse
    em mente que pequenos arranhões ou abrasões podem
    ser suficientes para causar graves infecções, com ocasional
    risco de vida
    Bactérias altamente patogênicas também são encontradas
    no "caldo de cultura" que são as águas de um aquário.
    Entre elas, é possível isolar espécies de Pseudomonas,
    Clostridium perfringens e tetani (causam a gangrena gasosa
    e o tétano), Aeromonas hydrophila, mais encontrada em
    água doce e bactérias do gênero Vibrio, especialmente
    Vibrio vulnificus, comuns na água do mar As bactérias dos
    gêneros Aeromonas e Vibrio são adquiridas em contato com
    a água e podem causar infecções gravíssimas, manifestando-
    se por septicemias já em fases precoces da infecção e
    causando falência dos órgãos e sistemas, e morte. Essas
    infecções são mais comuns em indivíduos diabéticos ou
    com outras doenças que cursam com imunodeficiências e,
    felizmente, não são observadas com freqüência O erisipelóide
    é uma celulite causada pelo Erysipelothrix rhusiopathiae,
    bactéria Gram-positiva que raramente provoca efeitos
    sistêmicos. Infecções mais raras são causadas por
    Mycobacterium marinum, que provoca lesões verrucosas,
    linfangite ou úlceras de difícil cicatrização no local de um
    pequeno ferimento Algumas infecções causadas por fungos
    também podem estar associadas a traumas ocorridos em
    ambientes aquáticos, como a esporotricose, uma micose sistêmica
    grave.
    No período de três anos (janeiro de 2000 a dezembro
    de 2002) foram observados e registrados acidentes em pessoas
    que mantinham aquários em suas casas e que relatavam
    histórias de associação com infecções e acidentes por animais
    aquáticos com traumas em aquários, quando da limpeza
    do ambiente, alimentação dos animais ou sua manipulação.
    Esses pacientes foram examinados no Hospital das
    Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu e no
    Hospital Vital Brazil (Instituto Butantã).Os exames laboratoriais
    para comprovação da etiologia infecciosa foram realizados
    sempre que existiram sinais e sintomas infecciosos,
    tais como febre, mal-estar, secreção purulenta local e edema
    e eritema extensos, sendo utilizados culturas para bactérias,
    fungos e antibiograma. Nos acidentes por animais venenosos
    ou traumatizantes o diagnóstico foi fornecido pela história
    do paciente e pelo quadro clínico apresentado.

    Todas as infecções ocorreram em aquários domésticos
    e não foram graves, embora se manifestassem por malestar,
    febre, edema e eritema locais. Em um caso, surgiram
    bolhas sobre as placas eritêmato-edematosas. O diagnóstico
    dos pacientes foi de erisipela por Staphylococcus aureus em
    cinco casos, o que foi comprovado pela cultura do microorganismo
    (Figura 1). O exame clínico mostrou que os traumas
    que serviram de porta de entrada aconteceram dentro
    da água de aquários em 100% da amostragem e sempre nas
    mãos ou dedos, com predominância do lado direito. O tratamento
    foi efetuado com sucesso usando-se cefalexina
    2g/dia por via oral, durante 10 dias.

    esa foto de um aranhão em uma rv eu já coloquei aqui.

    Matias
    Ilhabela
    Brasil
    MSN matias-ilhabela@hotmail.com

  14. #14
    RF Moderador Avatar de Pedro Nuno Ferreira
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    Exclamation Re: Organismos venenosos-perigosos do recife/Reef venomous-dangerous critters

    Viva
    Já há algum tempo que não apresentava mais animais venenosos e aproveitando uma certa procura que se verifica ultimamente, apresento os peixes do Género Siganus que são boas adições para combater e manter sob controlo ou mesmo erradicar várias espécies de algas nocivas aos sistemas de recife. Pessoalmente já tive dois Siganus (Lo) vulpinus durante a primeira metade da década de 90 num sistema só de peixes que tive, e de facto eram "maquinas" de comer algas. Entre outras, têm a reputação de comer a a alga Valónia. São peixes calmos, bonitos, meigos até, mas não se iludam porque são venenosos e assim sendo como são uma excelente adição aos sistemas de recife para combater as algas, há que exercer cuidado no seu manuseamento ou quando se efectua manutenção porque assustado pode fazer um movimento brusco e espetar os espinhos venenosos que possui na barbatana dorsal e na barbatana anal.

    Siganus vulpinus

    Do Ricardo e do Vasco Santos


    Do Carlos Basaloco


    neste excelente artigo da ReefKeeping, pode-se conhecer as outras espécies do género e mais informações sobre as mesmas, de que destaco a relativa ao aspecto venenoso dos mesmos

    Henry C. Schulz III] Rabbitfish possess two defensive mechanisms, though one is arguably more effective at getting their "point" across. First, all rabbitfish have the ability to camouflage themselves when in the time of need. Such times would include when threatened, sleeping, or anytime the fish wishes to blend into its surroundings. This "fright" color stage is rather similar throughout the family. It will consist of six dark and six pale zones of color. The zones will be irregularly shaped, and descend downward along the body. A brown bar also passes through the eye with three additional dark bars passing across the isthmus and thorax. When the "camo" fails the fish, the poisonous spines will definitely be adequate defense. The fish delivers the venom via one or more of its twenty-five spines. The spines, when viewed as a cross-section, appear shaped as a "Y," with the leg of the "Y" facing anteriorly. The venom is stored in glands located in the distal third of the "Y" (Halstead and Courville, 1970). The spines are not hollow, and there are no special venom storage sacs. The venom enters the victim once the spine is traumatized by the puncture (Woodland, 1990).
    Citação Postado originalmente por Pedro Nuno Ferreira - Tradução
    Os peixes do Género Siganus possuem dos mecanismos defensivos, embora um seja discutivelmente mais eficiente em ser bem sucedido. Em primeiro lugar todos os peixes do Género Siganus têm a capacidade de se camuflarem em momentos de necessidade. Tais momentos incluem ser ameaçados, dormir, ou em qualquer altura que o peixe deseje se confundir com o meio que o rodeia. Este estádio de cor de “medo” é bastante semelhante em toda a Família. Consiste em seis zonas de cor escura e de cor pálida. As zonas terão forma irregular e descem ao longo do corpo. Uma barra castanha também passa pelo olho com três barras escuras adicionais que passam pelo istmo e tórax. Quando a camuflagem trai o peixe, as espinhas venenosas são a defesa definitivamente adequada. O peixe inocula o seu veneno através de uma ou mais das suas vinte e cinco espinhas. As espinhas quando vistas em corte, surgem na forma de “Y”, com a perna do Y virada na direcção anterior. O veneno é armazenado em gandulas localizadas no terço distal do “Y” (Halstead e Courville, 1970). As espinhas não são ocas e não há sacos especiais de armazenamento de veneno. O veneno penetra na vitima assim que a espinha é traumatizada pelo furo (Woodland, 1990)
    The infliction can most likely be compared to a Bee or Wasp sting. Initial pain is intense, usually persisting for several hours. Swelling and soreness may remain for several days. In the case of puncture wounds from several spines, swelling of the lymph nodes has been indicated. Nonetheless, it is probably prudent to seek immediate medical attention if you happen to get stung by your pet rabbitfish. For those curious, incidents of Ciguatera poisoning is rare, though not unheard of in Siganids. For those unfamiliar, Ciguatera poisoning is usually associated with bottom-dwelling shore reef fish; it the most common fish-borne seafood intoxication. These fish feed on toxic dinoflagellates and the causative agent, ciguatoxin, becomes concentrated in the meat of these fish. Humans eat the meat, and the ensuing sickness is called Ciguatera poisoning. Severe reactions can lead to seizures and respiratory paralysis (Raiklin-Eisenkraft and Bentur, 2002).
    Citação Postado originalmente por Pedro Nuno Ferreira - Tradução
    Os peixes do Género Siganus possuem dos mecanismos defensivos, embora um seja discutivelmente mais eficiente em ser bem sucedido. Em primeiro lugar todos os peixes do Género Siganus têm a capacidade de se camuflarem em momentos de necessidade. Tais momentos incluem ser ameaçados, dormir, ou em qualquer altura que o peixe deseje se confundir com o meio que o rodeia. Este estádio de cor de “medo” é bastante semelhante em toda a Família. Consiste em seis zonas de cor escura e de cor pálida. As zonas terão forma irregular e descem ao longo do corpo. Uma barra castanha também passa pelo olho com três barras escuras adicionais que passam pelo istmo e tórax. Quando a camuflagem trai o peixe, as espinhas venenosas são a defesa definitivamente adequada. O peixe inocula o seu veneno através de uma ou mais das suas vinte e cinco espinhas. As espinhas quando vistas em corte, surgem na forma de “Y”, com a perna do Y virada na direcção anterior. O veneno é armazenado em gandulas localizadas no terço distal do “Y” (Halstead e Courville, 1970). As espinhas não são ocas e não há sacos especiais de armazenamento de veneno. O veneno penetra na vitima assim que a espinha é traumatizada pelo furo (Woodland, 1990)
    A picada pode ser bem comparada a uma picada de abelha ou vespa. A dor inicial é intensa, habitualmente persistindo por algumas horas. Inchaço e ulceração podem permanecer durante vários dias. No caso de feridas resultantes de picadas de várias espinhas, tem sido indicado inchaço dos nódulos linfáticos. De qualquer modo é prudente procurar imediatamente por cuidados médicos se por acaso forem picados pelo vosso peixe. Para os curiosos, incidentes de envenenamento por Ciguatera são raros, embora não deixe de se ouvir sobre os mesmos relativamente a Siganidae. Para os que possam não o saber, envenenamentos por Ciguatera são habitualmente associados com peixes de fundo costeiros. É a intoxicação alimentar resultante de comer peixe, mais conhecida. Estes peixes alimentam-se de dinoflagelados tóxicos e o agente causador, ciguatoxina, concentra-se na carne destes peixes. Os Humanos comem a carne e a doença que se lhe segue chama-se envenenamento por Ciguatera. Reacções graves podem levar a colapsos e paralisia respiratória (Raiklin-Eisenkraft e Bentur 2002)
    neste outro artigo pode-se ler

    Handling
    Siganus vulpinus have venomous anal and dorsal fin rays that can inflict painful wounds. However, these poisonous rays are used only in defense so do not handle these fish with your hands. Avoid netting whenever possible because their fins and spines can easily become entangled causing them injury and freeing the fish could cause you to become accidentally punctured by a venomous ray. Capture them by chasing them into a plastic container or bag.
    Citação Postado originalmente por Pedro Nuno Ferreira - Tradução
    Os Siganus vulpinus têm raios (=espinhas) das barbatanas dorsal e anal, venenosos que podem infligir feridas dolorosas. Contudo este raios (=espinhas) são apenas usados em defesa, assim não manuseiem estes oeixes com as vossas mãos. Eviter de recolher em rede porque as suas barbatanas e espinhas podem podem facilmente se emaranhar causando-lhes ferimentos e assustar o peixe pode fazer com que vocês sejam feridos acidentalmente por um raio (=espinha) venenoso. Recolham-nos enxotando-os para dentro de um contentor de plástico ou saco.
    Isto como tenho dito, não é para alarmar ou assustar, mas sim para informar, esclarecer, ajudar....Comprem e mantenham estes magníficos peixes do Género Siganus mas tenham cuidado e não se lembrem de lhes fazer uma festinha porque vos vieram comer à mão...é que um dia pode correr mal

    Atenciosamente
    Pedro Nuno


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  15. #15
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    Re: Organismos venenosos-perigosos do recife/Reef venomous-dangerous critters

    Bem espero contribuir com esse tópico, assim tenho um artigo sobre animais marinhos - peçonhentos

    SERES MARINHOS PERIGOSOS

    Animais Peçonhentos I


    Texto de Marcelo Szpilman*
    Dando continuidade às matérias sobre os Seres Marinhos Perigosos, iniciada no último Informativo com os "Animais Mordedores", apresentaremos os animais peçonhentos divididos em três matérias, por tratar-se de um grupo muito grande. Neste grupo encontraremos animais providos de mecanismos naturais de defesa que entram em ação apenas quando estes são importunados, não havendo a possibilidade de o homem ser passivamente atacado e inoculado com a peçonha. Antes de iniciarmos o assunto, cabe um esclarecimento a respeito da diferença entre peçonha e veneno. Peçonha: é uma substância qualquer de origem animal, produzida por uma glândula, capaz de alterar o metabolismo de outro animal quando inoculada. (Exemplo: peixes peçonhentos como o bagre, o mangangá e a raia.) Na verdade, quando uma pessoa morde uma outra, sua saliva pode atuar como uma peçonha, apesar de sua baixa agressividade. Veneno: é uma substância de origem animal, vegetal ou mineral. Porém, não é produzida por nenhuma glândula nem é inoculada naturalmente. Os peixes venenosos são aque-les que produzem envenenamento, ou intoxicação, quando ingeridos ainda frescos, pois apresentam secreções tóxicas em seus organismos. (Exemplo: baiacu.) As conseqüências ocasionadas por uma peçonha estão diretamente correlacionadas à sua potência, quantidade inoculada, e peso e condições físicas da vítima. Provocam desde uma simples irritação à reações de extrema dor. Embora raros, os casos fatais advém, em grande parte, do choque e posterior afogamento. Assim, é importante retirar a vítima da água imediatamente após o ocorrido. De uma forma geral, não deve-se tocar, manusear ou importunar os seres marinhos desconhecidos, evitando-se os animais com formas e, principalmente, cores exóticas, que é a sinalização da natureza para o perigo. No grupo dos invertebrados marinhos peçonhentos encontraremos vários animais distribuídos em diversos ramos, como os poríferos (esponjas), os celenterados (caravelas, águas-vivas, corais, etc), os equinodermos (ouriços), os moluscos (conus e polvos) e os anelídeos (poliquetas). Os vertebrados marinhos peçonhentos são representados por algumas espécies de peixes, como o mangangá e o bagre.
    Esponjas

    Essencialmente marinhas, dos mares árticos até os tropicais, vivem desde a linha de maré baixa até profundidades de 6.000 metros. Incapazes de movimento e com o aspecto semelhante ao de várias plantas, apresentam o corpo poroso com formato e coloração variados e tamanhos que vão de 1 mm a 2 m de diâmetro. Fixam-se a rochas, conchas e outros objetos sólidos. Apresentam um esqueleto de sustentação formado de fibras irregulares de espongina __ escleroproteína contendo enxôfre, daí o odor desagradável após algum tempo fora da água __, combinadas com espículas calcárias (esponjas calcárias) ou silicosas (esponjas de vidro). A título de curiosidade, a esponja comercial, usada no banho, é o esqueleto flexível (espongina) de uma esponja marinha com todas as partes vivas retiradas. Em algumas espécies, mais evoluídas, as espículas estendem-se para fora da superfície do corpo produzindo uma aparência cerdosa. Seu epitélio externo, formado por células finas e chatas, pode secretar substâncias químicas irritantes (peçonha) para a pele humana.


    Aspectos Médicos

    O resultado de um contato com as espécies mais perigosas, onde suas espículas penetram na pele com a conseqüente inoculação da peçonha, é uma dermatite desagradável e/ou dolorosa (reações alérgicas e/ou inflamatórias).

    Prevenção

    Para evitar acidentes com as esponjas-marinhas, na verdade não muito comuns, recomenda-se o uso de luvas para o manuseio destes animais. A roupa de neoprene dos mergulhadores protege em caso de contato brusco.

    Tratamento

    O tratamento da lesão causada pela esponja visa eliminar os efeitos da dermatite e se resume às medidas abaixo descritas. Irrige a região afetada com ácido acético à 5% (vinagre) por 10 a 15 minutos. Após essa aplicação, seque a pele. Depile o local afetado com esparadrapo ou lâmina, para remover a maior parte das espículas que possam estar encravadas na pele. Repita o tratamento com ácido acético à 5% por 5 minutos. Aplique uma camada fina de loção de hidrocortisona 0,5 a 21%, 2 vezes ao dia, até que a irritação desapareça. Não inicie o tratamento com a aplicação de hidrocortisona antes do ácido acético. Nas manifestações alérgicas graves, com formação de grande edema, flictenas e fortes dores locais, administre medicação sistêmica (antihistamínicos e/ou corticosteróides), de acordo com a gravidade do caso. Caso haja sinais de instalação de infecção, suspenda os corticóides e administre antibióticos com ampla cobertura para germes gram-positivos e anaeróbios principalmente (penicilinas).

    Ouriços

    Endêmicos em várias regiões do mundo, são encontrados principalmente nas áreas costeiras, como os costões e praias, em especial nas rochas, no lodo e na areia. O corpo, que na grande maioria tem de 6 a 12 cm de diâmetro (sem contar os espinhos), é esférico e sua superfície apresenta pés ambulacrários, utilizados na apreenção e locomoção, brânquias (pápulas pequenas e moles), pedicelárias e espinhos pontiagudos. Os espinhos são móveis e estão dispostos com relativa simetria, sendo um pouco maiores no equador e diminuindo para os pólos. Um espinho comum, formado por um único cristal de calcita, é afilado, ôco, quebradiço e não apresenta nenhuma glândula produtora de peçonha, mas pode possuir uma capa mucosa protetora contendo uma substância irritante. O contato brusco é acompanhado normalmente pela penetração do espinho na pele, produzindo desde uma ferida semelhante à ocasionada por uma "farpa" até uma lesão dolorosa e grave. As pedicelárias (pedúnculo longo e flexível cuja ponta apresenta três mandíbulas opostas e articuladas), características de todos os ouriços, apresentam-se de vários formas. O tipo mais perigoso, chamada de globífera, possui glândulas de peçonha __ sua função principal é a defesa. As mandíbulas são rodeadas por sacos de peçonha e, após cravá-las em algo, podem inocular sua vítima exercendo rápido efeito paralisante sobre pequenos animais.

    Aspectos Médicos

    A penetração de espinhos na pele humana pode, nos casos mais sérios, ocasionar dor, edema e infecção. Uma picada de uma pedicelária pode produzir dor irradiada, parestesia e distúrbios respiratórios. A dor costuma diminuir após 15 minutos e desaparecer depois de uma hora. Felizmente, os acidentes com pedicelárias no Brasil são raríssimos.

    Prevenção

    De hábitos costeiros, em águas relativamente rasas com fundo coralino e/ou rochoso, permanece entocada A penetração dos espinhos é algo bastante familiar para os mergulhadores que costumam, ao olhar as tocas, apoiar-se nas pedras do fundo. Roupas de neoprene, luvas e nadadeiras não dão proteção efetiva contra os espinhos em um contato brusco. Por isso, os mergulhadores devem observar atentamente as pedras do fundo antes de se apoiar. O mesmo cuidado devem ter os banhistas ao andarem descalços nas áreas habitadas pelos ouriços. Ao manusear um ouriço procure sempre usar luvas, pois apenas a pele nua é capaz de sofrer uma picada de uma pedicelária.

    Tratamento

    O tratamento da ferida ou lesão provocada pela penetração de um espinho varia de acordo com a profundidade da penetração e área do corpo envolvida. Por quebrarem facilmente, a tarefa de removê-los pode tornar-se complicada, sendo por vezes necessário procedimentos cirúrgicos com anestesia local. Outras vezes, os espinhos podem permanecer no local por meses ou mesmo migrar para outros locais, sem apresentar maiores reações do organismo. A primeira medida a ser tomada, quando a penetração é superficial, é tentar remover os espinhos como se faz com uma farpa qualquer. O debridamento cirúrgico deve ser realizado quando a penetração é profunda, devido à friabilidade do espinho. Se houver penetração em uma articulação, ou próximo dela, deve-se tirar uma radiografia e removê-lo cirurgicamente. Do contrário, poderão ocorrer complicações futuras como processos inflamatórios crônicos. Após a remoção de todo o espinho deve-se então fazer uma cuidadosa limpeza da ferida, lavando e esfregando-a bem com sabão. (A mancha roxa ou preta que muitas vezes permanece no local, após a remoção do espinho, pode não significar necessariamente a existência de um pedaço do mesmo, uma vez que pigmentos soltos pelo espinho podem impregnar a ferida, sem maiores conseqüências.) Não suture a ferida devido ao risco de uma infecção posterior. Ocorrendo infecção, será necessário compressas quentes e antibioticoterapia. Havendo dor, banhe a ferida em água quente à 50o C para diminuí-la, o que costuma ocorrer cerca de 30 à 60 minutos após. A adição de sulfato de magnésio pode diminuir esse tempo, devido às suas propriedades anestésicas. As reações alérgicas podem ser controladas com adrenalina, anti-histamínicos e corticoisteróides.

    Poliquetas

    São vermes segmentados, comuns ao longo da costa brasileira, encontrados nos fundos arenosos e rochosos, geralmente sob as pedras ou enterrados na areia. Podem medir de 0,10 a 1,50 metros de comprimento. A cabeça apresenta apêndices sensitivos (pequenos tentáculos) e uma faringe protrátil com duas mandíbulas contendo dentes córneos. Cada segmento do corpo possui um par de parapódios laterais chatos com dois lobos, cada um contendo um cirro e um feixe de diversas cerdas filiformes. As cerdas de algumas espécies, que podem ser longas e apresentar cores irradiantes, provocam reações urticantes ao penetrar na pele humana. Algumas espécies, tidas como predadoras vorazes, são capazes de infligir uma mordida bastante dolorosa. Porém, acidentes desse tipo são raros no Brasil e pouco comuns em outros países. No entanto, ainda não está definido se há e qual o tipo de peçonha envolvida na mordida desses animais.

    Aspectos Médicos

    A penetração das cerdas de algumas espécies pode produzir inflamação, intenso prurido, edema, infecção e parestesia por alguns dias. Acredita-se que essas reações possam estar correlacionadas com a urina desses animais, já que abaixo de cada parapódio lateral há um nefridióporo. A pequena ferida provocada pela mordida pode tornar-se quente e edemaciada, permanecendo assim por um ou dois dias. O edema pode evoluir para parestesia e prurido.

    Prevenção


    Procure ter atenção ao mexer ou revolver a areia ou as pedras do fundo. Tenha muito cuidado ao manusear um poliqueta. Luvas grossas devem ser usadas para essas tarefas, pois evitam a penetração das cerdas ou mordidas.

    Tratamento

    O tratamento da mordida é sintomático, ou seja, por não se conhecer se há e qual o tipo de peçonha envolvida, o tratamento deverá ocorrer de acordo com os sintomas apresentados. As cerdas grandes e visíveis devem ser removidas com o uso de pinças. Para as menores consegue-se melhores resultados aplicando fitas adesivas na pele e puxando-as. Depois desses procedimentos deve-se aplicar ácido acético a 5% (vinagre), amônia diluída ou pasta de gluconato de cálcio para diminuir a dor e a irritação. Loções e cremes anestésicos podem ser úteis. Havendo reação inflamatória severa deve-se utilizar corticosteróide tópico ou sistêmico. Antibióticos devem ser empregados apenas se houver infecção secundária.

    Conus

    Esses moluscos são encontrados junto aos fundos rochosos e/ou coralinos, em várias profundidades e por todo o litoral brasileiro. Seu corpo fica contido e enrolado dentro de uma única concha em espiral, cônica e assimétrica, medindo de 2 a 15 cm, com coloração bastante variada e exótica. Esses animais presentam duas estruturas características que são projetadas para fora da concha pelo lado mais fino desta: um tubo com formato de sifão, para "provar" a água e detectar suas presas, e uma probóscide (pequena tromba) para capturá-las. Esta última carrega um peçonhento dente radular ou dardo __ pequena estrutura oca, com cerca de 1,5 mm de comprimento __ que é lançado e imobiliza pequenos peixes e outras presas menores. Momentos antes de lançá-lo, a peçonha é impulsionada para dentro do dardo. Esse é então liberado na faringe e levado para a probóscide para ser impelido em sua vítima. Quando importunado, o animal normalmente se retrai para dentro de sua concha. O perigo surge quando ele estende sua pequena tromba e inocula a peçonha neurotóxica através do dardo.

    Aspectos Médicos

    A picada do conus pode produzir sinais e sintomas variados, de acordo com a espécie inoculadora. Geralmente há um prurido local, evoluindo para parestesia em todo o membro, podendo evoluir para ataxia, tremores, dispnéia e distúrbios sensoriais na motricidade e sensibilidade. A maioria das espécies é capaz de provocar um ferimento muitas vezes bastante doloroso. No entanto, apenas algumas espécies que habitam os oceanos Índico e Pacífico, são responsáveis por casos fatais.

    Prevenção

    Deve-se ter muito cuidado ao manuseá-los, segurando-os sempre pela região mais larga da concha e evitando o contato com suas partes moles. O uso de luvas grossas previne as possíveis picadas.

    Tratamento

    A base do tratamento visa evitar, ao máximo, que a peçonha atinja a circulação sanguínea da vítima. Nesse sentido, a vítima deve ser tranqüilizada e colocada em repouso. Alguns autores preconizam a incisão, com sangramento provocado, e limpeza da ferida na tentativa de eliminar ao máximo a peçonha inoculada, porém são medidas discutíveis. Assim como os torniquetes que costumam ser utilizados. Sem o cuidado e a reserva necessários, pode-se causar danos maiores ao membro atingido. A indicação nesses casos é uma nova técnica bastante difundida atualmente: a imobilização por pressão com bandagens compressivas na região afetada, a fim de reduzir o retorno venoso. Coloca-se um chumaço de gaze ou tecido diretamente sobre o local da inoculação, prendendo-o, de forma firme e com certa pressão, com uma bandagem enrolada em volta da região afetada. A circulação arterial não deve ser obstruída. Pode-se determinar se há ou não obstrução através da presença de pulsação arterial distal. A bandagem deve ser afrouxada assim que a vítima puder receber atenção médica adeqüada. Colocar o membro atingido em água quente, em torno de 50o C, auxilia a inativação da peçonha e diminui a dor. Medidas de suporte para prevenir as complicações respiratórias e cárdiovasculares, para evitar o choque e a parada cárdio-respiratória, são aconselháveis nos casos mais graves.

    Polvos

    São encontrados em grande parte do litoral brasileiro, desde as águas rasas às mais profundas. Habitam as tocas e rachas do fundo e, embora costumem rastejar por entre as pedras, podem nadar por meio de um sifão. Possuem a cabeça grande, com dois olhos notáveis e uma boca equipada com fortes mandíbulas córneas e rádulas, circundada por 8 tentáculos com numerosas ventosas. Costumam medir de 5 cm a 10 m de comprimento quando distendidos. No entanto, as espécies maiores vivem a grandes profundidades, longe dos seres humanos. Os acidentes mais comuns são provenientes do enlaçamento dos seus tentáculos nos braços de um mergulhador. Deve-se, nesses casos, manter a calma e apertar a cabeça do polvo, o que interrompe sua respiração e faz com que ele abandone sua "equivocada presa". A mordida de um polvo, não muito comum, apresenta conseqüências bastante variáveis. Sua boca, provida de poderosas mandíbulas com rádulas em forma de "bico de papagaio", é capaz de morder com grande força. Ao morder, algumas espécies impregnam a vítima com sua saliva abundante que pode atuar como uma peçonha. Outras descarregam uma verdadeira peçonha com poder paralisante através das glândulas salivares.

    Aspectos Médicos

    A mordida de um polvo apresenta-se normalmente como um ferimento puntiforme e pode ocasionar desde uma simples infecção até a morte (apenas duas espécies do Indo-Pacífico são potencialmente mortais). Em alguns casos ocorre a sensação inicial de queimação ou latejamento, com um desconforto localizado que depois pode irradiar-se para todo o membro. O sangramento é, freqüentemente, desproporcional ao tamanho da lesão. Pode, ainda, ocorrer edema, calor e hiperemia na área da lesão, porém a recuperação é quase sempre rotineira.

    Prevenção

    As tocas e rachas habitadas pelos polvos devem ser evitadas pelos mergulhadores inexperientes. Usar roupa de mergulho pode evitar a aderência na pele produzida pelas ventosas de seus tentáculos. Independente de seu tamanho, os polvos devem ser manuseados sempre com cuidado e luvas grossas. As espécies menores costumam ser mais agressivas e mordem com maior freqüência.

    Tratamento

    Não existe um antídoto para a peçonha das duas espécies realmente fatais __ suas mordidas devem ser tratadas com muita atencão. Entretanto, as mordidas da maioria dos polvos são de menor importância e devem ser tratadas sintomaticamente. Medidas para diminuir a disseminação da peçonha com a técnica de imobilização por compressão da área atingida com compressas pode ser utilizada, apesar de não haver até o momento provas conclusivas suficientes da eficácia desse procedimento em mordidas de polvo. A remoção da peçonha por sucção, incisão ou aspiracão deve ser evitada, pois são medidas muito discutíveis. Se há inoculação de tetradoxina, poderá haver comprometimento respiratório e o paciente deverá ser colocado em repouso e tranqüilizado. Havendo desenvolvimento de paralisia respiratória, a respiração boca-a-boca e a massagem cardíaca externa podem ser empregadas. Medidas terapêuticas mais agressivas e ventilação artificial podem ser necessárias.

    * Marcelo Szpilman é Biólogo Marinho, Diretor do Instituto Ecológico Aqualung, Editor do Informativo do Instituto e autor dos livros Guia Aqualung de Peixes e Seres Marinhos Perigosos.



    *Texto publicado com Autorização do Autor
    http://www.institutoaqualung.com.br

    Retirado do site www.reefbrazil.org
    http://www.reefbrazil.org/forum/viewtopic.php?t=303
    No fim, conservaremos apenas o que gostamos, e gostaremos apenas do que compreendemos e compreenderemos apenas o que nos tiver sido ensinado.” Baba Dioum.
    _________________________

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  16. #16
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    Re: Organismos venenosos-perigosos do recife/Reef venomous-dangerous critters

    Viva
    Excelente artigo Ricardo
    Para que fique mais perceptivel vou colocar alguns elos para imagens do que nele é falado

    Baiacu

    Tetradoxina

    Mangánga

    Marcelo Szpilman (Biólogo Marinho)

    Guia Aqualung de Peixes e Seres Marinhos Perigosos

    Atenciosamente
    Pedro Nuno


    "I may of course, be egregiously wrong; but I cannot persuade myself that a theory which explains several classes of facts can be wholly wrong"...Tradução: É claro que eu posso estar egregiamente errado; mas não me consigo persuadir de que uma teoria que explica várias classes de factos, possa estar completamente errada"...
    Charles Darwin, a Origem das espécies
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  17. #17
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    Re: Organismos venenosos-perigosos do recife/Reef venomous-dangerous critters

    Tive tambem um Lo Vulpinus na década de 90 durante oito anos.Quando morreu não tive cuidado no manuseamento e piquei-me no espinho dorsal,nesse dia só eu sei o que passei com dores e paralesia no meu braço direito.

  18. #18
    RF Moderador Avatar de Pedro Nuno Ferreira
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    Re: Organismos venenosos-perigosos do recife/Reef venomous-dangerous critters

    Citação Postado originalmente por Jorge Neves
    Tive também um Lo Vulpinus na década de 90 durante oito anos.Quando morreu não tive cuidado no manuseamento e piquei-me no espinho dorsal,nesse dia só eu sei o que passei com dores e paralisia no meu braço direito.
    Viva
    Obrigado pelo muito importante testemunho vivido na primeira pessoa que é muito útil para melhor informar toda a comunidade que assim manterá este peixe mais informada e preparada o que evitará surpresas desagradáveis como a que passaste.

    Atenciosamente
    Pedro Nuno


    "I may of course, be egregiously wrong; but I cannot persuade myself that a theory which explains several classes of facts can be wholly wrong"...Tradução: É claro que eu posso estar egregiamente errado; mas não me consigo persuadir de que uma teoria que explica várias classes de factos, possa estar completamente errada"...
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  19. #19
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    Re: Organismos venenosos-perigosos do recife/Reef venomous-dangerous critters

    Citação Postado originalmente por Pedro Nuno Ferreira
    Viva

    Viva
    Continuando com mais animais perigosos que se podem encontrar tanto nas nossas águas, particularmente nos Açores como na RV de que há já vários relatos aqui no fórum e que se deve evitar tocar, desta vez trago os vermes de sedas ou de cerdas, mais conhecidos por vermes de fogo

    Vendo esta magnífica fotografia http://olhares.aeiou.pt/verme_de_fogo/foto424705.html pode-se pensar estar perante um animal sedoso e até divertido, mas a realidade é bem diferente... As sedas ou cerdas que se vê e têm um aspecto macio, são na realidade espinhos muito finos que se alojam e entranham no corpo, como os da opuntia microdasys http://upload.wikimedia.org/wikipedi...angelwings.jpg, além do que inoculam veneno!!!

    Neste excelente artigo de Frederico Cardigos, O Verme-do-Fogo podem ver o verme Hermodice carunculata que é muito abundante nas águas dos Açores. Abaixo transcrevo as recomendações que o autor dá sobre os cuidados a ter



    Abaixo transcrevo um relato de um amigo meu, o Hugo Oliveira sobre um incidente a que assisti porque o coral que ele estava a recolher era para mim…Na altura expliquei-lhe o que lhe tinha acontecido e o coral acabou por lá ficar bem como o verme que trazia dissimulado qual “brinde” do bolo rei…



    aqui coloco um relato de uma outra experiência negativa com um destes vermes vivida por um mergulhador, o Pedro1960 membro do fórum de mergulho que é nosso fórum parceiro




    O verme que se vê abaixo, será um Eurythoe, complanata



    e viveu no meu sistema de recife cerca de um ano e meio e terá chegado “clandestino” ou à "boleia" na rocha viva ou na base de um coral, ainda pequenino, podem ler mais aqui Eurythoe complanata?! Quem identifica?. Eu sabia da sua existência porque o descobri e vi várias vezes, sempre de madrugada, e sabia o perigo que representava não só pelas sedas/cerdas venenosas como por ser um sério predador, mas fui deixando estar até que a sua dimensão de cerca de 40 cm, perigo crescente que representava, e a oportunidade de o recolher me levou a fazer tal - surpreendi-o em plena madrugada a evoluir tranquilamente em espaço aberto, como se pode ver na primeira imagem que foi tirada em total obscuridade, ou seja, disparar sem saber se sai ou não algo de jeito, mas parece que saiu e dá para ver a dimensão do bicho - e assim retirei-o.











    Como explica Frederico Cardigos, existem vários Géneros destes vermes que aqui não vou explorar mas deixo mais alguma informação

    Amphinomidae

    aqui mais um tópico bem recente Minhoca Cabeluda? Capturada

    Se mergulharem ou virem estes animais nos vossos sistemas de recife ou até nas poças de maré, não se deixem enganar pelo aspecto sedoso e aveludado que podem exibir e não lhes toquem, mesmo que estejam com luvas porque se as luvas vos protegerem podem ficar com sedas/cerdas agarradas e quando as tirarem uma das mãos irá retirar uma das luvas sem protecção e nessa altura pode tocar em sedas/cerdas que tenham ficado presas na luva.
    Estes animais são bons detritivoros mas também são predadores em maior o menor escala e são venenosos

    Atenciosamente
    Pedro Nuno
    Boas Pedro
    A cerca de 15 dias em casa do João Ribeiro enquanto o ajudava a alterar o aquário, ao enterrar a mão no areão, fiquei com dois dedos cheios dos ditos espinhos. Apenas senti de imediato uma ligeira urticaria, corri imediatamente para o lava loiças e lavei as mãos com agua bem quente (pois a agua quente tem o poder de aliviar dores provocadas por picadas venenosas). Retirei os espinhos, e devo dizer que nada mais senti além dessa ligeira urticária, e a dita minhoca era bem gorda.
    Mas isto não serve de exemplo, pois o corpo humano difere de pessoa para pessoa. Uma simples picada de abelha, pode levar uma pessoa a entrar em choque e provocar a morte.
    Mas pelo sim pelo não, o melhor é evitar situações destas.
    Aproveitando o tópico e referindo-me ao já falado Pterois Volitans, devo dizer que já tive um que atingiu os 20 cm, e ao contrário do que muita gente pensa, os espinhos venenosos são os que se encontram apenas na barbatana dorsal. É um peixe magnifico, não agressivo e pode vir comer á mão sem qualquer problema. Não convem é fazer festinhas .
    Um abraço.

  20. #20
    Membro Identificado Avatar de Ricardo_Lou
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    Re: Organismos venenosos-perigosos do recife/Reef venomous-dangerous critters

    Olá Pedro

    Boa iniciativa tua colocar este assunto em discussão/conhecimento.

    Bem como não sei a "tag" para que abra uma janela dentro deste novo tópico, lá vai mais um artigo.

    Caso queira ilustrar os tópicos com imagens relacionadas, sinta-se à vontade Pedro!

    SERES MARINHOS PERIGOSOS

    Animais Peçonhentos II

    Texto de Marcelo Szpilman*

    Celenterados

    Este ramo abrange os hidróides, plumas-do-mar, medusas, caravelas, águas-vivas, anêmonas-do-mar, corais e falsos corais. Os indivíduos podem ser solitários ou coloniais e apresentar-se de duas formas em seu ciclo vital: o pólipo, com corpo tubular onde a extremidade inferior é fechada e fixa e a superior apresenta uma boca central circundada por tentáculos moles, e a medusa, com corpo gelatinoso em forma de guarda-chuva ou sino marginado por tentáculos, boca na superfície inferior côncava e natação livre __ dependem, em grande parte, das correntes, ventos e marés para se locomover. O aparelho inoculador de peçonha é constituido de uma bateria de células denominadas nematocistos. Cada nematocisto consiste de uma diminuta cápsula arredondada, preenchida de líquido, contendo um fio tubular enrolado que pode ser projetado para fora. Embora possam ocorrer em quase toda a epiderme do animal, são mais abundantes nos tentáculos. Existem quatro tipos diferentes de nematocistos. Dois são usados na locomoção e apreensão de alimentos, não apresentando perigo para o homem. Os outros dois, usados em conjunto para capturar suas presas, apresentam um líquido peçonhento (hipnotoxina) que pode provocar uma grande irritação e uma intensa sensação de queimadura, além de ser um potente agente paralisante do sistema nervoso. O tipo penetrante tem um longo tubo filiforme enrolado. Quando descarregado, o tubo explode para fora e perfura a pele, inoculando a peçonha. O tipo envolvente contém um fio curto e espêsso enrolado. Na descarga ele se enrola fortemente em tôrno dos pelos da pele. Ao coçarmos a pele, devido à ação do tipo penetrante, estouramos uma pequena bolsa que ele carrega e inoculamos ainda mais peçonha nós mesmos. O sistema de descarga é ativado através de reações involuntárias (estímulos químicos e físicos). Por isso, os nematocistos podem ser ativados mesmo após a morte do animal. Das milhares de espécies celenteradas, relativamente poucas são perigosas de forma efetiva. Descreveremos apenas aquelas capazes de causar algum tipo de lesão ao homem.


    Hidróides e Plumas-do-mar

    Os hidróides e as plumas-do-mar são pólipos fixos, podendo ser solitários ou coloniais __ quando assemelham-se às plantas, com formato de pequenos arbustos, plumas ou mesmo musgos. Vivem nas águas rasas e sua reprodução, na maioria das espécies, se dá através do brotamento de pequenas medusas livres que não oferecem grande perigo. As plumas-do-mar coloniais não apresenta o estágio de medusa. Das espécies ocorrentes no Brasil, muito poucas são capazes de ocasionar lesões dolorosas. Embora algumas possam provocar sensações urticantes, na maioria das vezes os danos de um contato são praticamente imperceptíveis.

    Falsos Corais Urticantes

    São pólipos diminutos, coloniais e dimórficos, que se projetam através de póros em um exoesqueleto calcário maciço (carbonato de cálcio). Assemelham-se aos corais verdadeiros e são encontrados nos recifes tropicais até 30 metros de profundidade. Seus tentáculos são capazes de infligir lesões urticantes que variam de intensidade de acordo com a espécie envolvida. Algumas espécies ocorrentes em nossa costa e na costa da Flórida, conhecidas como "coral-de-fogo" possuem poderosos nematocistos capazes de provocar sérias lesões muito dolorosas.

    Águas-vivas

    Possuem os sexos separados e sua geração de pólipo é diminuta ou ausente. Apresentam o corpo gelatinoso, em forma de sino cúbico ou guarda-chuva, com pequenos tentáculos delicados e marginais. Sua boca, no centro da superfície côncava inferior, é circundada por tentáculos orais contendo muitos nematocistos. Vivem nos mares tropicais e subtropicais, nas águas pelágicas e costeiras, e nas praias. Podem ocorrer isoladamente ou em grandes grupos __ principalmente nos ciclos sazonais de procriação, em áreas que são, em geral, conhecidas pelos habitantes locais e evitadas por motivos óbvios. Flutuam calmamente e, apesar de poderem se deslocar por contrações rítmicas, estão, em grande parte, à mercê das correntes e ondas. Durante as tempestades um grande número delas costuma ser lançado nas praias. Seu alimento, peixes e pequenos invertebrados, é capturado e paralisado pelos nematocistos dos tentáculos orais e conduzido para a boca. São exatamente esses tentáculos orais que provocam acidentes com o homem. Todas as águas-vivas são capazes de infligir algum dano, porém apenas algumas espécies são realmente perigosas e podem provocar lesões muito dolorosas e sérias. Em nosso litoral são muito comuns as espécies capazes de provocar pequenas lesões e dermatites dolorosas. As mais perigosas, pouco comuns, podem infligir desde as lesões moderadas (dor pulsátil ou latejante, porém raramente causando inconsciência) às lesões severas (dor intensa que pode levar à perda da consciência e ao afogamento). Os acidentes com as espécies muito perigosas, denominadas vulgarmente de vespas-do-mar, e que podem provocar, além de erupções lacerantes e dor lacinante, falência circulatória e paralisia respiratória, são mais raros em nossa costa.

    Caravelas

    A caravela é uma colônia flutuante formada por pelo menos quatro pólipos polimórficos. O pneumatóforo ou flutuador, que secreta gás para tornar a colônia flutuante, os pólipos nutritivos, que digerem o alimento, os pólipos defensivos, que apresentam longos tentáculos com muitos nematocistos grandes e poderosos, e os pólipos reprodutores. Na espécie mais comum do Atlântico, o flutuador, usado como uma verdadeira vela, pode atingir até 30 cm de comprimento e mudar de forma por contrações. Seus inúmeros tentáculos, longos e transparentes, podem atingir até 30 metros de comprimento e conter até 80.000 nematocistos a cada metro. A caravela é uma das mais temidas criaturas que se pode encontrar flutuando na superfície da água nos mares quentes __ sua maior incidência, em nosso litoral, ocorre no outono e no inverno. Seus tentáculos são capazes de provocar acidentes com sérias lesões, grande irritação e intensa dor. Alguns podem ser fatais.

    Medusas

    Possuem os sexos separados e sua geração de pólipo é reduzida ou ausente. Apresentam o corpo gelatinoso de tamanho médio, em forma de sino ou guarda-chuva, e tentáculos finos com poucos nematocistos. Vivem nos mares quentes, da superfície até grandes profundidades, e não apresentam grande risco para o homem. O contato com seus tentáculos pode, no máximo, provocar reações urticantes locais.

    Anêmonas-do-mar

    São pólipos solitários, em forma de flor, com corpo cilíndrico curto, que habitam as águas rasas. Apesar de viverem fixas sobre o substrato marinho, são capazes de rastejar lentamente. Na extremidade superior está a boca rodeada por inúmeros tentáculos orais com variada coloração e alguns nematocistos. Devido ao pequeno tamanho de seus tentáculos, o contato com estes seres não produz maiores conseqüências do que leves a moderadas irritações no homem, já que a área atingida é normalmente muito restrita. O contato com as partes pouco sensíveis do corpo, como as mãos, pernas ou pés, produzem reações quase imperceptíveis. Porém, o contato com as partes mais sensíveis, como a face, lábios e a região inferior dos braços, pode permitir reações mais severas.

    Corais

    O organismo individual do coral é um pólipo em forma de anêmona com tentáculos curtos. Existem quatro tipos básicos de coral. Os corais pétreos, que vivem em uma taça pétrea com elevações radiais em colônias densas que produzem os corais calcários e os recifes coralinos nas águas relativamente rasas dos mares tropicais, os corais moles, que são pólipos com as partes inferiores fundidas em uma massa carnosa com esqueleto de espículas calcárias, muito comuns nas praias quentes, os corais córneos, que são colônias arborecentes com esqueleto axial de espículas calcárias e gorgonina côrnea, representados pelos corais vermelhos usados em joalheria e pelas gorgônias, e os corais negros, que são pequenos pólipos que formam um esqueleto arborescente de caules ramificados compostos de material côrneo, comuns nas águas tropicais mais fundas. Os acidentes com corais resultam do contato brusco com a sua região calcificada, provocando escoriações ou lesões que, embora superficiais, na maioria das vezes podem ser urticantes, dolorosas, de lenta cicatrização e potencialmente infectadas. O nível de gravidade dos cortes advém da possível combinação de alguns fatores: a laceração mecânica da pele pela estrutura cortante do exoesqueleto compacto calcário, com a penetração de material estranho na ferida, contato com a parte viva do coral (tentáculos com nematocistos) e possibilidade de infecção secundária. O contato simples, sem escoriação, com a parte viva dos corais apresenta particularidades semelhantes aos acidentes com as hidras, onde os danos são quase sempre mais brandos e, em alguns casos, imperceptíveis. Deve-se, no entanto, evitar o manuseio dos corais vivos com as mãos desprotegidas.

    Aspectos Médicos Gerais

    Os sintomas produzidos pelos acidentes com os celenterados variam de acordo com a espécie envolvida, o local atingido e o peso, sensibilidade e estado de saúde da vítima. As propriedades peçonhentas de um celenterado dependem, não somente da composição química da própria peçonha, mas também da quantidade de nematocistos descarregados e da capacidade dos mesmos de penetrar na pele da vítima. Os acidentes provocados pelos hidróides e plumas-do-mar costumam ser apenas irritações locais na pele. Os provocados pelas medusas, anêmonas-do-mar e corais produzem reações similares, mas geralmente são acompanhados por sintomas gerais. Já os sintomas produzidos pelas águas-vivas, medusas e caravelas variam bastante. Algumas produzem lesões suaves, enquanto outras são capazes de causar muita dor local e sintomas generalizados que podem produzir a morte em poucos minutos. Os sintomas mais freqüentes variam de uma leve irritação à uma queimadura com dor pulsátil ou latejante que pode tornar a vítima inconsciente. Em alguns casos a dor é restrita à área do contato, porém, em outros, pode irradiar-se para a virilha, abdômem ou axila. A área que entra em contato com os tentátulos geralmente torna-se hiperemiada, podendo ser seguida de grave erupção inflamatória, flictenas, edema e pequenas hemorragias na pele. Nos casos mais graves, pode ocorrer choque, câimbras, rigidez abdominal, diminuição da sensação de temperatura e toque, náuseas, vômitos, dor lombar severa, perda da fala, sialorréia, sensação de constricção na garganta, dificuldade respiratória, paralisia, delírio, convulsão e morte.

    Prevenção Geral

    É importante lembrar que os tentáculos de algumas espécies podem atingir uma distância considerável do corpo do animal e, por isso, deve-se evitar sua aproximação. Roupas de neoprene, apropriadas para o mergulho, são úteis para evitar a inoculação da peçonha. Os trabalhadores de águas tropicais devem estar adeqüadamente vestidos para evitar os acidentes com estes seres. Mesmo aparentemente morta e jogada em uma praia, os tentáculos da água-viva podem grudar na pele e, visto que os nematocistos descarregam-se por reações involuntárias, infligir graves lesões. Após uma tempestade um nadador pode sofrer sérias lesões ao entrar em contato com tentáculos que ficam boiando na água. Assim, deve-se evitar a natação em locais habitados pelas águas-vivas e caravelas. Cobrir o corpo com óleo mineral, ou similar, pode ajudar a evitar apenas que os tentáculos grudem na pele. Ao remover os tentáculos de uma vítima, nunca use as mãos desprotegidas. Nematocistos ainda carregados podem inocular a peçonha nas mãos do socorrista e torná-lo outra vítima.

    Tratamento Geral


    Ao ser inoculada, a vítima deve se esforçar ao máximo para sair da água o mais rápido possível devido ao risco de choque e afogamento. Os primeiros socorros e o tratamento devem ter quatro objetivos principais: minimizar o número de descargas dos nematocistos na pele, diminuir os efeitos da peçonha inoculada, aliviar a dor e controlar sua repercussão sistêmica. O contato inicial com os tentáculos resultam primeiramente em uma modesta inoculação. Os esforços subseqüentes para desvencilhar-se dos tentáculos podem resultar em um considerável aumento nas descargas dos nematocistos. Porém, quanto mais tempo um tentáculo permanecer em contato com a pele, mais nematocistos serão descarregados. Daí a necessidade da remoção cuidadosa dos tentáculos aderidos à pele sem esfregar a região atingida, o que só pioraria a situação. A dor é em geral controlada através do tratamento da dermatite. Ainda assim, a morfina pode ser usada para aliviar a dor mais intensa. O gluconato de cálcio é recomendado para controlar os espasmos musculares. Medidas de suporte utilizadas em terapia intensiva podem ser necessárias nos casos mais graves e complicados. A rotina no tratamento de uma vítima deve seguir os seguintes passos: A primeira medida é lavar abundantemente a região atingida com a própria água do mar para remover ao máximo os tentáculos aderidos à pele. Não utilize água doce, pois ela poderá estimular quimicamente os nematocistos que ainda não descarregaram sua peçonha. Não tente remover os tentáculos aderidos com técnicas abrasivas, como esfregar toalha, areia ou algas na região atingida. Para previnir novas inoculações __ ao desativar os nematocistos ainda íntegros e também neutralizar a ação da peçonha __, banhe a região com ácido acético a 5% (vinagre) por pelo menos 30 minutos ou até que se tenha um alívio da dor (a solução de sulfato de alumínio a 20%, hidróxido de amônia diluído, bicarbonato de sódio, urina e o soro do mamão papaia são alternativas para a falta da substâncias citada). Remova com uma pinça os restos maiores dos tentáculos e tricotomize o local com um barbeador para retirar os fragmentos menores e invisíveis. Aplique antes um pouco de espuma de barbear, talco ou mesmo farinha branca. Não havendo disponibilidade dos utensílhos ou produtos citados para a tricotomia, utilize uma pasta de areia ou lama misturada com a água salgada e raspe o local com uma concha ou um pedaço de madeira com a borda afiada. Reaplique novos banhos de ácido acético. Caso a dor continue, use substâncias sedativas sistêmicas ou bolsas de gelo locais para reduzir os sintomas álgicos. Aplique uma camada fina de hidrocortisona (0,5 a 2%) duas vezes ao dia. Nas reações inflamatórias mais graves utilize anti-histamínicos e corticóides orais. Em caso de infecção secundária use antibióticos com amplo espectro, tópico ou sistêmico, de acordo com a gravidade. Para as lesões e escoriações provocadas pelos corais vivos, os procedimentos devem ser: Banhe vigorosamente a região para remover todo o material estranho aderido e depois lave bem a ferida com água e sabão. Havendo algum corte mais profundo não se deve suturá-lo, pois a ferida costuma infeccionar. Aplique uma pomada antisséptica e cubra com uma bandagem tipo gaze. Troque o curativo diariamente. Mesmo com uma boa assepsia da região, a ferida costuma apresentar cicatrização lenta com moderada a severa inflamação e ulceração. Todo o tecido superficial morto deve ser debridado regularmente até que se tenha a formação de um tecido granulado e sadio. Havendo infecção secundária, utilize antibiótico com amplo espectro, tópico ou sistêmico, de acordo com a gravidade.



    * Marcelo Szpilman é Biólogo Marinho, Diretor do Instituto Ecológico Aqualung, Editor do Informativo do Instituto e autor dos livros Guia Aqualung de Peixes e Seres Marinhos Perigosos.


    *Texto publicado com Autorização do Autor

    http://www.institutoaqualung.com.br


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  21. #21
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    Exclamation Re: Organismos venenosos-perigosos do recife/Reef venomous-dangerous critters

    Citação Postado originalmente por Marcelo Szepilman

    Caravelas

    A caravela é uma colónia flutuante formada por pelo menos quatro pólipos polimórficos. O pneumatóforo ou flutuador, que secreta gás para tornar a colónia flutuante, os pólipos nutritivos, que digerem o alimento, os pólipos defensivos, que apresentam longos tentáculos com muitos nematocistos grandes e poderosos, e os pólipos reprodutores. Na espécie mais comum do Atlântico, o flutuador, usado como uma verdadeira vela, pode atingir até 30 cm de comprimento e mudar de forma por contracções. Seus inúmeros tentáculos, longos e transparentes, podem atingir até 30 metros de comprimento e conter até 80.000 nematocistos a cada metro. A caravela é uma das mais temidas criaturas que se pode encontrar flutuando na superfície da água nos mares quentes __ sua maior incidência, em nosso litoral, ocorre no outono e no inverno. Seus tentáculos são capazes de provocar acidentes com sérias lesões, grande irritação e intensa dor. Alguns podem ser fatais.

    Viva Ricardo

    Aproveito esta tua segunda intervenção para colocar aqui um animal que não estava a pensar colocar porque não é um animal que seja mantido nos sistemas de recifes. No fórum de mergulho tenho lá um tópico semelhante mas mais vocacionado para animais perigosos que se podem encontrar em mergulho e aí coloquei este animal que pensando melhor também se deve colocar aqui porque para além de haver quem mergulhe, existe a possibilidade de ser encontrado encalhado na praia e é um perigo muito grande, particularmente para às crianças que na sua inocência ficam entusiasmadas com aquele bicho "almofadinha fofinho" com umas "tranças" azul/azulado/purpura que é lindo....mas quando tocada...é muito perigoso!!!



    Um dos efeito extremos que pode provocar é o choque anafilático

    http://projetophysalia.blogspot.com/...avelas-na.html

    Citação Postado originalmente por Liquid Breathing - Fórum de Mergulho
    A Physalia physalis é um dos cnidários que tenho em lista, mas não tenho tido tempo para preparar a sua apresentação. No entanto deixo aqui já alguma informação esclarecedora...
    http://upload.wikimedia.org/wikipedi..._physalis).jpg

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Caravela-portuguesa

    http://praias.publico.pt/perigos.asp...portuguesa.htm

    Lembro que os seus tentáculos podem atingir 30 metros de comprimento e mesmo já sem vida, continua a ser perigosa!!! Não calquem os tentáculos, mesmo que já estejam secos!!!

    Mais alguma informação e aproveito para salientar de que é um animal de aspecto cativante, particularmente para as crianças que são atraídas pela sua beleza vítrea de cor azul ou purpura mas quando tocada...
    Um dos efeito extremos que pode provocar é o choque anafilático

    Su picadura es muy dolorosa e, incluso, peligrosa para personas débiles o niños. El contacto con sus tentáculos provoca quemaduras en la piel. En determinadas personas sensibles puede llegar a provocar un shock anafiláctico y causar la muerte por paro cardíaco o ahogamiento. Esta especie es depredada por un molusco llamado Glaucus atlanticus ya que es inmune a su veneno o bien inhibe la descarga gracias a secreciones mucosas, almacenándolo para utilizarlo en su propia defensa.

    Physalia physalis - pesquisa por imagens

    Artigo por Peter Parks



    http://www.geoffschultz.org/Reef/Creatures...316_144410.html

    Nomeus gronovii - é um peixe que vive em simbiose com a Physalia physalis, mas não se iludam porque o peixe pode fazê-lo à semelhança dos Amphiprion (peixes palhaço) que se esfregam progressivamente na anémona e vão retendo muco inibidor dos nematocistos no seu próprio muco e assim revestem-se de muco inibidor...

    http://www.aloha.com/~lifeguards/portugue.html

    Não é muito mas é o que tenho de momento e como disse logo que tenha mais coloco aqui. Entretanto peço para que ensinem a quem possa não saber, particularmente às crianças que na sua inocência ficam entusiasmadas com aquele bicho "almofadinha fofinho" com umas "tranças" azul/azulado/purpura que é lindo....e muito perigoso!!! Ensinem a ver com segurança, fotografem se puderem dentro ou fora de água, com segurança. Bons mergulhos. Liquid Breathing
    Citação Postado originalmente por Liquid Breathing
    Mais alguns esclarecimentos e imagens do Bicho "Almofadinha Fofinho" que tem "Tranças" azul/azulado/purpura que é lindo...mas muito perigoso se tocado...



    ....um dos efeitos extremos que pode provocar é o choque anafilático ....Anafilaxia

    ...Ensinem a quem possa não saber, particularmente às crianças que na sua inocência ficam entusiasmadas com aquele bicho "almofadinha fofinho" com umas "tranças" azul/azulado/purpura que é lindo....e muito perigoso!!!




    Fotografia de Brandon Cole

    Ensinem a ver com segurança, fotografem se puderem dentro ou fora de água, com segurança. Bons mergulhos.

    Liquid Breathing
    Citação Postado originalmente por Liquid Breathing


    Na imagem acima, retirada deste elo (=link) http://en.wikipedia.org/wiki/Portuguese_Man_o'_War, a caravela, ou pneumatóforo, vesícula cheia de ar que permite ao animal flutuar e vogar ao sabor do vento e das correntes, será revestida por um muco inibidor dos nematocistos ou células urticantes existentes nos tentáculos, muco esse que será excelente para aplicar como tratamento de ocasião em caso de contacto com os nematocistos dos tentáculos...

    The sail portion is covered in a slime which counteracts the sting from the tentacles, and can be used for a quick cure. Look for a beached Man O' War, to get the slime from the sail, as attempting to touch one in the water is dangerous as you may come in contact with the tentacles. A normal jelly fish does not have this slime nor remedy

    Citação Postado originalmente por Tradução
    A porção que constitui a vela está coberta por um muco que actua contra a picada dos tentáculos e pode ser usada para uma cura rápida. Procure por uma Caravela Portuguesa encalhada na praia para obter o muco da vela dado que tentar tocar numa dentro de água é perigoso porque pode entrar em contacto com os tentáculos. Uma medusa normal não possue este muco ou remédio

    uma informação interessante, mas um muco perigoso de recolher...no entanto para o Glaucus atlanticus http://en.wikipedia.org/wiki/Glaucus_atlanticus, uma lesma do mar flutuante, a Physalia physalis é um excelente alimento que lhe fornece veneno que armazena e lhe permite ser ainda mais perigosa do que a Physalia physalis....

    A Tartaruga Caretta caretta, de que se poderá ver um exemplar se não estou em erro na Estação Litoral da Aguda, alimenta-se também da Physalia physalis e será imune ao veneno...

    Estes animais não são maus, mas podem ser se não tivermos cuidado

    Bons Mergulhos

    Liquid Breathing
    Citação Postado originalmente por Pedro 1960 - Um membro do fórum de mergulho (não sou eu)
    ...Por isso é que, nos Açores (Graciosa) na subida, vinhamos sempre com a mão (com luva, claro) a tapar a única parte do corpo desprotegido, a cara entre a máscara e o capuz.

    E antes da sair do barco fiscalizávamos sempre os arredores...

    O verme-de-fogo é mais difícil de um tipo escapar, pois há paredes atafulhadas deles e alguns são pequenos e não se vêem... só se sentem, como aconteceu comigo.
    É um animal que surge com frequência nos Açores, mas também pode surgir no continente e dar à praia

    Atenciosamente
    Pedro Nuno
    Última edição por Pedro Nuno Ferreira; 17-02-08 às 11:57.


    "I may of course, be egregiously wrong; but I cannot persuade myself that a theory which explains several classes of facts can be wholly wrong"...Tradução: É claro que eu posso estar egregiamente errado; mas não me consigo persuadir de que uma teoria que explica várias classes de factos, possa estar completamente errada"...
    Charles Darwin, a Origem das espécies
    Zanclus canescens, cornutus, Kihikiki ou o zigzags
    REEFS MAGAZINE

  22. #22
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    Re: Organismos venenosos-perigosos do recife/Reef venomous-dangerous critters

    Citação Postado originalmente por Pedro Nuno Ferreira
    Viva Ricardo
    ...No fórum de mergulho tenho lá um tópico semelhante mas mais vocacionado para animais perigosos que se podem encontrar em mergulho e aí coloquei este animal que pensando melhor também se deve colocar aqui porque para além de haver quem mergulhe, existe a possibilidade de ser encontrado encalhado na praia e é um perigo muito grande, particularmente para às crianças que na sua inocência ficam entusiasmadas com aquele [COLOR=Red]bicho "almofadinha fofinho" com umas "tranças" azul/azulado/purpura que é lindo....mas quando tocada...é muito perigoso!!! Pedro Nuno
    Viva Pedro

    Muito bem lembrado, já algumas pessoas aqui no nosso litoral que amargaram a dor por terem tocado neste animais.

    No verão deste ano, que já começa anunciar a sua partida, houve um fato muito curioso, apareceram diversas águas-viva, até agora sem explicação alguma, fato que gerou um alarde, sendo noticiado como "ataque de aguas-viva nas praias", como se elas ataquessem alguém!

    Muitas pessoas foram parar nos hospitais por causa da queimadura que ela provoca.

    Então, penso ser salutar a colocação destes animais aqui, como você mesmo disse, muitos podem não conhece-los.
    No fim, conservaremos apenas o que gostamos, e gostaremos apenas do que compreendemos e compreenderemos apenas o que nos tiver sido ensinado.” Baba Dioum.
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  23. #23
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    Re: Organismos venenosos-perigosos do recife/Reef venomous-dangerous critters

    SERES MARINHOS PERIGOSOS

    Animais Venenosos I


    Texto de Marcelo Szpilman*

    Neste grupo, encontram-se os animais capazes de provocar algum tipo de envenenamento quando ingeridos ainda frescos, pois podem apresentar secreções venenosas em seus organismos ou conter substâncias químicas venenosas (toxinas) acumuladas em sua carne. Antes de iniciarmos o assunto, é interessante lembrar mais uma vez a diferença entre peçonha e veneno. Peçonha: é uma substância qualquer de origem animal, produzida por uma glândula, capaz de alterar o metabolismo de outro animal quando inoculada. (Exemplo: peixes peçonhentos como o bagre, o mangangá e a raia.) Veneno: é uma substância de origem animal, vegetal ou mineral. Porém, não é produzida por nenhuma glândula nem é inoculada naturalmente. (Exemplo: peixes venenosos como os baiacus.) Não deve-se confundir o envenenamento aqui tratado com a intoxicação alimentar __ problemas gastrointestinais que costumam ocorrer quando se ingere algo que não está fresco e contém bactérias (na maioria dos casos provocada por contaminação secundária devido às más condições de conservação), e que um correto cozimento conseguiria, muitas vezes, evitar o problema. Não é fácil, entretanto, determinar com exatidão quando e quais animais podem estar venenosos, pois o problema não se restringe apenas a grupos facilmente indentificáveis ou mesmo a uma época do ano. Algumas espécies podem apresentar toxidade sazonal, enquanto outras só se tornam venenosas após consumirem ou se exporem à substâncias ou organismos venenosos. Além disso, os animais envenenados não são percebidos pela visão, tato ou olfato. O melhor procedimento para evitar o envenenamento por seres marinhos é conhecer e informar-se a respeito dos costumes e experiências locais, ainda que esse não seja um método preventivo infalível. As conseqüências provocadas por um envenenamento estão diretamente correlacionadas com a quantidade do veneno ingerido, sua toxidade e com o peso e as condições físicas da vítima. Fazem parte deste grupo algumas espécies de moluscos, crustáceos e peixes que podem ser ou estar venenosos, de forma ocasional ou permanente.

    Moluscos Bivalves

    Ostras, mariscos, mexilhões, vieiras e outros moluscos bivalves (Filo Mollusca, Classe Pelecypoda), apesar de consumidos regularmente e em larga escala com bastante segurança, podem, de forma ocasional, em função do local onde vivem e da época do ano, estar envenenados. Através da filtragem da água que passa pelo local onde vivem, esses animais retêm pequenas partículas e micro-organismos planctônicos que lhes servem de alimento. Nesse processo, as substâncias poluentes e nocivas são retidas e vão aos poucos acumulando-se em seu organismo, sem provocar-lhes, porém, qualquer problema, pois são, quase sempre, imunes aos seus efeitos diretos e sobrevivem para passar a toxina aos animais que os devoram. Devido a esse hábito alimentar os moluscos bivalves podem ser contaminados, tornando-se venenosos ao consumo humano, em função de duas circunstâncias ambientais básicas: a poluição das águas e a proliferação exagerada de microalgas planctônicas que produzem toxinas. A poluição dos mares, baías e estuários, provocada pela emissão "in natura"de lixo e esgotos industriais e residenciais contendo metais pesados, coliformes fecais, bactérias patogênicas e outras substâncias nocivas, é um dos principais fatores que favorece a contaminação desses moluscos por poluentes. A proliferação exagerada de certas microalgas planctônicas, denominadas dinoflagelados, pode ocorrer em mar aberto, baías e estuários quando certas condições ambientais, como temperatura e concentração de material orgânico, estão propícias para tal. Em determinadas regiões e estações do ano essa proliferação exagerada, também chamada "bloom", torna-se concentrada o suficiente para tingir a água de tons marrom-avermelhados ou marrom-amarelados. As marés vermelhas, assim denominadas, ocorrem periodicamente em todo o planeta. As altas concentrações de dinoflagelados podem diminuir a concentração de oxigênio na água e causar a mortandade dos peixes da região, porém os moluscos bivalves conseguem filtrar esses organismos e acabam concentrando as toxinas produzidas por eles em seus tecidos. Existem várias espécies de dinoflagelados venenosos implicados na contaminação dos moluscos bivalves. No entanto, enquanto a toxina produzida pelos mesmos afeta muitos seres marinhos e o homem, os moluscos bivalves são imunes aos seus efeitos diretos.

    Aspectos Médicos

    No homem a intoxicação provocada pelo consumo de moluscos bivalves provenientes das águas poluídas resultam em problemas gastrointestinais. Podem provocar gastroenterites leves à severas, usualmente acompanhadas de náusea, vômito, diarréia e dores abdominais que costumam aparecer doze horas após o consumo. Os metais pesados, por sua vez, vão-se acumulando ao longo dos anos no organismo humano e podem provocar diversos distúrbios fisiológicos. Já o envenenamento provocado pelo consumo de moluscos bivalves provenientes das áreas atingidas pela proliferação exagerada de dinoflagelados, e, conseqüentemente, contaminados por sua toxina (saxitoxina), é do tipo paralisante. Logo após o consumo inicia-se a sensação de formigamento e queimação na boca e lábios. De acordo com o grau de envenenamento a sensação de formigamento pode espalhar-se pelo resto do corpo, podendo ainda ocorrer dormência generalizada e dificuldade na movimentação e na respiração. Esses sintomas podem também estar acompanhados de aumento na salivação, sede e vertigens. Em alguns casos os sintomas são característicos de uma reação alérgica, com intumescência da garganta e dificuldade na respiração. A paralisia, nos casos mais graves, pode começar com dores nas articulações e dificuldade na deglutição. A morte, nesses casos, pode ocorrer. Alguns moluscos bivalves costumam ainda possuir vírus naturais que, ocasionalmente, podem ser nocivos para pessoas com o sistema imunológico deficitário ou com doenças hepáticas.

    Prevenção

    Os moluscos bivalves envenenados não podem ser detectados pela aparência, odôr ou gosto. Apenas os procedimentos técnico-científicos podem diagnosticar com bom grau de certeza quando um molusco bivalve está envenenado. Quando as autoridades públicas de saúde descobrem moluscos bivalves contaminados, a área de onde eles provêm é freqüentemente colocada em qüarentena. O local do costão (referente ao nível da maré) onde o molusco bivalve foi coletado não pode ser usado como critério para avaliar se ele está ou não contaminado. Na dúvida deve-se sempre descartá-lo. É recomendável só comprar moluscos bivalves vivos e com as conchas bem fechadas (descarte aqueles com a concha aberta). Se for guardá-los na geladeira cubra-os com um pano úmido para evitar o ressecamento. Deve-se cozinhá-los em um pouco de água até que as conchas se abram. O posterior cozimento do animal muitas vezes evita a intoxicação. O caldo resultante do cozimento, em ambos os casos, deve ser sempre descartado, pois caso haja algum animal contaminado esse caldo torna-se especialmente perigoso já que as toxinas dos dinoglagelados são solúveis em água. A grande concentração de toxina se dá nos orgãos digestivos do animal (carne escura, brânquias e sifão). Assim, nos casos de suspeita, deve-se descartá-los. A musculatura, ou carne branca, contém normalmente baixas concentrações, porém é recomendável lavá-la com cuidado antes de ser cozinhada. Deve-se evitar o consumo de moluscos bivalves na gravidez e em casos de doenças hepáticas (incluindo a cirrose e o alcoolismo crônico), doenças imunológicas, diabétes, câncer e problemas gastrointestinais.

    Tratamento

    Nos casos de problemas gastrointestinais, o tratamento é semelhante ao aplicado para a intoxicação alimentar. Os sintomas deverão ser tratados de acordo. Nos casos de envenenamento, a comida deverá ser imediatamente removida da boca ao se notar os primeiros sinais de formigamento. Se a vítima começar a sentir-se mal deve-se levá-la imediatamente para o hospital. Nas primeiras horas depois da ingestão o procedimento é a lavagem estomacal com fluidos alcalinos, como a solução de bicarbonato de sódio a 2%, já que a toxina é ácida-estável. O vômito induzido, mecânica ou quimicamente, deverá ser utilizado quando não houver a possibilidade do atendimento médico. Depois pode-se dar carvão ativado (50 a 100 gramas) em uma solução básica de sorbitol. No seguimento do tratamento é utilizada a terapia de suporte baseada nos sintomas apresentados. O grande perigo é a paralisia respiratória, que exigirá equipamentos modernos de suporte e assistência ventilatória só encontrados nos hospitais.

    Polvos

    Os polvos são habitualmente bons para o consumo. Porém, quando se alimentam de moluscos bivalves envenenados por dinoflagelados, acumulam suas toxinas tornando-se venenosos para o consumo humano. Nesses casos, o polvo pode apresentar-se com uma coloração enegrecida e tentáculos avermelhados. Por medida de segurança e precaução, os polvos com essas características devem ser descartados. O tratamento para esses casos segue as recomendações a pouco descritas para os moluscos bivalves.

    Crustáceos
    [imghttp://places.mongabay.com/south_america/red-legged_crabs.jpg[/img]
    Camarões, caranguejos, siris e até mesmo lagostas podem, eventualmente, tornar-se envenenados devido à ingestão de dinoflagelados tóxicos. No entanto, muitas vezes o cozimento pode evitar os problemas da intoxição. Os sintomas e o tratamento são semelhantes aos descritos para os moluscos bivalves. Os crustáceos (fêmeas), quando na época reprodutiva, podem provocar intoxicação devido à grande quantidade de hormônio em seus organismos. Os sintomas nesses casos assemelham-se à uma reação alérgica (entumescimento e formigamento dos lábios, boca e garganta) e devem ser tratados como tal, ou seja, com anti-histamínicos e corticóides.

    Peixes

    A maioria dos registros de complicações gastrointestinais sofridas por seres humanos após a ingestão da carne de peixes marinhos advém, na maioria dos casos, da contaminação secundária por bactérias __ devido, principalmente, à má conservação do pescado. Ao contrário do que se imagina, os peixes "velhos" ou mal cheirosos só não devem ser consumidos por uma questão de paladar, pois se corretamente preparados não causam nenhuma intoxicação. No entanto, existem peixes marinhos de várias espécies, principalmente nos trópicos, que podem apresentar-se venonosos e o preparo (cozimento) não costuma ser suficiente para aliviar as conseqüências. Em alguns casos, a toxina pode ser fatal. Os tipos básicos de ichthyo-sarcotoxismo, ou o envenenamento resultante da ingestão da carne de peixe, são os envenenamentos por elasmobrânquios, escombrídeos, gempylídeos, tetraodontídeos e outros peixes, e a famosa ciguatera. Por uma questão de espaço, citaremos apenas o primeiro. Os outros serão descritos no próximo informativo, individualizados em grupos, classes ou famílias, para um melhor entendimento.

    Elasmobrânquios



    É o envenenamento provocado pela ingestão de algumas espécies de tubarões e raias. Apesar da carne de determinadas espécies tropicais de tubarões de grande porte causar o envenenamento (como o tubarão-branco, Carcharodon carcharias), o mais comum é a intoxicação provocada pela ingestão do fígado de algumas espécies. Alguns cações e raias podem tornar-se venenosos após consumirem com freqüência seres marinhos envenenados, pois também acumulam suas toxinas. As intoxicações, nesses casos, não costumam ser graves e o tratamento a ser aplicado deve levar em consideração os sintomas apresentados.


    * Marcelo Szpilman é Biólogo Marinho, Diretor do Instituto Ecológico Aqualung, Editor do Informativo do Instituto e autor dos livros Guia Aqualung de Peixes e Seres Marinhos Perigosos.

    **Texto publicado com autorização do Autor
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    retirado do sit www.reefbrazil.org
    http://www.reefbrazil.org/forum/viewtopic.php?t=263
    fotos colocada pelo adminstrador do fórum
    Última edição por Pedro Nuno Ferreira; 18-02-08 às 10:26. Razão: Ajeitar um código da imagem dos tubarões para que a mesma seja visivel
    No fim, conservaremos apenas o que gostamos, e gostaremos apenas do que compreendemos e compreenderemos apenas o que nos tiver sido ensinado.” Baba Dioum.
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    Re: Organismos venenosos-perigosos do recife/Reef venomous-dangerous critters

    Viva
    Chama-se Asthenosoma marisrubri ou como o nome da espécie indica: marisrubri=do mar vermelho/rubro...e é...muito bonito e....Venenoso


    Aqui podem ver mais imagens de outras espécies igualmente venenosas do Género Astenosoma como sejam Asthenosoma ijimai, Astenosoma varium e claro o próprio Asthenosoma marisrubri acima fotografado pelo Júlio Macieira no Mar Vermelho - Red Sea 2007 (Multi-pagina thread 1 2 3 4 5 ... Ultima Página)

    mais imagens obtidas do site de partilha livre http://good-times.webshots.com




    Invertebrate Envenomations - Tintinalli's Emergency Medicine: A Comprehensive Study Guide, 6th Ed.

    Echinoderm Envenomation

    Citação Postado originalmente por eMedicine - Echinoderm Envenomation
    ...
    Urchins with pedicellaria may envenom following simple handling if sufficient contact occurs. The flower sea urchin (Toxopneustes pileolus) is reputedly the most venomous of urchins. Intense radiating pain, paresthesias, hypotension, respiratory distress, and muscular paralysis are potential sequelae of contact with this species and may last up to 6 hours. Reportedly, a female pearl diver became unconscious after accidental contact with the flower sea urchin and subsequently drowned.
    Citação Postado originalmente por eMedicine - Envenenamento por Echinodermes - Tradução por Pedro Nuno Ferreira
    ...
    Ouriços-do-mar com pedicillaria podem envenenar na sequência de um simples manuseamento se ocorrer contacto suficiente. O Ouriço-do-Mar Flor ou Florido, Toxopneustes pileolus (ver post nº 1 deste tópico) é reputado ser o mais venenoso de todos os ouriços-do-mar. Dor intensa irradiante, parestesia parestesia(NT: "formigueiro" que se sente quando um pé ou uma mão ficam dormentes por falta de circulação sanguínea), hipotensão, dificuldade respiratória e paralisia muscular são sequelas potenciais do contacto com esta espécie e podem durar até 6 horas. Alegadamente uma mergulhadora pescadora de pérolas ficou inconsciente depois de um contacto acidental com o ouriço-do-mar florido e subsequentemente afogou-se.
    Citação Postado originalmente por Ronald L. Shimek - Marine Invertebrates - ISBN 1-890087-bb-1 - Pagina 402 - Traduzido por Pedro Nuno Ferreira

    Asthenosoma spp.
    Ouriços-do-mar de fogo

    Tamanho máximo: Até 15 cm em diâmetro.
    Distribuição geográfica: Indo-Pacifico
    Cubicagem do aquário: 0.380 m3 (380 litros) ou maior
    Iluminação: Imaterial
    Alimentos & Alimentação: Alguívoro; necessita de uma refeição ocasional de carne.
    Adequabilidade para Aquário/Compatibilidade para aquário de recife: Não adequado para um aquário de recife; capaz de infligir uma picadela dolorosa e perigosa.
    Cuidados em meio doméstico: De colorido vibrante, estes ouriços-do-mar urticantes têm um corpo mais flexível do que rígido. Longos e frágeis espinhos são visíveis, mas grupos de espinhos mais curtos tipo pente encontram-se entre os mesmos. Estes espinhos mais pequenos têm inchaço repetitivos que se parecem com missangas/contas e têm sacos de veneno bolbosos por baixo das pontas. Os sacos de veneno são coloridos de azul brilhante em algumas espécies, branco brilhante em outras. Se os espinhos furarem a pele, a dor é frequentemente aguda e imediata, mas também parece aumentar frequentemente em intensidade ao longa das horas seguintes.
    Uma vez no aquário de recife, os ouriços-do-mar seriam inofensivos, mas transferi-los ou inadvertidamente tocar neles durante a manutenção, poderá ser perigoso. Aquaristas descuidados podem ficar seriamente feridos, e estes animais não deveriam ser recolhidos do recife.
    Penso que ficou bem claro que estas espécies são muito bonitas e muito perigosas...

    Citação Postado originalmente por Astenosoma spp.
    ...Sabem eu não sou mau, e as pessoas como por exemplo o Júlio Macieira até me visitam de vez em quando e fotografam a minha beleza, mas não me tocam. Eu tenho de ser assim para me defender ou seria presa fácil para peixes gulosos como os Balistidae...Apareçam cá no Mar Vermelho para me visitarem e fotografarem. Se por acaso um de nós for viver para um dos vossos sistemas, tenham muito cuidado a manusear-nos. Usem luvas grossas anti furo como por exemplo as existentes para lidar com roseiras e outras plantas munidas de espinhos porque...nós não somos maus mas podemos ser sem o querer...

    Post Scriptum: e não se esqueçam de usar sempre a luvas anti-furo acima mencionadas sempre que fizerem manutenção, mas melhor será que nos visitem cá no Mar Vermelho.
    Atenciosamente
    Pedro Nuno
    Última edição por Pedro Nuno Ferreira; 27-04-08 às 12:08. Razão: Adição de elos (=links) e correcção ortográfica


    "I may of course, be egregiously wrong; but I cannot persuade myself that a theory which explains several classes of facts can be wholly wrong"...Tradução: É claro que eu posso estar egregiamente errado; mas não me consigo persuadir de que uma teoria que explica várias classes de factos, possa estar completamente errada"...
    Charles Darwin, a Origem das espécies
    Zanclus canescens, cornutus, Kihikiki ou o zigzags
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    Re: Organismos venenosos-perigosos do recife/Reef venomous-dangerous critters

    Bem a minha informação poderá não ter grande valor, mas aqui vou escrever alguma experiência que conheça ou que tenha vivido...

    Aqui na Ilha da Madeira, como a maioria das praias são com fundo rochoso é vulgar haver muitos animais potencialmente perigosos.
    Acho que esta informação sobre animais das nossas costas que são perigosos é muito útil para toda a população em especial os mergulhadores e principalmente banhistas que vejo descalços em praias rochosas com o fundo coberto de anémonas normalmente a Anemonia viridis e muitos hidrozoários de diferentes espécies. Apesar de tudo, quando escrevemos isto é apenas para informar e não para meter medo a quem ler. Afinal todo o cuidado é pouco.

    Anemonia viridis:



    Aqui na Madeira os fundos rochosos para além de anémonas e hidrozoários que aqui mostro, também é muito vulgar o ouriço Diadema antillarum, que por vezes cobre quase completamente os fundos marinhos rochosos entre 5 a 10 metros principalmente. Felizmente nunca fui picado por nenhum, também devido ao meu cuidado quando fotografo em fundos cobertos por eles; mas conheço casos de pessoas minhas conhecidas que estes ouriços chegaram a perfurar a mão de um lado ao outro, e acreditem não é nada agradável ter espinhos de ouriço cravados na mão. Esta espécie tem espinhos venenosos, que partem-se muito facilmente em contacto com a pele e que emitem na "triste vítima" uma forte dor que prolonga-se por vários dias ou semanas, em que os espinhos muitas vezes terão de ser retirados com agulhas, isto falando dos que são visíveis a olho nú .

    Aqui deixo uma foto de um belo exemplar:



    Ainda nas zonas rochosas podemos observar espécies muitos frequentes como os rocazes das espécies Scorpaena maderensis e Scorpaena canariensis venenosos, com uma picada não muito dolorosa comparado com outros Scorpaenidae, estes animais não devem ser agarrados e como são muito vulgares nas zonas rochosas aconselho o uso de umas sandálias quando tivermos a nadar. Peixes como o lagarto do rolo Synodus synodus também devemos ter cuidado porque em caso de contacto com a pele provocam uma comichão leve mas perfeitamente evitável durante horas.

    Scorpaena maderensis:



    Os vermes de fogo Hermodice carunculata também não são nada agradáveis como já foi dito atrás, provocando uma dor muito intensa...é um animal vulgar aqui, mas normalmente a profundidades superiores a 5 metros, a profundidades mais baixas, costuma estar debaixo de pedras.

    Como podem ver nesta foto um animal muito fofo



    Nas zonas de areia também existem animais venenosos, animais como o peixe aranha Trachinus draco e o Echiichthys vipera, que vivem em profundidades muito baixas como 50 cm de água eh eh...portanto cuidado onde colocam os pés...os espinhos venenosos estão colocados na primeira dorsal. Normalmente a picada provoca apenas uma dor intensa que passado umas horas passa, embora conheço casos de pessoas que tiveram consequências mais graves, inclusive um caso que ouvi falar que acabou em morte (não posso garantir isto); isto em pessoas alérgicas claro.

    Trachinus draco:



    Echiichthys vipera:



    Comum nas zonas de areia é também o largarto da costa Synodus saurus, que também provoca uma bela comichão...

    Synodus saurus:



    Comuns aqui nas águas do arquipélago são as águas-vivas ou alforrecas, a mais comum é a Pelagia noctiluca, já fui picado algumas vezes por alforrecas, sendo que a maioria das vezes nem vi a espécie, de qualquer forma posso descrever a experiência...no início não sinto a picadela, passado uns minutos sindo um enorme ardor como alguma queimadura na pele, esta dor passa passados uns dias, ficando a marca da picadela durante dias ou até para sempre como recompensa eh eh.

    Pelagia noctiluca:



    A caravela portuguesa também aparece por vezes junto a costa Physalia physalis, nos textos acima tá muito bem descrita a sua perigosidade por isso excuso de tar a me prolongar neste assunto...apenas fica o registo que a primeira vez e única, bem a pouco tempo que observei esta espécie não podia ter sido mais excitante, tava a apanhar rocha viva pró meu aquário e quando subo à superfície dou de caras com uma espécie destas a menos de meio metro da minha cara...sinceramente nem sei como não me piquei.

    Physalia physalis:



    Pessoalmente também devo dizer que a rocha viva é a melhor maneira de os aquariofilistas picarem-se com estes animais...eu costumo mexer na rocha viva do meu aquário sem luvas, bem como quando vou apanhá-la ao mar...embora desaconselho vivamente.

    Espero que o meu texto tenha servido de alguma coisa para mostrar os animais venenosos que existem na costa da Madeira.
    Cumps
    Filipe Pacheco

    Meu aquário da costa...
    http://www.reefforum.net/f18/aquario...a-costa-17469/

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